<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280</id><updated>2012-02-03T17:01:01.550-08:00</updated><title type='text'>Contando Estórias</title><subtitle type='html'>Escrevendo nas travessias do inconsciente.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>86</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-277636203706034931</id><published>2011-08-28T21:34:00.000-07:00</published><updated>2011-08-28T21:41:17.227-07:00</updated><title type='text'>O Esquecimento entre a Consciência e o Inconsciente.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;Neste presente artigo, focarei a relação existente entre a consciência e o inconsciente, articulando-a com a questão do esquecimento. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;Em psicanálise, o esquecimento ganhou uma nova perspectiva. As tradicionais bases biológicas saíram de cena para que as causas inconscientes subissem ao palco do sujeito humano.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;Há uma frase dita por Freud que foi considerada como a terceira grande ferida na vaidade do conhecimento e do poder dos homens: - A consciência não é a senhora em sua própria casa! Historicamente, a primeira ferida no orgulho da humanidade foi a revolução de Copérnico, astrônomo que descobriu que a Terra não é o centro do universo, mas sim o Sol. A Terra, planeta supostamente grandioso em torno do qual os outros míseros planetinhas giravam, foi rebaixada à categoria de mais um planetinha em órbita no sistema solar - sem nada especial em relação aos demais. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;A segunda ferida derivou das pesquisas de Darwin sobre a evolução das espécies, gerando enorme abalo nas teorias cristãs sobre a gênese. Enquanto o criacionismo atribuía um surgimento divino aos homens, herdeiros de Adão e Eva - criações diretamente das mãos de Deus -, já o evolucionismo de Darwin impôs a descoberta que o homem não descende de Deus, mas sim dos símios, ou seja, de macacos e de chimpanzés.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;Para ilustrar essa questão trazida por Darwin, recordo-me de um livro do Umberto Eco, “Em Nome da Rosa”, que foi adaptado para o cinema, abordando, dentre outros temas, o tabu das proximidades do homem com os animais. Na Idade Média, o riso era condenado pelo clero secular como heresia, pois rir transformava a fisionomia humana &lt;st1:personname productid="em animal. Ao" st="on"&gt;em animal. Ao&lt;/st1:personname&gt; rir, o homem abandonava a sua característica divina - de ser à imagem e semelhança de Deus -, tornando-se idêntico aos macacos. No filme, um livro da poética de Aristóteles, uma comédia que versava sobre as virtudes do riso, perdeu-se na abadia. Esse acontecimento gerou uma série de assassinatos internamente à igreja, alardeando o guardião da biblioteca do mosteiro, um monge cego para o qual a perda desse livro poderia acarretar a contaminação da nobreza humana com a deformidade e a bestialidade dos animais irracionais. A identidade humana, modelada pelas mãos de Deus, seria abalada pelo riso, que significava inferioridade e degradação. Por isso, a revelação darwiniana ocasionou um forte abalo nas estruturas narcísicas da sociedade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;Como curiosidade, enquanto o riso foi condenado e proibido na Idade Média, atualmente houve uma inversão. Nos dias de hoje, o riso passou a ser recomendado como necessidade vital, remédio contra o mal. A tristeza, no nosso mundo, é que passou a ser a grande vilã. Ninguém mais tem o direito de estar triste. Atualmente, é a tristeza que é condenável.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Mas é interessante notar que o ato de sorrir e o de chorar são bem parecidos fisicamente, mexendo com a mesma quantidade de músculos. Tem pessoas sobre as quais não sabemos identificar quando estão rindo ou chorando. Mas o essencial é que tanto rir quanto chorar são afetos tipicamente humanos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;Já na teoria freudiana, associada à terceira ferida narcísica, foi descoberto que a razão perdeu a posição central. O inconsciente é o verdadeiro comandante, legítimo senhor na casa da consciência. Tudo aquilo que escapa à consciência, fonte de impulsos repetitivos, mesmo que realizados com resistência e censura, é determinado pela lógica do inconsciente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;A consciência, diferentemente da expressão conhecida como “tomar consciência”, ou “conscientizar-se”, é uma instância psíquica regulada pelo que Freud chama de princípio da realidade. Essa realidade, que responde por uma ficção particular e coletiva para garantir o laço-social, funciona como uma peneira que separa o conteúdo que deve ou não deve ser inscrito na consciência. O problema - ou solução - é que essa operação de filtragem da consciência, que é o lugar das fantasias do ego, sempre deixa alguma falha, fracassando em conter a totalidade dos impulsos indesejáveis. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;O “esquecimento” - que não é um esquecimento qualquer - consiste nessa operação de falha, quando o que deveria continuar no inconsciente vem à tona, insistindo &lt;st1:personname productid="em comparecer. Quando" st="on"&gt;em comparecer. Quando&lt;/st1:personname&gt; isso ocorre, o ego dispara um mecanismo de defesa conhecido em psicanálise pelo nome de “recalque”. O recalque é aquilo que sempre retorna, exigindo ganhar um contorno, um lugar existente, um valor na vida do sujeito. Mas o sujeito nada quer saber do seu material recalcado. O que ele quer é não se haver com seus desejos inconscientes. Só que são esses desejos inconscientes, esquecidos, o que há de mais íntimo e determinante na vida de cada pessoa. Por mais que tentemos esconder, camuflar, censurar e resistir, o recalque sempre retorna, buscando meios diversos para ser exteriorizado. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;Quando o inconsciente se manifesta, a tendência é de não reconhecermos seus impulsos como advindos de nossa mais íntima realidade psíquica. O psicanalista Lacan chama esse lugar em que os desejos recalcados estão inscritos, de grande Outro. Esse Outro não é nem alguém, nem alguma coisa, mas sim o discurso do inconsciente. O sujeito está dividido entre o seu querer consciente, e o material reprimido do seu desejo inconsciente. E é sempre ao falar, que o sujeito manifesta a linguagem inconsciente. Nos tropeços, equívocos e lapsos, quando o sujeito fala uma coisa querendo ter falado outra, é que o inconsciente, conteúdo que mais lhe concerne intimamente, mas que justamente por isso está mais esquecido, acaba vindo à tona com força total. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span&gt;    &lt;/span&gt;Freud, sobre essa questão, exemplifica com o caso de um presidente de um órgão público, responsável por abrir uma sessão, que constata a presença dos membros e diz o contrário do que pretendia dizer, declarando que a sessão estava encerrada, em vez de aberta.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;Conscientemente ele teria que abrir a sessão, mas inconscientemente desejava encerrá-la. Por isso, a linguagem do seu inconsciente escapou da vigilância do ego, invertendo o que ele queria dizer. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;O que está mais esquecido, é exatamente o que há de mais importante na vida de alguém. Sempre que um sujeito esquece, não é à toa. É claro que existem causas orgânicas para os esquecimentos, como lesões fisiológicas. Porém, na maioria das vezes, o que esquecemos está subordinado a uma causa psíquica. Aquilo que mais diz respeito a nós mesmos, mas que nos ameaça a identidade social, acaba se transformando no material recalcado do inconsciente. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;Para ilustrar essa dinâmica do recalque, Freud dá o exemplo de uma pessoa assistindo a alguma conferência num auditório, tumultuando tudo, ao invés de ficar &lt;st1:personname productid="em sil￪ncio. Se" st="on"&gt;em silêncio. Se&lt;/st1:personname&gt; essa pessoa é convidada a se retirar por seguranças, para restabelecer a paz no recinto, ela, mesmo do lado de fora, pode ficar socando as portas. O que invade o auditório já não é mais a presença da pessoa, mas o som produzido pelas pancadas e pelos gritos de revolta da pessoa no lado de fora. O auditório está para a consciência, assim como a pessoa que foi expulsa, gritando e batendo do lado de fora, está para o retorno do recalcado. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;É nesse sentido que o retorno do recalcado, o discurso do Outro, que é o inconsciente, impõe à consciência medidas urgentes de defesa contra o que ela não é capaz de assimilar. A consciência interpreta o material recalcado como oriundo de eventos traumáticos, associando-o a impulsos hostis e indesejáveis. É por isso que Freud compreende que quanto mais um desejo familiar retorna do inconsciente, mais o ego fica estranhamente inquieto. Porém, é justamente essa estranheza que retorna do inconsciente, o que há de mais familiar para um sujeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;É nesse ponto que a função do “sintoma” é convocada para suprir as necessidades de um ego fragilizado. Quanto mais o recalque pressiona para voltar, mais o ego regride às origens dos primeiros eventos traumáticos responsáveis pelo recalque, que são principalmente originados na infância do sujeito - fase na qual as instâncias psíquicas vão se constituindo intimamente. &lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;Freud diz que o ego é o maior dos sintomas, pois ele tenta bloquear esses impulsos do inconsciente. Só que o sintoma é uma espécie de calosidade feita pelo excesso do recalque que é derramado no ponto em que a defesa falha. Ao mesmo tempo em que o sintoma tenta conter o recalque, para não invadir a consciência, o sintoma é feito pela própria matéria-prima do recalcado. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;O conceito de sintoma em psicanálise nada tem a ver com o que a medicina entende por sintoma. Em psicanálise, o sintoma é um mal necessário, pois organiza a realidade do sujeito em sua vida pessoal e social. O sintoma obsessivo-compulsivo, por exemplo, como aquele de sempre voltar ao mesmo lugar para verificar algo, ou lavar as mãos diversas vezes, ou mesmo girar a maçaneta e a chave de uma porta repetidamente, causa um grande incômodo para o sujeito, mas é exatamente isso que evita que esse sujeito entre em contato direto com o seu desejo inconsciente - associado a um impulso hostil, a um evento traumático que acaba se mantendo afastado da memória afetiva do sujeito. É quando esse sintoma desconfortável começa a falhar que o sujeito se sente exposto às suas verdades inconscientes que o determinam, mas sobre as quais ele nada quer saber. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;O inconsciente não é uma continuidade em relação à consciência. Não tem ligação com aquilo que alguns chamam de “subconsciente”, que está abaixo da consciência. Para a psicanálise, o inconsciente é uma instância psíquica individual, que tem suas leis e sua própria lógica. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;span&gt;      &lt;/span&gt;Para concluir, o esquecimento em psicanálise nunca é por acaso. O esquecimento, conhecido como “recalque”, quando não é por lesão orgânica, está associado ao retorno dos impulsos inconscientes que insistem na livre expressão, rejeitada pela consciência. Num tratamento psicanalítico, o conteúdo inconsciente vai gradativamente ganhando espaço, sendo assimilado e reconhecido até chegar à elaboração psíquica com os recursos simbólicos do paciente. Em alguns casos, o material recalcado que não ganha expressão, também pode ser convertido no aspecto de lesões corporais, tendo como causa a atividade do psiquismo. Afinal, o inconsciente busca expressão. Caso os conteúdos recalcados não sejam realizados simbolicamente, na expressão da fala do sujeito, ele retorna no corpo, ganhando expressão orgânica.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify; "&gt;&lt;span&gt;               &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;ARTIGO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;div id="ftn1"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-277636203706034931?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/277636203706034931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=277636203706034931' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/277636203706034931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/277636203706034931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/08/o-esquecimento-entre-consciencia-e-o.html' title='O Esquecimento entre a Consciência e o Inconsciente.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-6254093588427419054</id><published>2011-08-08T22:46:00.000-07:00</published><updated>2011-08-28T21:13:46.239-07:00</updated><title type='text'>Amor em Outra.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/-K5ti3LKy7Ng/TkDJvmd7UHI/AAAAAAAAARo/w5w1n14WJgQ/s200/amor%2Binvis%25C3%25ADvel.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5638728553084964978" style="float: left; margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; cursor: pointer; width: 200px; height: 159px; " /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Ela me pegou pela mão. Puxou-me com delicadeza para a área gramada - um extenso espaço entre os prédios da faculdade. Notando o meu semblante infantil, tripudiou de minha inexperiência com um sorriso malicioso. Quis agarrar-me a ela. Seu corpo desvaneceu. Pensei tê-la perdido. Enquanto eu permanecia na borda do canteiro, hesitante, ela reapareceu dançando entre as árvores. Com um chamado doce, posicionando levemente a palma da mão nos lábios contraídos, exalou aquele sopro aromático que me tirou da inércia extasiada. Fui com ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Exercendo uma vocação nínfica, saltando e cantando, seduzindo sem se aproximar, afastando para tocar, convidou-me para vê-la em ato. Novamente me pegou pela mão e me levou até um fino banquinho armado entre dois troncos espessos. Pediu-me para que sentasse na grama, aos seus pés. beliscou-me o queixo devagar. Fiquei lá, inebriado pelo que nela ainda não vivia, por uma promessa ondulando no ar. Ela me fez recuar. Ainda sentado eu a vi dar um impulso, segurando nas cordas do que talvez fora um balanço. Apoiando-se nos troncos, deu um salto certeiro. Ficou de pé sobre o banquinho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Cantou, cantou, cantou... Insinuava se esconder, deixando entrever apenas o mínimo do seu corpo. Tinha prazer em me enganar. Mas talvez se escondesse de si, não de mim. Quanto menos eu a via, mais eu a sentia, mais eu a possuía. As partes do seu corpo que se alternavam, mostrando-me na fantasia o que não podia ser visto - ela toda - causavam em mim um medo súbito, regado pela estridente paixão que se acercava de minha pele infantil. Já era um homem, crescido, mas não adulto. Sentia-me inocente diante do feitiço feminino. No jogo da presença e ausência, não havia opção, fatalmente perderia. Não havia mais nada a ser visto além dela - seu corpo nu, apesar de bem vestido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Não tive outra reação além de contemplá-la. Aquilo me invadia, me tensionava, me atraía. Estava submetido à mágica aparição que desaparecia num piscar de olhos, para se deslocar e reaparecer em outro lugar - meus afetos e desafetos. Ela bailava, esvaía, ricocheteava e eu, reprimia. Ela articulada, gozando de minha demora em despertar. Eu embasbacado, de queixo caído, engessado, vendo-a levitar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Canções, interpretações, um repertório sem fim. Dançava para uma platéia de cegos, reduzida ao único afeto que a mobilizava mais e mais: O meu assombro. Ao resvalar no meu olhar tímido, erógeno e pueril, ela se enterneceu. Subitamente estancou os passos da dança, aos quais se entregara. Inclinou-se para melhor me enquadrar em sua visão bucólica, e voltou a se sentar no banquinho entre as árvores. Contemplou a paisagem da baía. O espetáculo do pôr do sol, que concentrava multidões - gazeadores de aula - para lhe assistir, ainda demoraria. Tínhamos muito tempo sozinhos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Ela esticou os braços, espreguiçando-os, e laçou os dois troncos por trás, simultaneamente, com os pulsos ligeiramente amolecidos e preguiçosos. Jogou o corpo como se fosse se balançar, e espichou as pernas nuas, cruzando os pés na altura dos tornozelos. Esses sutis movimentos retraíram sua pequena saia de seda, concedendo um pouco mais a visão de suas bem modeladas coxas ao desejo fugaz que se expandia em luzes contidas pelo gramado orvalhado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      O vento mudou de direção. Roubou algumas folhas que giraram em redemoinho. Seus cabelos esvoaçaram, livres. Ela me contava algumas histórias. Era sua vida confidenciada ao estranho imaturo. Não estava preparado para ouvi-las. Quanto mais falava, mais me permitia ser levado com as folhas aos ventos. Repetia a violência radiante da natureza. Eu queria ouvir tudo. Não queria perder nada, nenhuma palavra que me era segredada. Uma força desconhecida, um desejo, me impelia a ficar, a beber e saborear suas histórias de mulher com meus ouvidos de moleque. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Após muito me maltratar, entregando-me ao deleite em sua companhia, saiu em disparada. Despediu-se rapidamente. Disse, virando-se para trás, em direção a minha distante presença cada vez menor, que voltaria. Quem sabe um esbarrão aqui ou acolá? Mas ela não mais voltou. Não mais nos vimos. Só a sua lembrança - o que dela me pertencia - um pouco embaçada e iludida, admito!, insistiu em não se despedir. Minha memória, responsável por esculpir belezas indescritíveis em sua ausência, cravou um prego solitário e agônico na madeira de lei do meu coração. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Muito tempo se passou. Eu abandonara a peraltice envergonhada com a qual eu a conhecera. Um pouco mais adulto, por que não? Já estava terminando a faculdade. Ela ressurgiu. Parecia um pouco mais criança. Já eu, adulto. Nossos lugares se inverteram. Aqueles anos foram suficientes para que me tornasse homem, embora pouco tivesse envelhecido. Nos esbarramos, como prenunciou antes de partir. Ficamos frente a frente. Nos encaramos. Depois sorrimos. Nos demos as mãos. Eu estava confiante. Mesmo que a idade cronológica denunciasse realidade diversa, eu estava mais velho do que ela. