sábado, 19 de março de 2011

Marta, Mulher.













Gotas de suor lambuzam a sôfrega alma, e a suavizam. Abatida por exércitos errantes, agoniza no último suspiro. Alma inquieta silencia a quietude do desatino. O que dirá Marta? Sua boca fala para dentro no vozerio que o ouvido ecoa. O que será de Marta, transpassada pela lança cega? Seus cortes invertidos respiram a fuligem. Morte residente, desfila devassidões no certeiro espaço das rezas angulares e displicentes.

Mulher que cede. Sede de mulher. Balança o berço nu. Estende o grito no varal. Seca a angústia em vendaval. Ela se deita na rede da eterna inconstância. Brinca de cabra sem ser cega, no cio descentrado. Mornas labaredas de um gozo adormecido, desapegado, revertendo-se em destemidas arapucas maciças. Áurea abençoada no tridente da folia. Sangue que escorre de cílios perfurados na ânsia de desejos incautos.

Marta, a mulher da vida, rígida, jazia. Sepultada sem perdão. Não foram vê-la. Seus contatos e queridos do lar, em nada saudaram-na. Lágrimas de secos olhos misturadas ao choro da terra mãe - estéril chão. Cortejo fúnebre ladeado por curiosos, carpideiras - a procura do ganha pão - desafetados, desarmonia. O testamento machuca a hombridade. Papel engordurado, rasgado, nota desbotada da compra do dia seguinte


ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.

4 comentários:

Beatriz Verissimo disse...

Gostei e adorei o blog.

Asas Negras disse...

Conto bem poetico.

Cris.Selene disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cris.Selene disse...

Voce escrve tao bem *.*


http://cris2selene.blogspot.com