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Com a condição que se impôs, namoramos. Aquele calor de todo início de relação... Independente do amadurecimento, regredíamos. Viramos dois adolescentes, como se fosse a primeira paixão. E era, apesar de já sermos experientes. Quando, desamparada, ela procurou o conforto e a segurança em meu peito, fora inesquecível. A primeira vez que meu corpo servira de aconchego para seus medos e privações. Mas era tão difícil nos entregarmos totalmente, dizermos que nos amávamos... Nós dois. Só Deus sabe o quanto ficamos tímidos para expressar as três palavrinhas mágicas: "Eu te amo". Criávamos mil artifícios para dizê-las sem que disséssemos nada. Ou talvez sem dizer nada, era aí que mais dizíamos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Quando conseguimos falar, quando não tivemos mais medo de nos machucarmos, quando o passado já não mais se apresentou como fantasmas a serem comparados com a atualidade, pudemos nos entregar plenamente. Nada mais existia ao nosso redor. Só nós dois. Seguimos assim, nos amando, por um longo tempo. Mas a fatalidade de que éramos dois, e não um, bateu à porta com a ira de quem descumprira o mandamento da descontinuidade entre as criaturas. Os desejos assimétricos, que antes nos uniram, revelaram-se maquiavélicos. Uma prudência que nada mais se animava para reinventar. Desmorecemos. Fomos nos apagando, nos perdendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Até que a luz sumiu definitivamente. E, no escuro, só podia me apalpar. Senti-la em mim. Após o rompimento, ainda nos vimos mais algumas vezes. Tentamos reacender a chama. Tentamos resgatar a paixão. E ela, a paixão, deu as caras em alguns instantes, não vou negar!, mas quanto mais eu a tocava, menos a sentia. Ela não estava mais nela. Ela se transferiu para mim, internalizou-se. "Ela não estava mais nela", que coisa estranha!, mas era verdade. Talvez tenha se desmaterializado. Ganhou vida própria, independente de um corpo. Estava em mim. Só em mim. Só, em mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Na minha ânsia em encontrar alguma justificação para o injustificável, pensei no latim - uma língua morta. Assim como o meu amor já não mais habitava o corpo do meu amor - a saudade que eu sentia dela não se realizava em sua presença - o latim já não mais existia no próprio latim. O latim se disseminara como uma entidade invisível, fertilizando a maioria dos idiomas vivos do nosso velho e novo mundos. Era isso! Ela e o latim. Duas entidades mortas que criavam vida, a raiz do vocabulário latino, da gramática do amor que jamais apontaria para um lugar comum, pois estaria sempre em outro lugar - distante ou perto, não importa mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Tentamos nos ver mais e mais. Tentativas frustradas. Quanto mais a via, menos ela existia para mim. Quanto menos a via, mais seu afeto se fortalecia dentro de mim. Eu a amava em silêncio. Eu a amava em sua ausência. Eu a odiava em sua presença. Como eu não queria apagá-la de minha vida - pois ela já estava mergulhada em mim - não mais a vi. Deixei que seu fluido me dominasse. Ela é o latim. Uma língua morta. Mas responsável por fecundar as riquezas do francês, do espanhol, do português, do italiano... Eu a amo. Eu não a amo. Eu só a amo quando não estou com ela. Uma condenação. Eu só a vejo... em outra. Eu só a sinto... em outra. Ela mesma... nunca mais.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;CONTO ESCRITO  por  ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-6254093588427419054?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/6254093588427419054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=6254093588427419054' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/6254093588427419054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/6254093588427419054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/08/amor-em-outra.html' title='Amor em Outra.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-K5ti3LKy7Ng/TkDJvmd7UHI/AAAAAAAAARo/w5w1n14WJgQ/s72-c/amor%2Binvis%25C3%25ADvel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-8940331310122098254</id><published>2011-08-06T15:30:00.000-07:00</published><updated>2011-08-06T19:25:14.291-07:00</updated><title type='text'>A Sós.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-b4CRdczJkZQ/Tj3A5zNLzfI/AAAAAAAAARg/Y8uhqUmZi3Y/s200/namoro_almada-negreiros.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 142px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5637874407768313330" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Quase toda a noite, caminhava pelas ruas desertas até a casa dele. Só se encontravam lá. Às escondidas. Ela se questionava sobre essa condição. Pressionava-o. Achava que ele não queria apresentá-la aos amigos, que se envergonhasse dela por alguma razão. Ele reagia, com ponderada virilidade, às suas exigências para arrancá-lo da alcova. Ela queria que a relação ganhasse visibilidade máxima. Torná-la pública era o seu objetivo. Achava que só assim confirmaria que ela a amava,  a assumia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Ele ficava irredutível. Contra-argumentava. Dizia que ela era tão importante que ele a queria com exclusividade. Não desejava compartilhá-la com olhares estrangeiros. Ele falava, falava e ela acabava cedendo. Deixava-se convencer. Não porque confiasse no poder de persuasão dele, mas não resistia àquela voz roufenha e melodiosa. Ela detestava confessar isso, mas sentia calores indecorosos sempre que se via tomada brutalmente de forma intrépida, passageira e, acima de tudo, clandestina, por aquele homem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      O encaixe, perfeito. Amavam-se como nenhum outro amante fora capaz. Resolviam suas rusgas quando ambas as línguas verbalizavam libidos inauditas. O resfolegar sinfônico das carnes. Naquele instante, inexistiam. Realização da nostálgica unidade perdida. Apesar de jamais terem renunciado suas diferenças, eram elas, em sua força demoníaca, que executavam o &lt;i&gt;re-ligare&lt;/i&gt; em sua dimensão mais fluida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Juntos, sentia-se completa. Na inevitável separação após cada noite de amor, sentia-se desamparada, carente, aflita pela promessa do que sabia ser impossível: Assumir seu amor publicamente. Quando não estava na casa do namorado, ela evocava o seu nome, trazia-o para perto de si, atribuindo-lhe uma das memórias mais belas. Embora se esforçasse para tê-lo, emoldurando-o com begônias e tulipas de sua imaginação, ela só conseguia se agarrar à devastadora ausência. E sua questão insistia, não calava, repetia: "Por que ele não me apresenta para os amigos?". "Por que eu tenho que ir sempre à casa dele?". "Só lá podemos nos encontrar?".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      O tempo passava, e essa situação não mudava. Mantinha-se melancolicamente idêntica. Sempre. Invariavelmente. Mesmo não aceitando, irritada, magoada, ela seguia, durante certa hora da noite, o mesmo trajeto solitário até a casa do namorado. Pensava em desistir, endereçar-lhe impropérios, xingá-lo, vociferar, terminar o namoro. Mas uma estranha familiaridade a impulsionava para o destino cruel. Resignava-se, até gostava quando o corpo nu daquele homem apaixonante desfilava pelos seus sentidos, como louca aparição, saborosa alucinação. Ela não sabia como ele era na sua ausência. Também não se falavam ao telefone. Mas tinha certeza que seu pacato semblante sofria metamorfose inigualável ao se dar conta que a mulher amada estava presente, ao seu lado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Numa noite, enquanto o esperava no banho, ela, sentada na beirada do colchão, encaracolava suas sedosas madeixas com o indicador. Enrolava os cabelos em movimentos espiralados até esticar a raiz, levantando quase totalmente o braço, bem acima da cabeça. Depois, num ato desavergonhado, deixava-os cair resolutos, modelando os cachos que se insinuavam, salientes, na direção em que o amado se banhava. Ao sair do banho, ele a flagrou em seu sedutor ritual, e hipnotizado pela faceirice da mulher, abraçou-a por trás num gesto impulsivo. Aturdida, sem esperar aquela reação, num gemido súbito de gozo, involuntária e reflexiva ação, lançou o cotovelo para trás com toda a força, contorcendo de prazer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Ouviu um estrondo. Imediatamente olhou em direção ao barulho. Estava lá. Seu Adônis, nu, fatalmente estendido no chão, desfalecido. Apavorada, ligou para o pronto-socorro. Enquanto a ambulância não chegava, ela se ajoelhou, também nua, envolveu aquele corpo que já lhe presenteara com tantos orgasmos, inclinou a cabeça sobre seu peito e se pôs a chorar. Um choro fluido, livre, como jamais pôde chorar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na sala de espera da emergência, a notícia. Ele estava bem. Ela lhe atingira com uma invejável pontaria, na têmpora direita, o que lhe causou o desmaio. O médico lhe conduziu ao encontro do amado. No leito, os pais do rapaz lhe esperavam. Era a primeira vez que tinha seus "sogros" à sua frente. Enquanto ele dormia - efeito de sedativos - ela sorria de felicidade por oficializar - mesmo em inusitada situação - o namoro publicamente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-8940331310122098254?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/8940331310122098254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=8940331310122098254' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8940331310122098254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8940331310122098254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/08/sos.html' title='A Sós.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-b4CRdczJkZQ/Tj3A5zNLzfI/AAAAAAAAARg/Y8uhqUmZi3Y/s72-c/namoro_almada-negreiros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-6118320617403578641</id><published>2011-07-31T11:58:00.000-07:00</published><updated>2011-08-01T14:46:50.348-07:00</updated><title type='text'>No Balcão de Feltro.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/-bGgV_GmtMhk/TjWocDIctbI/AAAAAAAAARY/2brBmlnuA_Q/s200/bar-bolla-casal-sentado.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 150px; height: 100px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635595708554589618" /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;      Puxou um cigarrinho da carteira de couro sintético. O balconista inexplicavelmente demorava para lhe atender o pedido. Sentou-se no banco de costas para o balcão. Acendeu o cigarro com fósforo, riscando-o numa velha caixinha que o acompanhava no bolso. Não era adepto de modernidades. Apesar de que isqueiro não fosse nada moderno - concluía em voz baixa. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;      Cruzou as pernas e se recostou no balcão, apoiando ambos os cotovelos na superfície de feltro. Ficou lá, relaxado, olhando para o vai-e-vem dos clientes que não cessava. Inclinou-se mais no balcão, como se já deitasse, tragando seu cigarrinho com a parcimônia dos que já estão com a vida ganha. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;      Sentiu uma mão pesada tocando o seu ombro esquerdo. Ficou alerta, mas não intimidou-se. Quando já se preparava para reagir àquela ameaça, sorveu a fumaça esparsa do cafezinho que fora servido e já estava à sua espera. Contrastando com a quentura da bebida, um frio percorreu-lhe as vísceras quando se imaginou vulnerável à iminência do ataque.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;      Logo se recompôs. Nem vestígio do garçom que lhe servira o café. Talvez estivesse lá dentro, preparando o pedido de outro cliente. Tomou a circunferência da xícara entre os dedos, dispensando a pequena asa de porcelana para que não queimasse a mão. Não se importava com o calor da bebida. Aquela temperatura, fumegante, possibilitava um choque de realidade. Precisava sentir a musculatura dos dedos encrespando como torradas na assadeira de pão. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;      Não se limitou a pequenas porções. Ingeriu goladas do líquido fervente como se bebesse água para matar a sede. Realmente ele estava com sede. Mas era outro tipo de sede. Era sede de vingança. Não ponderou muito sobre aquele momento. Desde que lhe desonraram, não mais pôde pensar em outra coisa. Sua mente alternava entre o ódio insano e um vazio espontâneo que às vezes o deixava ausente no canto de casa. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;      Por não possuir porte de armas de fogo, nem querer mexer com nada que lhe parecesse um revólver, resolveu levar sua velha faquinha de estimação. Com ela, realizou façanhas em outros tempos. Reservado para aquele encontro, apenas a cara, a coragem, e sua faca de aço inoxidável, bem afiada, embainhada na cintura. Foi a uma loja de cutelaria e comprou um material abrasivo, no formato de pedra, para que o fio de seu instrumento cortante ficasse com a amolação correta.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;      Avistou um vulto que se movimentava vagarosamente. Associou-o, pelo sombreado, o volume do corpo, à vítima de sua fúria. Antes mesmo que pudesse retirar a faca da cintura para empunhá-la em direção à sombra que se aproximava, um estampido fora ouvido pelos demais clientes. Não houve alvoroço. Os clientes continuaram sentados, bebendo, comendo e conversando. Só nos segundos que seguiram ao estrondo oco do revólver, silenciaram, mas rapidamente normalizaram como se nada de estranho houvesse acontecido. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;      No impacto, o projétil que lhe perfurou o crânio, lançou sua cabeça para trás até que batesse a nuca no balcão. O feltro amorteceu o barulho de carne esmagada. A xícara de café continuou firme entre os seus dedos rígidos. Apenas algumas gotinhas caíram em seu sapato de camurça marrom - agora também misturado ao sangue que lhe escorria do furo na testa. Com um esponja úmida e já encardida, o garçom esfregou o feltro do balcão para impedir que o sangue secasse e manchasse o pano de pelinhos verdes. Com uma pá de lixo, retirou os miolos que se espalharam no chão do bar.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;       Um bêbado que estava passando pelo local, viu aquele sujeito sentado de costas para o balcão, segurando uma xícara de café, com os cotovelos apoiados no feltro verde e a cabeça virada. Aproximou-se, e com um sorriso nos lábios, brindou sua garrafa de cerveja na xícara do cadáver. Falou algumas palavras de incentivo para o defunto. Exortou-o. Sentou-se ao seu lado e lhe perguntou se estava de ressaca, se sofria por alguma mulher. Sem obter respostas, o bêbado não insistiu. Ficou por ali, mudo, em solidariedade ao cadáver que, para ele, era um pobre coitado que sofria por amor. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;      &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-6118320617403578641?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/6118320617403578641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=6118320617403578641' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/6118320617403578641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/6118320617403578641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/07/no-balcao-de-feltro.html' title='No Balcão de Feltro.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-bGgV_GmtMhk/TjWocDIctbI/AAAAAAAAARY/2brBmlnuA_Q/s72-c/bar-bolla-casal-sentado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-8804608100804527652</id><published>2011-07-30T11:45:00.000-07:00</published><updated>2011-07-31T09:36:00.977-07:00</updated><title type='text'>Pescador de Almas.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; font-weight: bold; line-height: 16px; "&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 16px; "&gt;&lt;b&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; display: inline !important; "&gt;Enrolou a linha de náilon no molinete cromado, herança dos tempos de pesca com seu pai. Comprou um anzol que não enferruja. A isca, adquiriu numa loja especializada em brinquedos. A vara não era de bambu, como de alguns índios, ou de plástico frágil, mas sim de carbono sólido e flexível, emborrachada na extremidade.&lt;/p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 16px; "&gt;&lt;b&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;Jesus, o pescador de almas - ele lera na bíblia em um dos encontros dominicais. Sabia de sua missão. Não se enganara. Estava preparado para assumir tarefa tão benemérita.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;Subiu ao andar no qual residia, o vigésimo segundo. Colocou o embrulho na mesa da cozinha. Foi ao armário da sala e guardou em uma gaveta o excesso de linha - sobra do molinete. Encaixou todas as peças como se as equipasse numa espingarda ou em outra ferramenta letal.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;Fez o sinal da cruz. Abriu a janela do quarto. Com a vara em punho, tomou impulso e lançou a linha como se a jogasse em águas profundas. Com um soldadinho de chocolate enfiado no anzol, a linha desceu até o décimo terceiro andar. Um menino que brincava próximo à janela do seu quarto, maravilhou-se com o bonequinho de chocolate bailando diante de seus olhos como pêndulo hipnótico.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;Subiu numa cadeira. A janela não tinha grade de segurança. Eufórico, o menino fazia força, com a boca bem aberta, para alcançar o doce - a isca no anzol. O garoto já estava por um fio, pendendo no vazio de treze andares que o separava da rua, quando o pai chegou. Antes mesmo que pudesse gritar, deu um salto - como os competidores na corrida de obstáculos - e conseguiu segurar o menino. Ainda atônito, com o suor deslizando incessante pelo seu rosto, absoluta afonia, retirou o anzol que quase cravara na úvula retraída de sua garganta.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;A polícia chegou. Procurou o culpado, insano, criminoso. Não encontrou ninguém. No vigésimo segundo andar, apenas alguns peixes estragados, atraindo moscas, foram descobertos na pia da cozinha.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;MINI-CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-8804608100804527652?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/8804608100804527652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=8804608100804527652' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8804608100804527652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8804608100804527652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/07/pescador-de-almas.html' title='Pescador de Almas.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-5629555447663452717</id><published>2011-07-25T21:52:00.000-07:00</published><updated>2011-07-26T20:46:48.397-07:00</updated><title type='text'>Destino Selado.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/-AxTR3oGnK-A/Ti5IB5bZKJI/AAAAAAAAARA/ycoh1suIZUw/s200/pai-de-santo.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 175px; height: 200px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5633519381319854226" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Deu alguns passos para trás, abaixou-se e bateu na terra com a mão espalmada. A poeira alvoroçou-se até tampar a visão do compadre Técio. Apenas com alguns resíduos de terra moída sobrevoando seus olhos, percebeu que Pai Tunho continuava na mesma postura. Contemplava o vazio. Pensou em bater em seu ombro para trazê-lo novamente à realidade. Mas recuou, temendo interromper o transe. Soube que, assim como os sonâmbulos que ao serem acordados podem cair duros no chão, se as pessoas em transe fossem sacudidas, incorporariam alma de outro mundo para sempre. Técio se afastou mais e descansou o corpo ao encostar no espesso tronco de uma mangueira  do tipo carlotinha. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Pai Tunho havia flexionado o joelho esquerdo - no qual apoiara o queixo -, mantendo a planta do pé em contato com a terra, enquanto permanecia com o joelho da perna direita encostado no chão. Suspirou fundo. Procurou Técio com as velhas vistas. Ergueu o braço que não servia de base para sustentá-lo naquela posição cansativa, e pediu ao companheiro para que o ajudasse a se levantar. Técio saiu rapidamente do ostracismo e saltou ao encontro daquele homem para o qual devia a própria vida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Quando jovem, Técio era conhecido na cidade de Barro Batido como um exímio capoeirista. Desafiava todos os mestres e iniciados do vilarejo para jogar e dançar. Poucos se arriscavam. A maioria esmagadora saía derrotada sem que Técio encostasse um dedo sequer em seus oponentes. Eles tombavam exaustos por não suportarem o ritmo frenético de sua ginga. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Próximo à roda de capoeira, havia um homem que, com seriedade, ficava sempre por ali apreciando a diversão dos meninos. Todos sempre estranharam a presença taciturna de Tunho. Vestido com uma longa bata branca, diversos colares e fumando seu inseparável cachimbo, Tunho demorava-se sentado numa cadeirinha de madeira para assistir à capoeira. Quase ninguém tinha coragem para chegar perto de tamanho macumbeiro - temia a crendice popular. Achavam até que se fosse encarado por mais de dois segundos, os curiosos seriam vítimas de mandinga e reza brava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      A fama de Técio se alastrara para além das fronteiras da humilde Barro Batido. Forasteiros souberam do nome daquele camarada tinhoso que enfrentava quaisquer briguentos que entrassem na roda. Um dia, um malandro que já tinha o orgulho ferido por outras pendengas, apostou com os comparsas que mataria Técio. Ele escondeu uma peixeira por baixo dos farrapos do que fora uma espécie de quimono e pulou na roda para jogar. Quando esse forasteiro malicioso, esquivando de um golpe de Técio, desembainhou a peixeira do cinturão, e estava prestes a perfurar-lhe o abdômen, Pai Tunho surgiu na frente do sujeito mal-intencionado e lhe arrancou a faca. Ninguém compreendeu aquela aparição. Era improvável que Tunho tivesse saído de sua cadeira, plenamente acomodado, e, de um salto, chegasse entre os dois para desarmar o adversário de Técio. Fora inexplicável tal façanha. O que se sabe é que o forasteiro, perplexo, ajoelhara as pés de Tunho e ficara lá, mudo, por longos minutos, até virar-se de costas e sair correndo para nunca mais voltar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       A partir de então, Pai Tunho tornou-se querido por todos, principalmente por Técio - que passou a segui-lo incondicionalmente - e pelas crianças que rodeavam-no para que lhes contasse histórias fantásticas dos seus antepassados. Técio, além de seguir Pai Tunho, virou um dos seus mais dedicados e promissores aprendizes. Fora batizado pelos orixás, recebendo justamente o nome Técio - seu nome civil era desconhecido -, iniciado e doutrinado pelas entidades espirituais que lhes protegiam e davam deveres para cumprimento e a disciplina do povo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      O tempo passou, compadre Técio já estava se preparando para suceder Tunho em sua missão de Pai, mas as questões começaram a aflorar. Tunho já estava cansado, bem velho. Logo desencarnaria para se juntar às entidades as quais se dedicou durante toda a vida de humilde servidor. Técio fora nomeado para sucedê-lo. Porém, ele não se sentia preparado e sabia que não teria a mesma capacidade e abnegação para continuar o sublime trabalho de Pai Tunho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Técio estava se ajeitando para se despedir e tentando arrumar difíceis palavras para dizer a seu mestre, quando, à sombra daquela frondosa mangueira, Pai Tunho ajoelhou-se. Técio não conseguiu abrir a boca para pronunciar as palavras de despedida, muito menos para se explicar de sua covarde decisão. Pai Tunho, em transe, silenciou-se, de olhos fechados. Recolheu-se em sua insignificância perante os orixás, e recebeu a graça de ouvir sagradas orientações. Foi nesse instante que Técio, encostado na mangueira, como para não perder o equilíbrio da razão, num conflito irredutível e trágico entre a sua vocação, seu desejo, para a qual dedicou-se desde que Pai Tunho o salvou, e a vontade medrosa de se esquivar, fugir para cidade, refazer sua vida distante do lugar no qual, de suas raízes, brotariam cactos e flores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Pai Tunho estendeu a mão. Técio saiu do seu conforto sob os galhos da mangueira para erguer o velho. Quando sentiu seus dedos tocarem a áspera e enrugada mão de Tunho, Técio percebeu a força dos ventos que sopravam em sua direção, assoviando ao atravessarem as lâminas cortantes das folhas novas. Não conseguia abrir os olhos, pois a força era tanta que suas pálpebras não se mexiam. No momento em que pôde ver, Pai Tunho havia rejuvenescido, mas não perdera o vigor e a sabedoria de um homem nobre. Fixou os olhos. A imagem se embaçara. Notou certa semelhança e familiaridade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Surpreendido, Técio não pôde mais duvidar. Era ele o novo Pai. Tunho já desencarnara havia tempos. Aquele Tunho jovem que surgira diante de seus olhos, não era Tunho. Era um Pai, mas não Tunho. Técio estava diante de um espelho d'água cristalino refletindo áurea imagem no muro branco do quintal. Técio era agora, Pai Técio. Seguiu seu destino. Assimilou sua condição transmitida pelo amor. Destino selado - trágico e belo. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-5629555447663452717?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/5629555447663452717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=5629555447663452717' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5629555447663452717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5629555447663452717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/07/destino-selado.html' title='Destino Selado.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-AxTR3oGnK-A/Ti5IB5bZKJI/AAAAAAAAARA/ycoh1suIZUw/s72-c/pai-de-santo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-4091928103159596444</id><published>2011-07-22T07:53:00.000-07:00</published><updated>2011-07-22T08:12:44.407-07:00</updated><title type='text'>Partido.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/-_rbSvkgbKMA/TimPjOnF_UI/AAAAAAAAAQw/wHYWeEZpEfw/s200/rompimento-do-noivado-3.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5632190644383776066" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Passou a mão no peito e suspirou. Não era a primeira vez que estava apaixonada. Sabia de todas as mazelas do término de um amor por experiência própria. Não queria sofrer novamente. Jamais. Já havia tomado uma potente vacina contra as consequências do amor não correspondido ou abruptamente rompido sem a menor explicação. Mas apesar disso, a imunidade não alcançava aquele órgão pulsante sobre o qual Pascal afirmou ser o portador de razões além da razão humana. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Opondo-se a suas amigas alienadas, que repetiam sucessivamente uma determinada condição da qual tinham ojeriza, sem que pudessem admitir suas escolhas, Débora era consciente de seus atos. Não duvidava de sua condenação aos amores e desamores. Nunca se imaginou vitimada por estranhas forças sobre as quais não exercia nenhum domínio. A única coisa que Débora não conhecia era o motivo dessa incapacidade de acertar no que verdadeiramente queria. Quando um novo amor surgia, ela possuía a certeza que tudo, mais cedo ou mais tarde, ruiria. Acabaria tragicamente como em todas as outras vezes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No início, chorava com amargura pelos cantos da casa, sendo consolada por uma amiga que também fracassava em matéria de coração, com a diferença que a amiga acreditava que eram os homens que não prestavam. Débora não se submetia à repetição do fracasso. Não porque ela descobrira uma forma de interromper essa sina repetitiva - pois recusava a ingenuidade das amigas -, mas porque não queria perder a exclusividade como causadora de suas desgraças afetivas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Contrariando expectativas, a continuação dos fracassos não possibilitou que Débora adquirisse maior aprendizado da vida. Seus erros não produziam acertos. Numa lógica primária, quanto mais errava, apenas errava ainda mais. No seu caso, o erro só levava a maiores sofisticações do próprio erro. Errava de maneira cada vez mais elaborava. Na primeira vez, um namorado a deixara numa longa conversa a luz de velas num restaurante elegante da cidade. Ele a havia convidado para jantar, preparou os &lt;i&gt;maîtres&lt;/i&gt; para a situação, decorou e ornamentou aquele encontro, também levando flores e uma caixinha de bombons. Débora não se conformou ao ser informada que seu namoro chegara ao fim. A delicadeza e cortesia do rapaz em dizer o sonoro "não!", a sensibilizou. Pelo menos teve a oportunidade de xingá-lo e estragar o clima romântico. Aquilo lhe fez um bem enorme. Havia ridicularizado-o na frente de todos daquele restaurante chique. Perdeu o namorado, mas não perdeu a dignidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Só que já na segunda vez que perdeu um amor, o rapaz nem se preocupou em organizar um evento para lhe dar a notícia. Ele simplesmente chegou à sua casa - sem levar nenhum mimo -, segurou suas mãos, pediu que sentasse com ele na mesma cama que fora palco de noites memoráveis, olhou fundo nos seus olhos e disse: "Está tudo acabado". Só isso. Diante da revolta de Débora, ele apenas virou as costas com uma relutante lágrima nos olhos que insistia em ficar presa nos cílios, e foi embora para sempre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Já o rapaz do terceiro namoro, terminou com ela sem nem ao menos olhar em seus olhos. Ele terminou por telefone. Fez uma única ligação e, revelando um pouco de constrangimento, despejou suas verdades insipientes, rompendo de modo frio e distante. Débora tentou ligar para ele diversas vezes, mas não atendia seus telefonemas. Ela chorou, mas demorou menos para se conformar. O quarto rompimento foi por e-mail. O rapaz lhe enviou uma mensagem sucinta justificando seus motivos, sem nem ter dado aviso prévio, e desapareceu. O quinto então nem se fala. Depois de uma noite quente de amor, ele nunca mais deu as caras. Ele a riscou do mapa sem nenhum e-mailzinho. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      E os rompimentos foram aumentando e evoluindo em termos de sofisticação. Nesse caso, a palavra "sofisticação" não se refere ao complexo e ao mais bem elaborado. Muito pelo contrário. Caso fosse assim, o primeiro, o do jantar de velas, seria o mais sofisticado. Mas essa palavra tem a ver com a escala decrescente. Significa que com o passar do tempo, Débora testemunha - sem ser vítima, ela sabia muito bem - uma maneira de romper o relacionamento cada vez mais líquida e evasiva. Então, ela só pôde compreender que se os caras a largavam sem nem participarem de uma conversinha sequer, a sofisticação em expulsá-los inconscientemente só poderia estar do lado dela. Era ela, e mais ninguém, a responsável por acabar com seus amores. Mas qual seria seu requinte de crueldade? - Ela avaliava. Será que mordia? Mas mordiscar incrementava o sexo, levando-os a excitações que não estavam no gibi. Não sabia a causa. Só sabia que a causa estava nela. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Débora passou um tempo sem arranjar namorado. Apenas saía com as amigas e se divertia em animadas conversas regadas com muita cerveja. Até que um dia reencontrou seu primeiro namorado - o que terminou com ela a luz de velas. Ele tinha se casado com outra mulher e o casamento não ia bem das pernas. Disse que desde que romperam, ele sentia sua falta. Nunca mais sentira prazer com nenhuma mulher do mesmo jeito que sentia com Débora. Ele a abraçou na frente das amigas - já alterado pela bebida, pois também bebia com amigos na mesa ao lado -, deitou a cabeça em seu colo, chorando. Débora ficou comovida com aquele gesto suplicante. Ele levantou a cabeça e tentou beijá-la. Ela recuou, colocando as mãos espalmadas em seu rosto, como um sinal para que se afastasse. Ele então subiu na cadeira e gritou que a amava. Débora o fez descer e o conduziu em silêncio até uma mesinha reservada na parte de trás do bar. Sentaram-se. Ele em prantos, soluçando, pegou suas mãos entre os copos da mesa e disse que não viveria mais sem ela. Débora ouviu tudo sem dizer nenhuma palavra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Enquanto o rapaz discursava em absoluta aflição, Débora teve um lampejo de verdade. Aquele homem se debulhando em lágrimas só podia significar uma coisa: Eles terminavam com ela porque se sentiam impotentes para assumirem que só ela seria o amor de suas vidas. Ela se recriminou esse tempo todo à toa. A solução sempre fora objetiva. Débora continuava, em silêncio, sendo iluminada pela razão. O rapaz, chorando copiosamente, deu um tapa na mesa, agarrou os ombros de Débora, olhando profundamente em seus olhos e começou a repetir sem parar que não vive sem ela de jeito nenhum. Ela disse que compreendia perfeitamente, e esboçou um sorriso. Disse que ficasse calmo, pois ela estava entendendo tudo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       Não tinha mais nenhuma dúvida sobre a missão para a qual fora eleita: Débora era uma deusa reprimida num corpo de mulher que causava o amor dos homens e os enlouquecia. Eles rompiam com ela por não mais poderem viver com tanto amor. Não eram capazes de revelarem seus segredos. A linguagem não era suficiente para traduzir tal excessivo sentimento. Só seu primeiro namorado, em desespero, pôde sintetizar e transmitir-lhe sua aflição. Débora sabia o que tinha que fazer. Ele não poderia viver sem ela, e ela não poderia viver com ele. A solução para que ele encontrasse a paz estava por vir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      Débora abriu a bolsa em seu colo. Pegou um objeto pontiagudo. Olhou fixamente para o rapaz em franca aflição. Com uma das mãos acariciou o rosto daquele homem que era seu primeiro namorado. Tentou acalmá-lo com afagos. Foi aí que, com um movimento brusco, levou a mão com o objeto ao pescoço do rapaz, e massageou-o com as pontas dos dedos. Imediatamente, ainda com o pescoço seguro entre o polegar e o indicador, beliscando-o levemente, deixou cair o objeto sobre a mesa. Ele parou de chorar, olhou em direção ao objeto e se surpreendeu com um porta-retratos em formato de batom, contendo a fotografia de Débora. Ela sabia que com a sua foto ele jamais sentiria sua falta. Deixaria na cabeceira de sua cama. Quando sentisse saudades, abraçaria o porta-retratos e ficaria em paz. Débora se levantou convicta, deixou o rapaz quieto sentado à mesa, e foi beber com suas amigas. Já se passara muito tempo que estava ausente. Não poderia abandoná-las - além de estar com muita sede... de cerveja... é claro!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS. &lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-4091928103159596444?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/4091928103159596444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=4091928103159596444' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/4091928103159596444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/4091928103159596444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/07/partido.html' title='Partido.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-_rbSvkgbKMA/TimPjOnF_UI/AAAAAAAAAQw/wHYWeEZpEfw/s72-c/rompimento-do-noivado-3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-5186710515791062582</id><published>2011-07-19T18:39:00.000-07:00</published><updated>2011-07-19T21:32:08.869-07:00</updated><title type='text'>Alegria na Cara.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/-Cyau-FG6P1E/TiYzhYmNCAI/AAAAAAAAAQg/TfDRHIXp0fo/s200/riso.gif" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 177px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631245032704772098" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Valter se segurava para não ceder ao irresistível impulso de virar a mão na cara de alguém. Não suportava mais o acúmulo de tensão pela vontade reprimida de distribuir pancadas a torto e a direito. Tentou puxar da memória alguma pessoa que lhe causasse aversão. Não achou nenhuma. Todos eram seus amigos, lamentavelmente amigos. E isso era o pior de tudo. Sua cabeça parecia oca, sem lembranças de desafetos para alimentar sua ira. Era bastante consciente que não se irritava facilmente. A vontade de espancar as pessoas não era motivada pelo humor explosivo ou revoltado. Valter sempre foi muito calmo e de bem com a vida. O desejo de quebrar algumas cabeças não excluía seu temperamento alto-astral. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Palavras amigas de reconforto, gentileza e solidariedade jamais faltaram no vocabulário de Valter para que as ofertasse aos amigos nos momentos mais difíceis. E a recíproca era mais do que verdadeira. Quando passava por apertos, sejam emocionais ou financeiros, seus amigos sempre se dispunham a ajudá-lo prontamente, sem que precisassem pensar duas vezes. Tinha muitos amigos e nenhum inimigo. Nada o tirava do sério. Jamais se aborrecia. Sua sensibilidade para a alegria funcionava como antenas para boas companhias, atraindo todo tipo de gente que se deliciava com suas história e bom humor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para Valter, nunca o clima esquentava. Não havia mal tempo. Sua alegria contagiava até os vitimados pela baixa autoestima. Embora continuasse distribuindo sorrisos - e isso não era nem um pouco cansativo -, ele queria inovar, acrescentar mais possibilidades à sua vida. Valter queria distribuir socos e pontapés a todos ao seu redor. Quanta satisfação teria se pudesse aleijar alguns narizes! Ele acreditava que se realizasse seu desejo de espancamento, certamente seria um homem completo. Não seria mais alegre do que já era, pois sua alegria já chegara ao máximo que um ser humano pode sentir. Mas tinha plena convicção de que produzir hematomas no meio da cara das pessoas representaria a glória plena na Terra. Pensou, pensou, e não chegou a lugar nenhum. Por mais esforço que fizesse não era capaz de extrair a mínima desavença em sua história que justificasse um ato agressivo de sua parte. A felicidade generalizada fazia-o malograr em sua nobre intenção de amassar umas cacholas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diziam que Valter possuía excepcional poder persuasivo. Confiante nesse dom, começou a elaborar um plano para convencer os seus amigos que levar pancadas sem renunciar a paz interior, significaria a aquisição da maior das virtudes: A Bem-Aventurança. Ao colocar em prática seu teorema, enfrentou a resistência pacífica dos sujeitos mais inquietos. Eles alegaram que tal comportamento se aproximava de um tipo de masoquismo resignado, típico das donas de casa que apanham de seus maridos em silêncio, sem soltar nenhum pio, como santas imaculadas. Valter recorreu à sua infinita sapiência e reavivou o exemplo de abnegação de Mahatma Gandhi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse líder político, adepto da não-violência, pregava a desobediência civil para libertar a Índia do domínio inglês. Gandhi se impôs diversos estigmas, como greves de fome - longos jejuns - como estratégia reformista. Conta-se que certa vez, Gandhi e seus discípulos foram duramente reprimidos por oficiais britânicos. Eles imploravam pela liberdade e pelo fim do massacre econômico. Os soldados riram daqueles homens raquíticos e desarmados que se aproximavam. Então, para divertirem, os ingleses desafiaram os desnutridos indianos para que se conseguissem bater em um deles, concederiam alguns benefícios, permitindo-os que atravessassem a rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gandhi humildemente se abaixou e ofereceu a cabeça para que os ingleses lhe desferissem golpes. Logo todos os seus discípulos repetiram o gesto do líder. Os soldados estranharam aquela bizarra atitude, não acreditando no que viam. Mas obedeceram. Bateram tanto nas cabeças dos indianos que ficaram completamente exaustos. Já não aguentando mais depois de tanto baterem, acabaram caídos e vencidos. Os indianos ,então, mesmo machucados, saíram vitoriosos. Valter quis transmitir uma lição de moral, citando as conquistas heróicas de Gandhi. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seus argumentos traçavam considerações elogiosas sobre os benefícios de levar cacetadas na moleira. Gandhi foi um vitorioso levando porrada e passando necessidades. Quanto mais apanhava, mais ganhava a guerra e inscrevia seu nome como benfeitor da humanidade. Os amigos de Valter ouviam-no com atenção. Eles acompanharam seu raciocínio até serem dobrados pela lábia digna de um político brasileiro. Valter novamente resgatou a memória do mestre indiano para acrescentar uma valiosa observação: Gandhi alcançou a paz e a plenitude, levando porrada dos ingleses. Ele não era masoquista. Ele era um homem que conhecia a verdadeira felicidade - Afirmou Valter.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As pessoas às quais Valter endereçava seu discurso não se surpreendiam com a facilidade do amigo em abordar as cicatrizes humanas - assuntos que abalariam a maioria dos ouvintes - sem esboçar a menor angústia. Ninguém questionava que por trás daquele sorriso meigo algum tipo de perversão jazia camuflada. Caso houvesse algum distúrbio, Valter ignorava. Ele acreditava piamente em suas boas intenções. Um dos amigos, apoiando-se na leitura de um filósofo esloveno que sempre citava, afirmou que os movimentos pacíficos que resultam em grandes reformas sociais, são de extrema violência, pois mudam toda uma crença popular. Mudar a forma de pensar é a violência das violências. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após as considerações finais do grupo de amigos, já devidamente convencidos pelas generosas alusões e milagrosas evocações do discurso de Valter, eles ficaram tão eufóricos que se despiram e lhe ofereceram pedaços de galhos e as fivelas dos cintos - que já não mais eram usados para segurar suas calças - para que Valter iniciasse o ritual de espancamento. Viraram-se todos de costas para o bem-aventurado Valter. Recebendo essa resposta afirmativa de total confiança em suas palavras e aceitação de suas nobres intenções, Valter não se conteve e soltou um berro de contentamento. Nesse instante, sua pressão arterial se elevou de tal maneira que um coágulo cerebral - que ele sempre fora portador e nunca soubera - rompeu, causando hemorragia de aneurisma. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imediatamente, ainda com a mão suspensa - já com o cinto em punho -, ele desabou fulminado. Pela demora em sentir as pancadas, um dos amigos se virou e deu de cara com o corpo de Valter estendido no chão. Ele morrera com o braço para cima, o mesmo que empunhava o cinto, e com um semblante de extrema felicidade. Ao invés de chorarem, eles se alegraram com aquela partida maravilhosa. Em sua lápide, os amigos mandaram que a frase que mais representasse o espírito feliz de Valter fosse inscrita: "Segue para a eternidade, o homem mais feliz do mundo!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-5186710515791062582?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/5186710515791062582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=5186710515791062582' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5186710515791062582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5186710515791062582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/07/alegria-na-cara.html' title='Alegria na Cara.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Cyau-FG6P1E/TiYzhYmNCAI/AAAAAAAAAQg/TfDRHIXp0fo/s72-c/riso.gif' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-8134954026482108384</id><published>2011-07-18T18:15:00.000-07:00</published><updated>2011-07-18T18:17:17.614-07:00</updated><title type='text'>Morrer de Prazer.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-uNBerZ7YmxA/TiTa1iTJFPI/AAAAAAAAAQY/1yL6wWXkD-U/s200/dor.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 148px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5630866047394977010" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(61, 61, 61); font-family: Halvetica, Arial, Verdana, sans-serif; line-height: 19px; "&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;O corte profundo anunciava o fim. seu infortúnio sempre fora seu maior deleite, sua fortuna. Ter sua pele arranhada era o mínimo dos prazeres que poderia sentir, um acréscimo humilde de gozo. Não que tivesse apreço pelo flagelo como os penitentes. Jamais pensara em pagar promessas. Não se imaginava subindo a infinita escadaria de um outeiro, de joelhos, para agradecer a graça gentilmente cedida pelos deuses. Tinha aversão ao ler nos livros de história sobre a punição impingida aos escravos infratores. A visão da chibata ardendo no lombo causava-lhe ânsia de vômito.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Há tempos não obtinha tanto prazer quanto o de ser achincalhado por mãos femininas. O filete sanguíneo que despontava das feridas assemelhava-se ao gotejar das lágrimas, ao suor que brotava do orgasmo e ao líquido seminal depositado na glande exausta. Ele havia aperfeiçoado uma tática infalível para abordar as mulheres mais selvagens. Baseando-se em estudos esotéricos, apostou na potência dos nomes como parâmetro de personalidade. Frequentava botequins de quinta categoria e puxava assunto com as mais variadas mulheres - a maioria prostitutas - até que elas lhe dissessem seus nomes completos. Apesar de quase nenhuma revelar a verdadeira identidade, ele insistia. Elas, já aborrecidas por sua perseverança patética, apenas lhe informavam o "nome artístico" - ou de guerra -, como costumava ser chamado pelos zombeteiros bebedores compulsivos.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Ele desenvolveu um método de avaliação que chegou ao sobrenome "Silva" como um ideal de agressividade espontânea. Num cálculo etimológico, descobriu que "Silva" se originou de "Selva". Os indígenas, por seus hábitos selvagens, foram tecnicamente rotulados de "silvícolas". Então, concluiu, as mulheres com esse sobrenome, Silva, seriam logicamente mais enfurecidas na cama. Algumas mulheres, interessadas em migalhas monetárias e já entediadas pela repetitiva pergunta daquele homem esquisitão - possível cliente -, diziam que tinham "Silva" como nome do pai. Outras, que o "Silva" vinha da mãe. Pouco importava. Ele se satisfazia, calava a boca, e as convidava para sua casa, pagando-lhes o programa. Algumas se assustavam com o comportamento extravagante do rapaz. &lt;/b&gt;&lt;b&gt;Ele pulava na cama, ficava em pé, soltava gritos histéricos e se contorcia moderadamente como elástico velho.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;A maioria de suas parceiras chegava ao ponto de se apavorar, ameaçar chamar um médico - quando parecia que ele fora vítima de ataque epilético -, ou mesmo a polícia - quando a esdrúxula cena se comparava a dos mais perigosos maníacos sexuais. Muitas nem esperavam para receber o pagamento. Simplesmente viravam as costas e corriam desesperadas para a rua. Quando ele recobrava a consciência, não via mais nenhuma mulher ao seu lado, muito menos seus tão queridos arranhões. Por não ter obtido êxito com o minucioso estudo dos nomes, partiu para o cara-a-cara. Ele passou a encarar as mulheres. Tentava identificar algum traço que transmitisse o temperamento intempestivo ideal para realizar seus sonhos de retalhamento orgástico.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Depois de muitas investidas fracassadas, ele finalmente encontrou aquela que seria a encarnação do seu gozo, sua alma gêmea, seu algoz sexual. Ela exibia um semblante harmônico, equilibrando na medida certa um olhar irascível com a doçura de lábios bem desenhados. Um misto de ternura com ódio brutal. O odor da sensualidade tirânica antecipava o instante supremo de ser trucidado pelo prazer. Aproximou-se dela com a convicção típica dos santos e dos paranóicos.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Não foi capaz de cuspir palavras sujas, como as escritas por autores anônimos na latrina dos banheiros públicos. Não que as palavras de baixo calão lhe faltassem na hora "h" - ou no ponto "g", pouco importa -, mas porque a libido as envelopava como cartas-bomba para que fossem entregues a um destinatário desprovido de destino. As palavras inexistiam. Agora o ato, em sua dolorosa verdade como boa bofetada, ridiculamente real - justamente o que ele mais ansiava -, era a única ferramenta comunicativa de que dispunha. A comunicação em sua mais radical violência. Estupidamente erótica.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Quando já estavam na cama, o carrasco e sua vítima se revezavam avidamente como num jogo infantil digno de reformatórios. Ela por cima, de pernas abertas, enganchada em seu tronco, açoitava-lhe verbalmente enquanto cavalgava com obstinação. Ele firme, esbelto, como um cavalo puro sangue, alternando rebeldia - para cravar com maior virilidade o membro -, com a submissão dos selvagens adestrados. Ao sentir os primeiros espasmos do orgasmo que lhe subia pela espinha, eriçando sua nuca, ela enfiou as unhas febris na carne úmida do seu homem-cavalo. Um uivo de prazer fora entoado como a nota mais aguda de um soprano. Se houvesse alguma taça de cristal na alcova, certamente não resistiria e explodiria como uma ejaculação quente - não de sêmen, mas do mais viscoso sangue. Os encontros corrosivos, antes ponderados, mais suaves e semanais, tornaram-se diários e cada vez mais intensos, famintos, com direto a dentadas, cera derretida no escroto e anzóis nos mamilos.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Uma noite, no auge da sandice, ela tirou da bolsa um garrote feito com dois bastões de alumínio e um potente fio de náilon. Sem que ele percebesse, ela iniciou lentamente o estrangulamento. Enquanto o fio apenas encostava em sua garganta, ele nada sentira. No início, o regozijo se apresentava em sua mais exuberante manifestação. Mas quanto mais ela apertava o garrote com os braços já cruzados em seu pescoço, mais ele sufocava numa dramática exibição de suplício. Naquele instante ele se desesperou. Sentiu a morte iminente. Já estava quase sendo sumariamente degolado. A asfixia o deixara de olhos arregalados e com a língua pendurada, como quisesse abandonar sua boca. O sangue escorreu-lhe pelo queixo, pois mordera a mesma língua que, vencida entre os dentes pontiagudos, desfalecera. O náilon já lhe atravessara as cordas vocais, tocando, como última melodia, o instrumento de solitária nota. Os espasmos de agonia substituíram os de prazer. O sangue descia quente como a seiva bruta que escorre de um tronco roletado.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Após o derradeiro trepidar de um corpo inconsciente, ela se afastou, limpou as mãos ensanguentadas nas coxas e na vagina - fecundando-se com a morte - manteve o garrote fincado no pescoço do cadáver, apanhou todo o dinheiro em sua carteira, guardou-o na bolsa também respingada de sangue e saiu da alcova com uma absoluta sensação de dever cumprido. Já na rua, em direção ao local em que faz ponto, no botequim, contando o dinheiro, satisfez-se por se sentir muito bem paga. Tinha total consciência que fizera um favor à sua vítima. Ela lhe deu o que ele mais desejava: Morreu em seu próprio gozo. Fora asfixiado pelo prazer.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; line-height: 19px; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; line-height: 19px; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-8134954026482108384?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/8134954026482108384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=8134954026482108384' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8134954026482108384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8134954026482108384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/07/morrer-de-prazer.html' title='Morrer de Prazer.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-uNBerZ7YmxA/TiTa1iTJFPI/AAAAAAAAAQY/1yL6wWXkD-U/s72-c/dor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-1448788613804327419</id><published>2011-07-16T23:04:00.000-07:00</published><updated>2011-07-18T18:19:23.722-07:00</updated><title type='text'>Tramar e Amar.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/-pyk5HJOoAB4/TiJ9Nxdpx_I/AAAAAAAAAQA/zagrDY1yfy0/s200/GRITOS-E-SUSSURROS-Mahatma-Gandhi.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 161px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5630200159736023026" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Os tiros explodiam lá fora, vibrando a vidraça empoeirada. A revolução chegara às ruas com os rebeldes amotinados na marginalidade conspiratória. Era somente na alcova que se tramava o futuro da resistência. Enquanto grupos mais radicais aderiam às armas de fogo, Jôsi e Théo guerreavam com as armas de tinta e das notas musicais. Era somente na escuridão das residências silenciosas que as inquietas lógicas apaixonadas traçavam o futuro da pátria. O risco de grampos telefônicos e de escutas espalhadas por algum agente do governo infiltrado, potencializava o clima paranóico de que quaisquer paredes ouviam muito bem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;O lar já não mais representava segurança, embora o refúgio fosse inevitável. Os manifestos políticos que Jôsi escrevia, assinando com um pseudônimo, foram descobertos, associados à sua autoria. Ela estava jurada de morte nas perversas entrelinhas da lei do seu solo materno. Precisando de abrigo, e recusando a opção do exílio, Théo, um velho amigo e exímio violinista, convidou-a para se esconder em seu modesto apartamento no Catete. Ironicamente, esse bairro carioca remetia aos aspirantes a oficiais militares, representantes do sórdido governo que tanto combatiam - os cadetes do exército. Era só trocar uma letra - o "t" para o "d" - que logo passaria de Catete para Cadete. O bairro do Catete foi a sede do poder Executivo até às vésperas do golpe militar - mais uma ironia. Jôsi prontamente assentiu o convite de Théo - irrecusável na ocasião , mudando-se para seu apartamento só com a roupa do corpo para não levantar suspeitas pela movimentação da mudança. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Théo mantinha uma posição quase apolítica, sem muitas participações nos inflamados debates que aconteciam sempre aos sussurros e às escuras. Ele era um músico em início de carreira, mas já conquistara um público vasto e fiel. Compunha importantes concertos em orquestra de câmara. Temia destruir sua promissora carreira, envolvendo-se com a subversiva esquerda revolucionária. Mas ao ver sua amiga em apuros, não hesitou em chamá-la para seu apartamento, mesmo tendo absoluta consciência de que Jôsi era uma militante de esquerda. Há anos não se viam. Jôsi sabia da existência de Théo pois acompanhava o noticiário. Nos suplementos de arte dos jornais, seu nome era citado com frequência como um violinista renomado, apesar de jovem. Théo sabia que Jôsi era escritora. Já lera alguns de seus romances, mas jamais desconfiara que ela fosse autora daqueles subversivos textos. Impulsionado por um estranho sentimento - estranho, pois nunca manifestara nada por ela -, ele não se fez de rogado e, mantendo as devidas precauções, conseguiu entrar em contato com a moça fugitiva. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Jamais passara pela cabeça de Théo a possibilidade de seu nome ser estampado nas principais manchetes dos jornais, não como músico de sucesso - que já era -, mas como foragido da polícia naqueles tempos de chumbo. Sabia que agora, abrigando uma subversiva, mais cedo ou mais tarde teria seu "crime" descoberto pelo DOI-CODI. O serviço secreto da polícia o perseguiria implacavelmente. Desde que Jôsi chegara, ele não mais dormia direito. Quando conseguia conciliar o sono, acordava apavorado no meio da noite, suando, após sair de um pesadelo em que quebravam-lhe os dedos, torturando-o para confessar o inconfessável. Nunca mais poderia tocar seu instrumento tão adorado por ávidas platéias - pelo som ímpar que só ele conseguia tirar do violino. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;No início, Jôsi e Théo quase não se falavam. Apenas trocavam alguns tímidos olhares. Théo havia cedido o seu quarto a ela. Jôsi recusou, pois o quarto era amplo e muito iluminado, e ela não poderia dar esse luxo de exposição, entendido como um suicídio programado. Ela preferiu se instalar num quartinho de empregada humilde que ficava bastante afastado, nos fundos do apartamento. Lá ela passava horas escrevendo, quase o dia inteiro. Embora dividissem a casa, às vezes Théo ficava um dia inteiro sem ver Jôsi, como se ela não estivesse presente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Angustiado, Théo ameaçou não sair mais de casa, mas Jôsi, sussurrando, logo interviu, advertindo-o que tal procedimento iria levantar suspeitas e que ele deveria se esforçar ao máximo para levar uma vida normal. Desconfiado, ele seguiu seus conselhos. Continuou participando dos concertos, ia ao mercado fazer compras e ensaiava diariamente em seu quarto. Para que não estranhassem o excesso de comida, eles combinaram de racionar os alimentos por um tempo para que Théo não comprasse em dobro - o que os entregaria, denunciando que ele hospedara alguém de maneira duvidosa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Os dias foram passando e os dois se aproximando. Théo já acompanhava Jôsi em seus escritos no apertado quartinho de empregada. Ela pedia sua opinião e ele se enveredava gradativamente na tão temida política de esquerda. Jôsi, na calada da noite, também ia ao quarto de Théo para visitá-lo. Queria ouvi-lo tocando seu violino. Quando escrevia, solitária, no quartinho, e ouvia Théo ensaiar do seu quarto, ela imediatamente parava, recostava no espaldar da cadeira e se deixava embalar pela divina melodia. Mas Jôsi não podia entrar no quarto de Théo durante o dia por causa da iluminação e à noite, ouvi-lo tocar, também levantaria suspeitas - afinal, ele nunca ensaiara à noite. As visitas ficaram cada vez mais frequentes. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Falando baixinho, os dois passaram das conspirações de uma esquerda subversiva, às subversões do desejo. A paixão os arrebatava. Não mais a paixão pelo violino de Théo. Não mais a paixão pelo discurso político de Jôsi. Ambos não foram descobertos pela polícia, mas descobriram o amor. Numa noite, deitaram-se juntos. Tiveram uma inesquecível conspiração sensual, consensual, lasciva. Assim como a subversão política, a lascívia também era condenada pela censura, mas aquela cumplicidade erótica, nos sussurros da alcova, era apenas testemunhada pelas paredes surdas do quartinho de empregada. Os ouvidos pertenciam ao casal que tocava seus corpos em êxtase debaixo dos lençóis puídos. Théo tocava o corpo de Jôsi como um enfático dedilhar das cordas de seu violino. Era música! Jôsi apalpava Théo como se inscrevesse a linguagem única de uma excitação intransmissível. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Na manhã seguinte, enquanto do quarto iluminado de Théo ouviam-se os estampidos dos revólveres ordinários, do quartinho de empregada, na penumbra, nada de fora se ouvia. Jôsi e Théo só eram sensíveis aos sussurros do prazer. Naquele dia, ambos não saíram da cama. Eles haviam sido protagonistas da revolução: A revolução apaixonada do encontro ácido de seus corpos. Eles fizeram história. Tornaram-se gente. Não pelas armas, mas pelo sexo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-1448788613804327419?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/1448788613804327419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=1448788613804327419' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/1448788613804327419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/1448788613804327419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/07/tramar-e-amar.html' title='Tramar e Amar.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-pyk5HJOoAB4/TiJ9Nxdpx_I/AAAAAAAAAQA/zagrDY1yfy0/s72-c/GRITOS-E-SUSSURROS-Mahatma-Gandhi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-1044554360549172849</id><published>2011-07-09T14:37:00.001-07:00</published><updated>2011-07-09T21:50:17.489-07:00</updated><title type='text'>Cafeteria Hospitalar.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-KhK5IYcRr0I/ThkvfVjyx3I/AAAAAAAAAP4/FhgUgdhQC5E/s1600/Coffe.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 142px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-KhK5IYcRr0I/ThkvfVjyx3I/AAAAAAAAAP4/FhgUgdhQC5E/s200/Coffe.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5627581424785868658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; "&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Numa sexta-feira à tarde, voltando do trabalho, procurei uma cafeteria na qual pudesse relaxar. Por toda a extensão da rua em que passava - repleta de casas velhas e abandonadas, com um denso matagal decorando-as, nem sinal de um cantinho para saborear um bom café. Cheguei a pensar naquelas lojas que oferecem o precioso líquido negro como cortesia em encardidas garrafas térmicas, servindo o homem que espera "pacientemente" as compras da mulher. Mas também não havia por perto nenhuma dessas lojinhas. Caminhei, caminhei caminhei... E, de repente, senti o aroma de um cafezinho fresco, que acabara de ser coado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Olhei para um lado... Para o outro... Cadê? Não tinha cafeteria. Concluí que o cheiro vinha da casa de alguém, pois já estava num ponto em que os espigões de milionárias construtoras cercavam-me, bordando a rua com um traçado irregular. Intrigado pela origem daquela invisível e hipnótica fumacinha, andei mais um pouco. Parei em frente a um hospital especializado em cardiopatias. Dois grandes cilindros de oxigênio bombeavam o gás por não menores tubulações, perdendo-se no interior do hospital. A porta automática se abriu. Do tapete vermelho estendido para o exterior como uma careta, uma elegante senhora deslizou graciosamente ao estilo das andorinhas. Observei atentamente. A fachada parecia mais um sedutor portal de um shopping center convidando os consumidores a esvaziarem seus ricos bolsinhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Já quase retomando meu caminho, o cheiro do café voltou a me invadir, acariciando meu desejoso olfato. Dei um passo para trás e novamente fiquei perante o sofisticado nosocômio. Bem... Uma estrutura arquitetônica um pouco sem noção e realmente cômica. Não sem estranheza e espanto, tive que reconhecer que o fascinante aroma vinha do hospital, sem sombra de dúvidas. Quando a porta automática se abriu, empaquei no meio. Fiquei lá estatelado ao ver a decoração estonteante da cafeteria. Um garçom, notando menos a baba que escorria no canto da minha boca, do que demonstrando preocupação em desobstruir a passagem inconvenientemente entupida pelo meu corpo petrificado, sugeriu que eu me sentasse a uma mesa. O susto que se estampava em minha cara deve ter aguçado a sensibilidade dos abnegados enfermeiros de plantão. Mas, pasmem! Mão haviam enfermeiros de plantão. Só garçons adequadamente arrumados para um digna festa de gala.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Por alguns segundos eu quis recuar e sair correndo dali. Mas continuei lá. Acabei de entrar e segui a sugestão de me sentar. Aquilo era tudo, menos um hospital. Fato! Se os funcionários se comportassem como se estivessem num hospital, certamente teriam me jogado numa maca e me levado para o CTI, visto a minha cara de babaca, não acreditando no que estava diante dos meus olhos. Percebi que as evidências também enganam. Ainda sem confiar nos meus sentidos, dei uma olhadinha ao meu redor. A movimentação dos clientes e a maneira que os garçons os serviam, eram as mesmas de qualquer lanchonete que se preze - sem contar a pitada de requinte e elegância que a maioria das cafeterias não tem. Não poderia negar. Aquele lugar, como um hospital, era uma excelente cafeteria, obviamente merecedora de ser incluída no circuito gastronômico da cidade. Mas acredito que o tabu por se localizar num ambiente hospitalar não permitiria que figurasse em nenhum catálogo indicativo das melhores opções gourmet.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Rompi a barreira do alerta geral que foi ligado em mim - pois estava atento por causa da hipótese dos cafés estarem envenenados. Afinal, eles poderiam ter feito algum acordo ou pacto com o diretor do hospital, envenenando suas bebidas para causar ataques cardíacos, aumentando o faturamento dos seus comércios. Mas descartei essa possibilidade, pois o preço que o proprietário já estaria pagando para manter aquele espaço - aluguel gentilmente cedido pelo hospital - deveria ser tão exorbitante que poderia arrancar o olho do dono do café. Aí, não seria ali que iriam tratar de um caolho. Acho que a segunda hipótese era a mais economicamente viável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Não totalmente relaxado, mas já tendo a desconfiança vencida, pedi uma xícara de café carioca. Não estava muito disposto. A concentração do expresso me tombaria facilmente. Por isso pedi com um pouquinho mais de água. Fui servido numa bandejinha com o açúcar mascavo como mais uma opção além do adoçante e do açúcar refinado. Não adocei com o mascavo porque o sabor se alteraria de tal maneira que ninguém distinguiria o café do caldo de cana. Comi o biscoitinho amanteigado que veio de cortesia, molhando-o antes no café. Recostei na confortável poltrona hospitalar da cafeteria e comecei a observar as pessoas que, como eu, também se deliciavam com os quitutes e aperitivos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Sei que na emergência do hospital, muitos pacientes e seus familiares dão entrada no mais absoluto desespero. Muitos são internados e submetidos a cirurgias. A maioria dos familiares - os que não torcem para que o parente abastado morra rapidamente, tendo acesso às heranças - sofrem mais do que os enfermos. Alguns pessimistas tem convicção que os hospitais são a porta de entrada dos cemitérios. Eu que não sou adepto desse ceticismo, prefiro entender que os hospitais são os portadores das nem sempre tão disputadas chaves de São Pedro. Mas paraíso mesmo era aquela cafeteria. Impossível que alguém morresse ali.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Esse hospital tinha entrada por duas ruas paralelas. Suas instalações atravessavam o quarteirão. Do lado da emergência, a rua era calma e florida, como de uma cidadezinha do interior. Do lado oposto, no qual se encontrava a cafeteria, a rua era agitada e barulhenta. Talvez a direção do hospital acreditasse que passar pela rua silenciosa auxiliaria, como numa terapia, aos doentes que chegassem à emergência em fase terminal. Ou talvez a rua vazia ajudasse a entrada e saída das viaturas socorristas. As ambulâncias não passavam pela rua de acesso à cafeteria. Acho que se invertessem as posições, colocando a cafeteria no lugar da emergência, certamente quando os pacientes moribundos vissem a obra de arte e o frescor de vitalidade do elegante café, se recuperariam instantaneamente - assim como o macarrão japonês miojo. Se alguém tivesse a ousadia de tentar morrer ali, o garçom a curaria prontamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Todos que usufruíam do lugar estavam divinamente ornamentados. Gente finíssima. A conversa girava sobre todos os assuntos, menos sobre doença e morte. A maioria das discussões abordava os temas prediletos da futilidade, mas ainda assim negavam qualquer possibilidade de tocar as farpas das doenças e das mortes. Pela primeira vez tive a experiência de estar num hospital em que a morte não existia, como as sujeirinhas faceiramente varridas para debaixo do tapete persa. Uma jovem rodeada por familiares que pareciam visitá-la em sua juventude e vigor, ao invés de visitarem algum paciente à míngua, do alto de sua beleza e formosura - com seus finíssimos saltinhos - contava para uma platéia embasbacada, a glamorosa história de seu passeio pela Europa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Ela chegou a falar que tinha acabado de fazer uma visitinha à tia hospitalizada - mas isso era o de menos. O que importava é que estava prestes a se casar e os preparativos chiquérrimos do casamento não poderiam falhar de nenhuma maneira. Ela tirou da bolsa um embrulhinho que segundo ela continha uns docinhos finos. Perguntaram-na sobre o nome dos doces. Ela disparou com um fluente francês parisiense que se tratava de "petit-gateau", e que não deixaria que eles experimentassem, que deveriam esperar até seu casamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;Encantado, tendo já esvaziado quase completamente minha xicarazinha de porcelana - deixando apenas um restinho no fundo, como manda a fina etiqueta -, eu me retirei com a doce sensação que em vez de ter saído de um hospital, acabara de me despedir dos elegantes convidados de uma festa da alta sociedade. Talvez eu devesse ter adoçado meu café com o açúcar mascavo. Assim poderia ter eliminado qualquer resíduo do seu característico amargo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;CRÔNICA ESCRITA  por  ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-1044554360549172849?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/1044554360549172849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=1044554360549172849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/1044554360549172849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/1044554360549172849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/07/cafeteria-hospitalar.html' title='Cafeteria Hospitalar.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-KhK5IYcRr0I/ThkvfVjyx3I/AAAAAAAAAP4/FhgUgdhQC5E/s72-c/Coffe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-866331448152822073</id><published>2011-07-07T19:18:00.000-07:00</published><updated>2011-07-07T19:51:18.367-07:00</updated><title type='text'>Apenas Um Sonho.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/-ypsFfyRRBiw/ThZpCaS3vwI/AAAAAAAAAPY/KKXfkOtJRhI/s200/selfport.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 168px; height: 200px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5626800274585140994" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(61, 61, 61); font-family: Halvetica, Arial, Verdana, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px; "&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Todos o aguardavam ansiosos. O grande gênio da psicanálise estaria ali para nos doar pitadas de sua quase infinita sabedoria. O auditório estava lotado. Alguns em silêncio, já concentrados. Outros, como eu, agitados e falando baixinho para seus vizinhos de cadeira, sobre a demora do palestrante. Seu nome foi anunciado. Surpresos pela notícia, não se contentando pela espera, os convidados se viraram em direção ao portão de entrada. Como chibata estalando no ar em pleno açoite, Lacan atravessa a soleira da porta e dispara até a plataforma na qual se acomodará.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Os que estavam em silêncio agora cochicham. Os que tagarelavam ansiosos, agora redobraram a atenção numa quietude fascinada. O símbolo máximo, padrasto da psicanálise - pois alguns reivindicam a paternidade da invenção freudiana ao mestre francês - inicia um discurso triunfante. Boquiabertos com tais eloquentes palavras, siderados por sua divina figura, a platéia se reduz a testemunhas cegas, surdas e mudas, presenciando a onisciência daquele homem sedutor. Sua gravata borboleta quase girava como um catavento em contato com o pomo-de-Adão arrebitado.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Mal notamos o encerramento da palestra e o Lacan já havia se retirado, não aguardando os aplausos entusiasmados. Estávamos congelados em nossas cadeiras. Sofríamos da febre do seu saber - ou sabor, não sei. Quando conseguimos abrir os olhos, após a desintoxicação do venenoso encantamento, deparamo-nos com sua ausência. Apenas um leve odor de desodorante passado ainda se demorava no auditório. Ninguém abandonou seu lugar. Nos entreolhamos atônitos, aguardando que Lacan retornasse ou que um abnegado mestre de cerimônias declarasse o fim evento. Mas não. Deveríamos encarar a dura realidade. Lacan havia ido embora. Sua saída era inegável. Talvez ele tivesse se despedido, mas não ouvíamos o homem, apenas o mito.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;O primeiro se levantou, recolheu seu material de anotações e se debandou. Num típico efeito dominó, todos repetiram o gesto e se retiraram. Eu fui um dos últimos a sair. Com os que sobraram, lamentando não terem apertado as mãos do mestre francês, combinamos de montarmos um acampamento na saída da universidade para que tivéssemos a oportunidade de trocarmos algumas palavrinhas - mesmo que apenas o tão sonhado aperto de mão. Pedir autógrafo seria exagerado. Afinal, não se tratava de uma celebridade efêmera, que nasce e morre nos realitys shows. Era Lacan, um pensador. Ele talvez ficasse incomodado com a tietagem.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Uma preciosa informação nos foi bondosamente cedida: Lacan estava conversando com alguns professores na sala do mestrado. Sabíamos que em breve ele passaria por onde iríamos nos instalar. Rapidamente pegamos algumas cadeiras emprestadas e nos deslocamos para o local aonde esperaríamos sua gloriosa passagem de despedida. Como fazia muito frio e a noite já caíra, um dos nossos colegas ficou encarregado de comprar um cobertor com o qual nos abrigássemos dos ventos cortantes. Ele chegou com uns panos robustos que pareciam qualquer coisa, menos cobertores. Eram feitos de tecidos grossos, meio rasgados, barbantes e espumas prensados como se fossem restos colados de alguma lixeira de alfaiates e costureiras. Ele disse que não havia outro e que popularmente se chamava "cobertor peleja", fama que conquistou por enrolar uma parte do corpo e desenrolar a outra - ao tentar cobrir uma parte, descobre-se a outra e vice versa. Sem alternativa, nos contentamos com o que tínhamos. Tudo era tolerável, mesmo a maior precariedade, para cumprimentarmos nosso mestre querido.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Escolhemos o cantinho menos esburacado e úmido para, enfim,  nos aconchegarmos. Tentamos nos posicionar atrás de uma larga pilastra, mas não queríamos que nossa visibilidade fosse prejudicada. Não poderíamos perder nenhum detalhe da movimentação dos transeuntes para que nosso ilustríssimo não escapasse facilmente da contínua vigilância. Então, ficamos expostos ao frio castigante. Nos embrulhamos com os cobertores metidos à besta e ficamos lá, paradinhos, só esperando. Não movíamos nenhum músculo sequer. O tempo passou. Passou. Menos Lacan. Ele não passava. Estranhávamos sua falta. Onde estaria? Não sabíamos. Só sabíamos que ele ainda não havia saído da universidade, senão o veríamos. Mas nada. Nem sinal dele.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Nesse meio tempo, uma jovem de feições suaves e desembaraçadas, veio ao meio encontro. Num gesto espontâneo, como se me conhecesse, agachou-se diante de mim, deu um sorriso matreiro e beliscou meu queixo com o polegar e o dedo indicador em formato de pinça. Fiquei intrigado com aquela reação. Quem era ela? Não fazia a menor ideia. Olhei para os meus colegas para receber um sinal de cumplicidade com minha inquietação. Mas eles pareciam que dormiam. Observei-os novamente. Não dormiam. Seus olhos estavam abertos, mas eram olhos de peixes mortos. Passei a mão repetidas vezes para cima e para baixo em frente às suas vistas. Nenhuma reação. Eles não tinham olhos para mais nada além da expectativa da passagem do grande ídolo. Mas o mártir Lacan não aparecia. Desejei ardentemente seguir aquela misteriosa mulher. Acho que era o que ela queria - que eu a seguisse. Estava interessada em mim. Ela me queria por perto. Olhei mais uma vez para meus colegas. Nada. Estava envergonhado. Não queria que eles soubessem que eu desviava minha atenção para outros fins - menos sublimes do que apertar a mão do mestre francês.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Titubeei. Titubeei mais um pouco. Mais ainda... E... Fui. Tentei me comunicar, explicar que não estava abandonando-os, que eu retornaria para os acompanhar naquela espera bem-aventurada, cheia de boas intenções. Eles não me ouviam, ou simplesmente meneavam as cabeças apenas afirmativamente, revelando menos assentimento do que total ignorância. Eles me ignoravam. Queria que eles soubessem que eu desejava mais do que ninguém me encontrar com Lacan. Não suportava a ideia de ser um filho desgarrado. Não suportava ser tido como um desinteressado. Precisava demonstrar interesses nobres e não me deixar fisgar por futilidades. Mas espere um pouco! Qual a fronteira da nobreza com a futilidade? Talvez seus valores estejam invertidos. Esperar Lacan enrolado em cobertores pestilentos, ao relento, à porta da universidade, com a gélida noite cada vez mais avançada, era um gesto de nobreza? Será? Encontrar-me com a bela moça, aquecer-me em seus braços, deitar-me em seus calorosos seios, era fútil? Será?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Levantei-me sem olhar para trás. Só ouvi uns murmúrios esparsos - vindos talvez dos mortos-vivos que permaneciam enrolados em suas cadeiras cativas. Procurei pela bela mulher que me esperava. Eu a encontrei no alto de uma escadaria, após cruzar a longa via universitária, em sentido oposto, pela qual as pessoas ganhavam a rua. Eu a cumprimentei formalmente. Ela rompeu o meu embaraço, amassou a formalidade, abraçou-me e me beijou longamente. Ficamos assim por mais algum tempo. Abraçados, descemos as escadas. Seguimos o fluxo das pessoas que saíam da universidade. Já quase na rua, ainda abraçados, instintivamente eu olhei para o lado e notei que passávamos em frente aos sôfregos homens acampados. Eles mantinham a mesma posição. Continuavam sem mover nenhum músculo. Tive medo que eles me endereçassem um olhar de reprovação. Mas isso quase já não mais me interessava. Eles se tornaram minha platéia.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;Eles me viam sair abraçado com uma mulher ao invés do adorado Lacan. Aqueles homens sujos, maltrapilhos, já quase fedorentos, sentindo frio, enrolados em cobertores mal-acabados. Eles todos lá, reunidos, vendo-me passar. Eram testemunhas da noite de sexo que me aguardava. Eles não sabiam, mas Lacan já havia morrido. Esperavam um homem morto. No ano seguinte à sua morte, eu nasci.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; "&gt;&lt;b&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-866331448152822073?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/866331448152822073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=866331448152822073' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/866331448152822073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/866331448152822073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/07/apenas-um-sonho.html' title='Apenas Um Sonho.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ypsFfyRRBiw/ThZpCaS3vwI/AAAAAAAAAPY/KKXfkOtJRhI/s72-c/selfport.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-7932090138233914307</id><published>2011-07-05T20:29:00.000-07:00</published><updated>2011-07-05T20:37:57.856-07:00</updated><title type='text'>Contando Estórias (Livro)</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-W8Zga32dzZg/ThPWpaoXZwI/AAAAAAAAAPI/0Pwp-_nS4N8/s200/Minha%2Bcapa%2BMEU%2BLIVRO.JPG" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 141px; height: 200px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5626076366527489794" /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://clubedeautores.com.br/book/36753--Contando_Estorias"&gt;http://clubedeautores.com.br/book/36753--Contando_Estorias&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; Meu livro foi republicado hoje. Versão ampliada e revisada, com mais de 40 contos de minha autoria. A capa está belíssima! O quadro que ilustra a capa foi pintado pela artista plástica Neide (minha mãe). Após as modificações editoriais, o título, que era "Os Sonhos Despertos: Estórias Contadas pelo Inconsciente", foi substituído pelo nome "Contando Estórias: Escrevendo nas Travessias do Inconsciente". Esse "rebatismo" é para fazer alusão a este blog no qual publico a maioria dos meus textos.&lt;div&gt;   Convido os leitores a visitarem o site em que a nova edição do meu livro &lt;/div&gt;&lt;div&gt;está à venda:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://clubedeautores.com.br/book/36753--Contando_Estorias"&gt;http://clubedeautores.com.br/book/36753--Contando_Estorias&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Espero que apreciem!!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-7932090138233914307?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/7932090138233914307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=7932090138233914307' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/7932090138233914307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/7932090138233914307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/07/contando-estorias-livro.html' title='Contando Estórias (Livro)'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-W8Zga32dzZg/ThPWpaoXZwI/AAAAAAAAAPI/0Pwp-_nS4N8/s72-c/Minha%2Bcapa%2BMEU%2BLIVRO.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-3823686960327582350</id><published>2011-06-27T08:47:00.000-07:00</published><updated>2011-06-27T14:56:40.042-07:00</updated><title type='text'>Jornal Cravo e Canela: Contos | Crônicas</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-glXXoflA5AA/TginY-LfRvI/AAAAAAAAAO0/_NBqKBGeCeI/s1600/cinnamon.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-glXXoflA5AA/TginY-LfRvI/AAAAAAAAAO0/_NBqKBGeCeI/s200/cinnamon.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5622928182221948658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.jornalcravoecanela.com/p/contos-cronicas.html?spref=bl"&gt;Jornal Cravo e Canela: Contos | Crônicas&lt;/a&gt;:&lt;div&gt; "Os Temperos de Dolores  Conto escrito por:  Alex Azevedo Dias. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Este conto inaugura minha coluna no Jornal Cravo e Canela. Escrevi em homenagem aos temperos da Bahia de todos os santos!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-weight: 800; text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;Dolores não tinha atributos físicos que invejassem as outras mulheres e as transformassem em suas rivais. Mesmo feia de doer, levava uma vida cheia de amores. Seu tempero inebriava os paladares e olfatos mais exigentes. Não havia um homem que resistisse aos encantos culinários de Dolores. Feitiçaria que não se valia da voz - como as belas sereias responsáveis pela ruína dos embasbacados navegadores -, mas sim das boas mãos que espalhavam os aromas sedutores aos quatro cantos da fraqueza masculina. De queixos caídos pela fragrância exalada daquelas curvas morenas, os homens pronunciavam as letras do seu nome como se entoassem notas musicais, estalando a língua no céu da boca cada vez que se entregavam à degustação prazerosa das carnudas sílabas: Do-Lo-Res.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span style="color:black;mso-bidi-font-weight:bold"&gt;Certa vez, debulhando espigas de milho para preparar sua deliciosa pamonha na folha de bananeira e ralando coco para a canjica e para a moqueca de camarão, ela recebeu um verdadeiro chamado dos deuses. Sentiu uma estranha presença ao seu lado. Procurou por todos os lados com a ânsia de quem não via a hora de pegar o abusado em flagrante - pois Dolores acreditou que algum rapaz intrometido a espiava escondido. Ela se levantou e explorou todos os cantos à procura do suposto engraçadinho que a observava, mas não foi bem sucedida. Quando já estava dando sua busca por encerrada - voltando a se concentrar na receita das guloseimas -, pressentiu novamente que alguém a endereçava um desejante olhar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span style="color:black;mso-bidi-font-weight:bold"&gt;Por uma inexplicável intuição, virou levemente o pescoço para o lado esquerdo e deixou seu corpo inclinar para frente até que o banquinho que estava atrás da mesa da cozinha se tornasse visível. Lá de cima uma garrafinha de dendê a fitava sem um pingo de timidez. Não era gente. Era só o dendê que acompanhava todos os seus movimentos, quietinho, lá de trás da mesa. Dolores se lembrou que sem esse ingrediente não existiria nenhuma moqueca. Era o dendê que dava o sabor especial à maioria dos seus pratos. Antes de finalizar suas gostosuras, deixava escorrer fios generosos do azeite para dar o toque apetitoso e requintado ao manjar que fisgava os peixões de pequeno, médio e grande porte - os homens dos casebres das redondezas -, mesmo os casados, os que estavam noivos e até os comprometidos com Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span style="color:black;mso-bidi-font-weight:bold"&gt;Sem hesitar, pegou o frasco contendo o dendê, besuntou as palmas das mãos, esfregando-as uma na outra exatamente do mesmo jeito que se unta um tabuleiro com manteiga para levá-lo ao forno. Ao erguer os braços para melhor espalhar o óleo nas mãos, o líquido viscoso com aroma inigualável escorreu pelos cotovelos e ombros, pingando nos volumosos seios que rapidamente se enrijeceram em contato com as propriedades eróticas daquela gordura, despertando os mais recônditos apetites. Dolores, ainda com os braços para cima, posicionou-os em direção à boca e, abrindo-a, deixou que algumas gotinhas do dendê caíssem sobre a língua - que serviria como passagem até a garganta e as cordas vocais, lubrificando-as.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span style="color:black;mso-bidi-font-weight:bold"&gt;Extasiada pelo efeito afrodisíaco da gordura em seu corpo, cantarolou de olhos fechados uma musiquinha folclórica que só era cantada pelas mulheres virgens na véspera de serem defloradas por seus potentes machos na alcova de amores. Não satisfeita - querendo mais e mais -, Dolores se serviu de maiores quantidades do dendê e lambuzou toda a extensão das pernas delineadas e incandescentes que brilhavam condimentadas pelo toque da paixão. Com os pêlos eriçados, as coxas roliças e pulsantes, a pele esticada e delirante, um calafrio de orgasmo percorreu-lhe a espinha. Após massagear as coxas com sensualidade, Dolores repetiu o ritual exótico, dedilhando suavemente a panturrilha e a canela. Ao besuntar essa parte da perna, lembrou-se imediatamente da especiaria aromática da casca interna de um caule especial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span style="color:black;mso-bidi-font-weight:bold"&gt;Dolores se levantou em estado de transe e se dirigiu ao pequeno armário em que guardava seus potinhos de condimentos. Abriu um deles e separou um punhado de cravos-da-índia. Pegou dois pauzinhos de canela e um ralador para raspar as especiarias. Numa panela, Dolores despejou um pacote de açúcar e deixou no fogo baixo até engrossar, formando uma calda espessa. Em outra panela, ferveu o cravo e a canela. Espremeu alguns limões frescos e esperou o caldo esfriar para logo depois coá-lo e misturar tudo com a cachaça mais pura que tinha reservada em sua adega. O licor maravilhoso com a essência do cravo e da canela, encorpado, com textura cremosa, deixou escapar um perfume tão hipnótico, uma combinação tão irresistível, que seria impossível não provocar a chama da volúpia até nos mais beatos que fizeram voto de castidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span style="color:black;mso-bidi-font-weight:bold"&gt;Nenhuma gota do licor foi ingerida por Dolores. Ela simplesmente derramou no corpo do mesmo modo que fez com o dendê. Após se entregar à massagem de cada dobra vulcânica do seu tronco e membros, a excitação cedeu lugar à sensação de relaxamento. Um torpor dominou-a por inteiro até adormecê-la completamente. Seu corpo desfalecido desabou na frieza do azulejo branco da cozinha. Uma fumaça colorida, exalando odores arrepiantes e avassaladores, sobrevoou Dolores como a alma gêmea que se sacrifica à procura da metade que sempre falta. Um suor melífluo começou a germinar dos seus poros, misturou-se às essências oleosas e alcoólicas das penugens em sua pele. Como as fermentações da garapa da cana-de-açúcar, os líquidos corporais de uma Dolores inconsciente, imóvel, adormecida, evaporaram-se gradativamente, diluindo seu corpo que já se confundia com o dendê, o cravo e a canela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span style="color:black;mso-bidi-font-weight:bold"&gt;Dolores se fluidificou, virando uma essência tão volátil que rapidamente se perdeu no fluxo dos ventos. Já reduzida a vapores e gases, a densa nuvem de especiarias aderiu ao teto da cabana na qual Dolores residia. Condensou-se e se transformou num líquido espesso que ficou depositado no teto, formando um grude, uma goma irremovível por todos os lados daquela cozinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span style="color:black;mso-bidi-font-weight:bold"&gt;O paladar do povo da cidadezinha ficou órfão com o sumiço daquela mulher feia, mas que irradiava o tempero do desejo. Ninguém soube o seu paradeiro. No início, antes que tomassem a atitude de entrar à força na casa de Dolores - pois o portão que estava trancado com pesada tramela teve que ser arrombado - a alegria da cidade sofreu uma queda tão radical que o povo degenerou e definhou. O cheiro e o sabor dos temperos de Dolores, que contagiavam a libido de todos, de repente cessou por completo, causando irremediável tristeza na população local.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span style="color:black;mso-bidi-font-weight:bold"&gt;O povo triste e agressivo, afetado pela ausência dos ingredientes balsâmicos, desesperado pela falta daquela mulher feia, já considerada uma santa milagreira, derrubou o maciço portão da casa de Dolores com um grosso tronco de árvore. Ao entrarem violentamente na casa, bufando e com olhos arregalados, interromperam os passos estupefatos. Eles não a encontraram, apenas uma fina e transparente camada nebulosa fora sentida. Intensa e irresistível vontade de dançar tomou a todos. Quando balançaram os braços tateando o vazio, perceberam que havia uma capa gordurosa aderida à tez daqueles homens aflitos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span style="color: black; "&gt;Como as nuvens negras carregadas de chuva, aquela fumaça - formada por uma Dolores desmaterializada - começou a gotejar nas rudes faces masculinas. Desde as primeiras gotículas, os duros semblantes desanuviaram. O álcool e o óleo que recuperaram o original estado líquido soltaram-se do telhado daquela cozinha e acariciaram o olfato e as papilas gustativas dos homens inebriados. As águas de Dolores, com seus sensuais aromas de cravo e canela, penetraram por todos os poros masculinos, transmitindo nuances de sabores cítricos, salgados e adocicados. Numa selvagem alacridade, seduzidos e derretidos pela culinária da sereia desencarnada, sem a menor consciência de seus atos, os homens se devoraram em absoluto estado de euforia. A total satisfação, gozo verdadeiro de uma existência, culminou com a morte e a extinção dos sentidos numa plenitude de vigor e alegria - autêntico banquete para o pecado da gula.&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: 800;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: 800;"&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;u1:p&gt;&lt;/u1:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify; "&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;span style="color:black"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-3823686960327582350?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/3823686960327582350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=3823686960327582350' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/3823686960327582350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/3823686960327582350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/06/jornal-cravo-e-canela-contos-cronicas.html' title='Jornal Cravo e Canela: Contos | Crônicas'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-glXXoflA5AA/TginY-LfRvI/AAAAAAAAAO0/_NBqKBGeCeI/s72-c/cinnamon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-1327336682719989776</id><published>2011-06-22T18:37:00.000-07:00</published><updated>2011-06-24T17:58:28.115-07:00</updated><title type='text'>"Crítica" de um dos meus contos.</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(42, 42, 42); font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 17px; "&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(42, 42, 42); font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 17px; "&gt;      Recebi uma "crítica" de um tal de Guilherme-não-sei-o-que, do Digestivo Cultural, sobre um dos meus contos - o primeiro do blog - que inclusive ele não deve ter lido. Mas o conteúdo ofensivo e gratuito me fez declinar a respeito do meio no qual almejo circular: o dos escritores. Não que meus contos sejam indubitáveis quanto à qualidade literária, não entro nesse mérito, mas ofensas que beiram o escatológico e o esdrúxulo, são&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(42, 42, 42); font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 17px; "&gt; de arrepiar. Havia transcrito o conteúdo da ignóbil crítica, mas por respeito aos meus leitores, pouparei-os dos detalhes sórdidos. Resolvi excluir o teor da "crítica". Caso alguém tenha curiosidade, solicite-me que eu enviarei para esclarecimentos. Mas deixo apenas minha indignação registrada como lamento e manifesto.&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 17px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 17px;"&gt;  P.S. Continuo escrevendo contos, mas - pelo menos por enquanto - não os publicarei neste blog. Espero compreensão dos que me acompanham.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(42, 42, 42); font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; line-height: 17px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(42, 42, 42); font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; line-height: 17px; "&gt;                                                                    Abraços cordiais, Alex.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(42, 42, 42); font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; line-height: 17px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(42, 42, 42); font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; line-height: 17px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(42, 42, 42); font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; line-height: 17px; "&gt;Uma pequena estória de breve despedida:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(42, 42, 42); font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; line-height: 17px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(42, 42, 42); font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; line-height: 17px; "&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;Amor Manchado&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(42, 42, 42); font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; line-height: 17px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 16px; "&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;Ela colecionava desilusões desde seus 16 anos, quando seu primeiro amor a deixara. Passou a odiar a figura masculina. Reduzida às sombras dos maus-tratos dos homens, destinava ao retrato do pai - morto quando ainda nem completara 9 anos - uma série de impropérios que mais machucava a si do que hostilizava o falecido.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;Um ano depois um novo amor surgiu, afagando suas amarguras e renovando as esperanças. Mas contrariando suas crenças, a repetição manteve-se fiel à tragédia e em menos de um ano ele partiu. Revoltada, repetiu as ofensas à imagem do pai - símbolo da irredutível condição de desgraça - partindo o porta-retrato em milhares de caquinhos.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;A fotografia do velho homem não suportou o impacto e, já aderida ao vidro, espatifou juntamente com os cacos. Triste por mais essa perda, e agora sem a figura do pai para contemplar e reverenciar todas as noites antes de dormir, foi consolada por um colega de classe que, notando sua angústia, aproximou-se. A partir daí, entrou num terceiro romance.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;Com a progressiva falta de memória do pai morto, desmanchando em seus olhos, ao ser pedida em casamento, aceitou relutante. Casaram-se. As feições do pai se perdiam enquanto os traços do amor se condensavam e a possuíam. O rosto do amado estava nítido. Nunca mais o amor se desmanchou. A mácula de Eros penetrou com solidez. Novamente o pai a abandonou - dessa vez levou a mancha consigo.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font-size: 11px; line-height: 1.5em; "&gt;ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(42, 42, 42); font-family: Tahoma, Verdana, Arial, sans-serif; font-size: 13px; line-height: 17px; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-1327336682719989776?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/1327336682719989776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=1327336682719989776' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/1327336682719989776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/1327336682719989776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/06/critica-de-um-dos-meus-contos.html' title='&quot;Crítica&quot; de um dos meus contos.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-5497418964146540811</id><published>2011-06-01T09:16:00.000-07:00</published><updated>2011-06-28T15:03:44.678-07:00</updated><title type='text'>Duas Almas.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-AGA2rYBkSck/TeZl6I95PBI/AAAAAAAAAOo/VocnBtufjW0/s200/Maria%2BFuma%25C3%25A7a.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 163px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5613286035077807122" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Solitário em um vagão de trem, seus pensamentos se embaralhavam no mesmo ritmo desavergonhado e frenético que chocalhava a locomotiva no trilho irregular. Subiu com o trem já em movimento, clandestinamente, como se seu ato refletisse e exorcizasse a violência de sua orfandade. Há anos vivia em absoluto anonimato. Arrastava-se de um lado para o outro nas vias públicas, mas um estranho manto que cobria seu corpo o deixava completamente invisível na multidão. A não ser os seus olhos - dois rasgões acesos como faróis, emoldurando a obscura face. Quando seu isolamento muito o afligia, questionava-se a respeito de sua alma. Será que não a possuía? Ou era uma película tão fina e transparente - já meio puída e desgastada - que se tornava imperceptível para o véu carnal dos olhos alheios?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A estrutura do trem era de aparência antiga, estilo Maria-Fumaça, da época da revolução industrial. No vagão, Francis estava recostado em um dos grandes sacos atulhados de minério de ferro e carvão, provavelmente sendo transportados a serviço de alguma usina siderúrgica. As sucessivas paisagens, quadro a quadro, visualizadas pela janelinha retangular do vagão de carga, de tão repetitivas, exerciam um domínio hipnótico naquele clandestino viajante. Ele resistia para não adormecer, pois acreditava que mantendo os olhos bem abertos não perderia a direção do trajeto - mesmo já sabendo que há tempos não conseguia mais identificar o lugar em que estava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Além do barulho do trem se deslocando sobre os trilhos - um bailado de faíscas soltas pelo deslizar da máquina em contato com o carril de metal -, Francis não ouvia o exterior que se insinuava levemente como bucólicas imagens borradas através do vidro sujo de sua janela. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Pela primeira vez sentiu falta do burburinho das ruas da cidade. Imerso na multidão, desaparecia. Mas ainda assim a ouvia. No vagão, até seus pensamentos começaram a silenciar. Um assovio baixinho era o som que sua enovelada memória exalava como aroma de cansaço. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Quando suas pálpebras começaram a pesar e os sonhos tremulando como um filme projetado na queda d’água, Francis estranhamente pressentiu que sua companhia não se limitava às tórridas e bruxuleantes imagens de sua intimidade tagarela. Dos sacos de estopa vazios ao seu lado, Francis se viu refletido em dois olhinhos reluzentes como botões polidos de cristal que, arregalados, miravam-no fixamente. Por um instante uma associação se impôs a Francis, dominado por refrescante ternura: Aqueles olhinhos faziam lembrar esmeraldas em pó, fininhas, polvilhadas na úmida relva vespertina.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Era uma menina de uns cinco anos apenas que talvez estivesse dormindo durante todo aquele tempo, aninhada no rústico tecido que mais parecia a língua áspera dos corpulentos, carinhosos e maternais felinos selvagens. Ambos permaneceram se encarando por um curto período, mas que deixava a sensação de horas pela surpresa causada por tal inusitado encontro. Um balbucio surdo e contido fora ouvido pela sensibilidade não-verbal de Francis. Atônita, mas sem perdê-lo de vista, ela ameaçou recuar. Deu alguns passos sufocados para trás, afastando-se daquele homem alto e esfarrapado, que na cabecinha infantil deveria ser semelhante a um alienígena. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Francis, perplexo por esse acontecimento, iludia-se pela falsa realidade de estar sozinho ao longo de toda a trajetória do trem. Aquela sombra itinerante o seguia curiosa com faceiro e sonolento olhar. Contrariado pela enganadora percepção de isolamento -, pois em nenhum momento chegou perto de renunciar a companhia solitária e viajante daquele semblante infantil - embora não se conscientizasse de sua inequívoca condição gregária, ainda encontrou forças para abordar a pequenina garota sobre o motivo de se esconder num vagão tão perigoso para alguém daquela idade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Ei! O que uma garotinha como você faz aqui?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Sem obter respostas, Francis prosseguiu em seu intento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Onde estão os seus pais? Você tem que voltar para casa!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Com seus olhos fixos, a menina não mexia nenhum músculo além de andar para trás quando Francis, gesticulando, tentava se aproximar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Para onde você está indo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Neste instante, com os olhos inchados e marejados, escapuliu da menina um apelo embargado: - Quero meu pai! &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Francis se comoveu com a lamúria da criança - talvez por se identificar com sua própria condição de desamparado andarilho. Menos por solidariedade com a dor infantil do que por sentir que o choro de indefesa criança espelhava o apelo abandonado de um adulto órfão do mundo, Francis agachou-se para nivelar sua altura com a baixa estatura da menina e murmurou palavras reconfortantes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Sinta-se segura comigo. Acredito que nossos caminhos se cruzaram por obra de alguma força maior. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Quando Francis se levantou, a garota se agarrou à perna dele em silêncio, apertando seu rosto contra o joelho do seu companheiro de viagem. Francis foi absorvido por uma atmosfera de encantamento e se demorou numa ausência de reação, envolvido apenas pela cumplicidade muda daquele abraço. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Vou até meu pai! - Disse a menina com os lábios semicerrados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Onde seu pai está?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Trabalhando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- É longe de sua casa?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Sim, é em outra cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- E sua mãe? Ela está com você.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Não, está em casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Ela sabe que você está aqui?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Não, eu fugi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Meu Deus! Você é muito pequena, como pode ter fugido?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Sinto falta do papai. Eu sempre fujo. O trem passa em frente a minha casa. Papai pega esse trem. Ele passa muito tempo no trabalho. É muito distante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Francis coçou a cabeça, não por desconfiança, mas por compreender a enrascada em que se meteu. Ele percebeu que também era um fugitivo, mas não estava procurando seu pai. Ele insistia numa fuga impossível de si mesmo. Não aturava a visão cotidiana do vai e vem das medíocres famílias burguesas de sua cidade. Era insuportável se confrontar com o reflexo de sua deformada imagem em cada miserável cidadão e suas rotinas sem sentido apenas para sustentarem suas vidinhas desprezíveis. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Talvez fosse exatamente por se sentir abortado de sua própria pátria que ele tanto se identificava com a desesperada busca da garotinha por seu pai. Como seu desamparo poderia aconchegar a menininha agarrada à sua perna? Mas ela estava lá, ajeitando-se na calça desfiada de Francis. Nesse exato instante, ele pôde perfeitamente captar o inaudível entrosamento que se dava entre as duas figuras com histórias tão diferentes, mas com destino em comum - de trágica afinidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Sabiam que o sublime sentimento de ternura os unia. Eles eram cúmplices e fugitivos. Estavam ligados por um exílio que se apresentava feroz. A falta paterna mobilizava a menina em sua insólita aventura. Já a falta de pátria, condenando Francis ao êxodo da alma, impelia-o à sua vocação para construir redundantes rotas de fuga de si mesmo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;No encontro furtivo com a meiguice infantil, pela primeira vez realizou o que seria impossível: Abandonou-se. Francis completou finalmente sua tão almejada fuga de si, pois se dirigindo fraternalmente àquela criança que não estava simplesmente perdida - sabendo muito bem para onde ia -, ele reforçou o contorno de uma essência da qual esteve privado. O viajante - sombra de uma alma inexistente - passou a ser através dos olhos verdadeiros olhos de uma menina que amava seu pai. Francis não era nada além do que aqueles olhos infantis - símbolos perenes e afetuosos há muito tempo abafados e reprimidos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Não tinha mais volta. O trem seguia seu destino. Uma lágrima cansada de se esconder deslizou tímida pelo rosto aquecido de um Francis preenchido pela emoção da menina carente. E eles, abraçados, seguiram viagem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-5497418964146540811?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/5497418964146540811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=5497418964146540811' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5497418964146540811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5497418964146540811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/06/duas-almas.html' title='Duas Almas.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-AGA2rYBkSck/TeZl6I95PBI/AAAAAAAAAOo/VocnBtufjW0/s72-c/Maria%2BFuma%25C3%25A7a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-7044403625115914663</id><published>2011-05-29T20:25:00.000-07:00</published><updated>2011-06-22T21:37:30.463-07:00</updated><title type='text'>Na Sacada.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-Dftq3J33kH0/TeMOKQMzf3I/AAAAAAAAAOg/SPOTCkDqi8A/s200/mulher%2Bmar.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 156px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612345129943924594" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Da sacada do quarto em que estou hospedado, respiro o temperado aroma do mar. Nela eu escrevo. Alguns pinguinhos errantes, órfãos de chuva passageira, colorem o frio da manhã com sabor de orvalho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ainda tímido, o sol lança seus primeiros raios em direção à natureza adormecida, envolvendo-a num maternal abraço.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Com famintas risadas, gaivotas, fragatas e mergulhões serpenteiam seus corpos lânguidos num alvoroçado bailado de plumas. Seus voos rasantes e circulares indicam a presença de traineiras ancoradas no cais do porto, oferecendo, além do banquete de peixes frescos, um deleite visual. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Aos pés da cruz cravada na areia fofa - símbolo material e histórico de uma missa rezada por jesuítas - um cachorro ladra para o alto do monumento, talvez tentando afugentar algum pássaro insubmisso à catequese, ou reverenciando o passado remoto que se condensa na paisagem que meus sentidos captam. Ao redor desta cruz inaugurada em homenagem à chegada da coroa portuguesa, vários pratos de cerâmica, como se fossem caldeirões de bruxas, de ritos africanos, traduzem a mistura de credos tão estranha e fascinante que adorna o complexo povo brasileiro. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O aspecto lúgubre dos móveis e objetos decorativos da suíte em que estou, na penumbra, contrasta com o adocicado verde-claro da virgindade de folhas beijadas por ventos preguiçosos e brincalhões. Franzidas em feixes de suspiro, as ondas tocam minhas mãos com um som fininho - estribilho assoviado. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Ao fundo, uma cordilheira azulada repousa no sombreado projetado por cinzentas nuvens. Vagarosamente o céu se rompe e cumprimenta o bordado montanhoso de nuanças esverdeadas. &lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Com as bochechas rosadas por pequeninas florescências ornamentais, a saliente vegetação típica daquele litoral afunila nas laterais do cais como longas costeletas mal-aparadas pela navalha do barbeiro.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Obedientes ao regime do tempo, as densas nuvens carregadas de chuva emagrecem, afinam, coroando o cenário costeiro com rabiscos vibrantes. O sabor de maresia dos velhos barcos esquecidos na orla dissemina pigmentos amarelecidos sob as unhas dos dedos que apertam visceralmente a caneta com a qual agora escrevo. Numa ilha não tão distante, o arvoredo solitário esvoaça sua volumosa cabeleira distribuída por sinuosos e desalinhados galhos de um imponente tronco. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Imerso na confluência de sensações que brotam do exterior que contemplo - não de fora, mas integrado no meu íntimo - observo que na casa ao lado, roupas íntimas balançam estendidas no varal. Tal visão denota que não estou só, mergulhado num teatro introspectivo. Aquelas peças desavergonhadas da intimidade feminina acenam para mim, sacudidas pelo sopro leve de trás dos montes - anunciam a existência rebelde que entra em sintonia com afetos cortantes, libidinosos e alcoviteiros. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Espicho o pescoço sobre meu ombro esquerdo para melhor visualizar as particularidades alheias e me deparo, não sem surpresa, com uma jovem mulher deitada de bruços sobre uma esteira de palha. Procuro reprimir meu turbulento olhar, temendo que ela me flagrasse em ato delituoso - invadindo seu espaço privativo -, mas os contornos proeminentes da moça impediam que me desviasse desse enquadre visual. Apesar de ser um dia deslumbrante e inspirador, o clima está frio, com ventos capazes de arrepiar dos pelos da nuca até a espinha dorsal. O que faz então uma pessoa seminua - em trajes de banho - deitada com tal exposição ao relento, no terraço descoberto de sua casa?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Independente de minhas desconfianças e resistências, ela continua lá, insinuando-se ao mar. Bronzeia-se com um sol que de tão inibido, acima das emaranhadas e desajeitadas nuvens, belisca pedrinhas de gelo açucaradas que se dissolvem em contato com as flácidas línguas das palavras soltas no ar. Dizem que o sal levado dos oceanos à margem das praias queima mais do que o intenso calor dos dias quentes de verão. Mas também resseca e deixa a pele quebradiça, desidratada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Essa moça vai pegar um resfriado rapidamente se ela não se cuidar! Mas o que estou dizendo? Não desejo que ela saia. A exuberância silvestre se decomporia caso ela ouvisse tal estúpida sentença e resolvesse segui-la cegamente. Ela não faria isso! É muito maior do que a significante pequenez de minha consciência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O apetite insano do meu olhar já se rendeu à escravidão das curvas, reentrâncias nauseadas e desfiles de texturas daquele corpo pulsante e magistral. A natureza que até então detinha a exclusividade do meu desejo ocioso, agora divide terreno com a visão da exótica miragem feminina. Ela não se exibia como um desatento comentário pudesse sugerir. Seus espontâneos gestos, dobrando os joelhos para alçar seus pezinhos em movimentos aleatórios, alternam-se com suaves mexidas dos dedinhos. Essa graciosidade revela que a silhueta da paradisíaca topografia - suas bordas irregulares, informais e curvilíneas - toca o marinho celeste, coincidindo com toda a formosura da moça. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Descobri que minha atenção não cedeu lugar à paisagem humana. Não há diferença entre aquela mulher e a natureza contemplada. Ela também não é apenas uma parte complementar, como o reflexo da luz sobre o espelho d’água. Ela vai além do limite racional, pois sintetiza todo o fenômeno natural que viceja por letras trêmulas e dançantes: O bocejo matinal do astro rei; A saudação das gaivotas aos primeiros barcos de pescadores tiritando de frio após longa jornada de trabalho; O abraço encabulado da manhã ao estender o lençol quentinho na madrugada que chora; As piscadelas dorminhocas do relevo verdinho que responde às generosas carícias da linguagem dos ventos; O espirro repentino das teimosas nuvens molhando a varanda na qual escrevo. Bons presságios saltam em labaredas do corpo de mulher deitado de bruços. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Suas chamas ardem na garganta do meu afetado discurso. Mesmo sem jamais tê-la visto antes, desde o início, enquanto relatava extasiado o amanhecer, era apenas ela, tacitamente, que conduzia o deslizar da caneta sobre a aridez enevoada do papel. Transmitindo o amor em sonoro silêncio corporal, com a calmaria de marolas ninando as embarcações, ela dialogava com o mar inconsciente, influenciava minha percepção e hipnotizava minha mão numa eloquente psicografia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Acho que ela de alguma forma sentia minha ávida presença na ausência narrativa de meu fictício ser. Ainda tenho dúvidas de que ela existisse de verdade. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Em nenhum momento ela esbarrou seus felinos e inocentes olhos com o olhar licantropo deste falso cordeiro que aqui escreve. Apesar disso, acredito que cada minúsculo pelo eriçado e cada imperceptível poro dilatado daquela pele feminina, retumbava numa comunicação primitiva com meu corpo adotado pela experiência sensorial, mas carente de verbo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Agora que concluo esta história, alinhavado por agulhas sem novelo e carretel, a noite já caiu, cobrindo com denso véu, o cais que agora se ilumina com brilhantes lâmpadas incandescentes. Nem vestígios da moça. O lugar em que esteve deitada foi lambido pela indubitável escuridão. A esteira de palha também não mais se encontrava lá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Dizem que à noite todos os gatos são pardos, que ela é inequívoca e coisa e tal, mas acabo de ver um gato preto pilando o muro e cruzando meu caminho. Bem... Isso é outra história. Agora preciso dormir para aguardar um novo amanhecer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O céu está limpo, estrelado. Talvez não chova...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;CRÔNICA ESCRITA por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;P.S. &lt;/b&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;span style="font-size:8.5pt;font-family:Tahoma;color:#333333"&gt; Eu escrevi "Na Sacada" neste final de semana, durante uma manhã em que estive sentado numa sacada - varanda lateral - de um quarto de pousada em Arraial do Cabo. Pude sentir o mundo acontecer, não sem ser eu mesmo - e me aprofundar numa inusitada aparição externa que me despontou no íntimo o impulso literário. Essa sacada dava para a praia dos anjos na qual se localiza o cais. É lá que os pescadores - principal fonte de renda do município -, além da extração de sal, concentram-se, organizando o comércio local. Ao lado, a pracinha inaugurada em homenagem à chegada do navegador italiano Américo Vespúcio, a mando da coroa portuguesa. Em frente a essa praça, a igrejinha construída em 1503: Nossa Senhora dos Remédios. Na areia, em direção à praça, uma cruz de madeira em tamanho natural simboliza a primeira missa rezada em território cabista.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-7044403625115914663?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/7044403625115914663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=7044403625115914663' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/7044403625115914663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/7044403625115914663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/05/na-sacada.html' title='Na Sacada.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Dftq3J33kH0/TeMOKQMzf3I/AAAAAAAAAOg/SPOTCkDqi8A/s72-c/mulher%2Bmar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-2325127550575392299</id><published>2011-05-21T15:40:00.000-07:00</published><updated>2011-05-21T15:43:48.608-07:00</updated><title type='text'>Serenidade.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/-8VctwCSsB8c/Tdg_kBvCu9I/AAAAAAAAAMg/DfMqEQjDbLA/s200/PINTURA-A-PASTEL-SERENIDADE%255B1%255D.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5609303224063540178" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Sentada à beira de um rio, com os pés cruzados à altura dos tornozelos, Hana já havia trocado a exaltação pela calmaria. Sabia que não seria capaz de mudar aquele destino. No início protestou, blasfemou, foi à luta. Fez das tripas coração para interferir na violenta realidade que lhe aguardava de braços abertos. Mas apesar dos esforços não medidos, o resultado era inalterável, recebendo apenas a frustração como resposta pela paciente impotência de sua condição humana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Quando a notícia trágica lhe cumprimentou fugazmente, um sorriso incrédulo resplandeceu no semblante castigado. Pediu que repetisse a comunicação, na esperança que seus ouvidos tivessem lhe pregado uma peça. Mas a sentença fora proferida com todas as vírgulas e pontos em seus respectivos lugares - afastando qualquer possível equívoco que a negação da morte pudesse articular. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Seu sorriso inverteu. Murchou como botão de flor que não desabrocha. Uma súbita necessidade de gritar lhe alfinetou a garganta e acariciou as cordas vocais. Não reprimiria o sincero apelo de suas vísceras em estado de choque. As náuseas aos borbotões não respeitavam a lei da gravidade. Força desumana que lhe corroia o íntimo macerado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A inquietude de Hana logo adquiriu um aspecto brando e cristalino, ocupada pela serenidade que lhe invadia o espírito condoído. A mãe que morava sozinha em uma casinha no interior de sua cidade natal, logo surgiu em seus pensamentos. O marido e os filhos estavam se divertindo numa viagem de férias e Hana não queria ser a porta voz da desilusão. Ela não teve a licença de seu emprego para se integrar à família na viagem dos sonhos de seus filhos. Combinou com eles que ficaria em casa enquanto eles sairiam com o pai - afinal os momentos com o pai pouco duravam. Além disso, o dia agendado para buscar o resultado de alguns exames estava se aproximando. Há tempos, Hana sentia um mal-estar indescritível. Esteve se consultando com diversos especialistas, até chegar a um clínico que recomendou alguns exames. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Aproveitou o tempo em que passava só em casa e foi pegar o documento que lhe causaria irreversível estrago em seus projetos de vida. Questionou se o poder da descoberta não aceleraria sua partida deste mundo. Talvez, se não soubesse, seu corpo não reagiria com a tal volúpia destrutiva que lhe arrancaria as entranhas. Mas foi aí, com o recorrente desejo de visitar sua mãe que começou um incessante ritual. Deixou os seus pais para crescer na carreira de artista plástica na cidade grande. Em uma das inúmeras exposições de seus trabalhos em galerias de arte, conhecera seu marido, um curador responsável por organizar os eventos artísticos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A última vez que voltou ao vilarejo em que nascera foi para enterrar seu pai que morrera de ataque cardíaco durante a lida na lavoura. Há quase dez anos só conversava com a mãe por telefone, ainda assim quando combinavam para que ela fosse à rua e ficasse próxima a um telefone público, pois não tinha aparelho instalado em sua casa e não se adaptou com o uso de celulares. Às vezes também contava com os favores dos vizinhos, em caso de urgência, como a notícia da morte do pai de Hana. Sua mãe pediu que um vizinho de confiança desse o recado à sua filha, pois ela já estava fraca para encarar tal missão dolorosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Hana sempre insistia para que sua mãe fosse morar com sua família na cidade grande. Mas a velha mulher não suportava a hipótese de se separar de seus pertences rústicos. Jamais admitia a sofisticação das cidades grandes. A filha nunca conseguiu convencê-la de que morasse com ela, nem mesmo de que fosse visitá-la na capital paulista. A única vez que viu seus netos e pôde abraçá-los, foi no mesmo enterro do seu marido - ocasião tão difícil de enfrentar para ambas as mulheres, mãe e filha. Os filhos de Hana gostavam de conversar com a avó por telefone, mas se deslocar até um orelhão público já se tornara um sacrifício para alguém que a velhice já acenava à entrada de seus aposentos. A mãe de Hana foi nascida e criada na mesma casa no sertão da Paraíba, onde teve seus seis filhos, criou-os e os educou bravamente. Um filho morreu durante a juventude em aventuras insólitas pelo mundo afora, à procura de emprego e de diversão. Acabou se envolvendo com contrabandistas da região, contraiu dívidas e foi assassinado em acerto de contas. Três outros filhos se estabeleceram em lugares longínquos também no nordeste brasileiro - afastados do interior. Só um permaneceu na mesma casa, ajudando o pai a cuidar da lavoura até conhecer uma mulher que amarrou seu coração como um vaqueiro laçando o gado no pasto e o levou para Goiás - terra em que o pai da moça era proprietário de uma fazenda pecuarista. Hana, a única filha, nessa época já desenvolvia trabalhos plásticos muito valorizados na Paraíba. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Desde novinha, Hana demonstrava seu afinado talento. Juntava objetos aparentemente inúteis espalhados no quintal, montando belas esculturas, inclusive com sobras de madeira do fogão de lenha, parafusos e britas. Suas obras infantis eram apreciadas pelos vizinhos e enfeitavam a mesinha de cabeceira dos pais ou a humilde arca da salinha na qual a família se reunia para ouvir música no final da tarde. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Quando já estava adulta, um caçador de talentos que passava pela Paraíba, ouviu rumores sobre a riqueza poética dos trabalhos plásticos de uma mocinha do sertão. Foi até lá, comprovou o valor artístico de suas obras e a convidou para acompanhá-lo em sua viagem para São Paulo. Ele propôs matriculá-la numa escola de belas artes para lapidar suas virtudes manuais e visuais, prometendo um sustentável retorno financeiro. Como Hana já era adulta, coube somente a ela essa decisão. Mas o conflito por deixar seus pais sozinhos - era a única filha que ainda continuava ao lado deles - estremecera aquele corpo que também recebera belos retoques artísticos pela genética de seus genitores.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Mas, como era de se esperar, sua vocação vencera o medo da distância. No dia seguinte à proposta do caçador de talentos, Hana já arrumava suas malas com as modestas peças de roupa ocupando a menor parte do espaço. A maioria absoluta do espaço das malas fora ocupada por suas esculturas prediletas para apresentar à escola de belas artes. Dois dias depois, embarcou para São Paulo sem previsão de regresso. Despediu de sua mãe com lágrimas nos olhos e deu um abraço apertado e demorado em seu velho pai.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;(....)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Já com a morte jogando pedrinhas na janela do seu quarto de dormir, com a ideia fixa de visitar sua mãe e de repousar no colo da encantadora natureza na qual cresceu, Hana amadureceu seus planos para viajar de volta ao sertão paraibano. Sabia que não seria fácil tal empreitada. O problema não era o preço de uma passagem de ônibus ou de avião, afinal ganhava muito bem com suas exposições, mas a duração da viagem e a conversa que teria com seu marido e filhos, justificando seu desejo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Não é que ela devesse explicações à família, mas seu lugar de esposa e de mãe já deixava transparecer uma saudade antes mesmo de partir. De qualquer forma, precisa ter uma séria conversa com seu marido, transmitir-lhe a notícia de sua brevidade, e combinar com ele a melhor maneira de contar que sua partida não resumiria a uma simples viagem para outro estado do país. Ela não confiava na possibilidade de um filho assimilar a morte da mãe, muito menos na idade deles. Como superar essa partida. Como lidar com a perda? E a sua perda, em deixar seus filhos? Pensou em adiar essa conversa. Seus sentimentos eram comprimidos como o teto que desce e achata a cabeça dos prisioneiros nas câmaras de tortura que via nos filmes. Esperou o marido e os filhos voltarem de férias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;No meio de prantos e indignações, soluços e amarguras, Hana enxugou uma lágrima do rosto de seu marido que mais parecia um tristonho orvalho ao escorregar pela macia folha verde - como um choro baixinho - antes de secar e subir como vapor d’água para o sol da manhã.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;Resolveram que poupariam os filhos de maiores detalhes. Contaram apenas que Hana faria uma viagem longa para cuidar da vovó que já estava bem idosa e não poderia continuar sozinha. Precisava do auxílio de sua filha para o serviço doméstico e outros afazeres. Seus filhos protestaram um pouco pelo afastamento da mãe, mas rapidamente compreenderam a situação e se convenceram de que a mãe precisaria fazer tal viagem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Os filhos fizeram-na prometer que em breve ela voltaria. Esse pedido amoroso e carente dos filhos provocou alguns soluços que logo contiveram o choro doído para não causar sofrimento nos filhos. Hana reprimiu as lágrimas e as trocou por um leve sorriso. Os filhos visivelmente emocionados, mas alegres em ter sua mãe por perto, saltaram no pescoço de Hana e todos deram um demorado e gostoso abraço. Ficaram naquela posição por um bom tempo, até que eles se recuperassem do impacto afetivo e descansassem do choro. Hana os colocou para dormir, cobrindo-os e beijando as pequeninas testas dos filhos e foi para o quarto com o marido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Hana chegou sem avisar no final da tarde. Sua mãe estava sentada em sua cadeira de balanço na varanda da antiga casa, fazendo uma colcha de crochê. Ao ver a filha se aproximar, ela se levantou com dificuldade pelas dores no corpo, mas sem senti-las, mergulhada que estava na emoção do reencontro, e se esforçou para chegar até a filha - o máximo que seus frágeis ossos lhe permitiram. Mas Hana, deixando suas malas soltarem de suas mãos, até tombarem no chão de barro, foi em direção à mãe, correndo de braços abertos. As duas mulheres machucadas pela vida abraçaram-se com tal singular vibração que só amor entre a mãe e sua filha é capaz de explicar. Aquele instante sublime encurtara quilômetros de distância e quase dez anos de um tempo que separou as duas fisicamente, mas não em seus corações. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Sentada à beira de um rio, com os pés cruzados à altura dos tornozelos, Hana já havia trocado a exaltação pela calmaria. Não tinha mais do que temer. Encontrara sua mãe, seus filhos estavam aos cuidados de um pai generoso, atencioso e dedicado. Logo ele encontraria uma mulher igualmente carinhosa que cumpriria a função de mãe na educação de seus filhos. Sentia a falta de todos, assim como doía saber que os seus também levariam tempo para assimilarem sua partida. Mas a certeza que estavam todos bem direcionados na vida, que fizera um bom trabalho, confortava-a, mesmo que não plenamente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Estava naquele lugar, pois a natureza da sua infância a havia chamado. Precisava se reconciliar com aquele lugar há muito tempo esquecido. Retornara à sua alma com tamanha vivacidade e júbilo íntimo, despertando uma sensação afetuosa como o afago de seus pais e irmãos. O sentimento era tão puro e acolhedor, que subitamente sentiu sonolência. Uma moleza prazerosa começou em seus pés e foi subindo lentamente até relaxar a sua face antes contraída por algumas preocupações. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Deixou seu corpo reclinar levemente até encostar-se à grama fresca com um tom claro de verde. Há muito tempo não sentia o cheiro do mato, não ouvia o som dos pássaros e das águas apressadas dos riachos. Com os dedos, cavou um buraco na terra e entrou em contato com a umidade juvenil do solo. Estava muito satisfeita em dialogar com sua natureza interior representada em cada sentido seu que contemplava a flora de sua terra natal, tocando-a. Fechou os olhos e se permitiu tatear todas as folhinhas em que seu corpo repousava. O cheiro do sol se pondo, misturado aos pinguinhos do riacho que pulavam em seu rosto quando as águas se encontravam com as pedras, compuseram fielmente o deleite daquele inesquecível momento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Logo, suas preocupações se afastaram, seus pensamentos foram esvaziando até não mais assustá-la. Hana era puro sentir, era puro tato, olfato e audição. De olhos fechados, sem ver com os olhos carnais, absorvia o sabor das imagens de paz que presenteavam seu paladar. Serenamente Hana adormeceu. Não pensava em nada, não tinha dor. Só ouvia a cantoria das aves - saudando-a -, sentia o cheiro do mato, do rio, e o sabor da suave melodia que lhe acariciava como a pétala da flor que seu pai lhe ofereceu nos seus quinze anos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Com o passar das horas, Hana se desapegou do seu ser. Hana não era mais Hana. Ela era cada gotinha do riacho que escorria por sua face em límpida placidez. Ela era a canção dos pássaros, o sabor da terra molhada e a textura verde da grama. Hana passou a ser apenas a sua natureza... E partiu serenamente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-2325127550575392299?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/2325127550575392299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=2325127550575392299' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/2325127550575392299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/2325127550575392299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/05/serenidade.html' title='Serenidade.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-8VctwCSsB8c/Tdg_kBvCu9I/AAAAAAAAAMg/DfMqEQjDbLA/s72-c/PINTURA-A-PASTEL-SERENIDADE%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-9004131845037258665</id><published>2011-05-14T12:09:00.000-07:00</published><updated>2011-05-14T12:12:10.215-07:00</updated><title type='text'>O Misterioso Homem do Café.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/-drpglO06vLU/Tc7TaGHWxVI/AAAAAAAAAMY/uBF27fPhd-k/s200/cafeteriaaa.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5606651031394370898" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Pela calçada de pedrinhas portuguesas em formato de mosaico, já estufada por salientes raízes das árvores decorativas, caminho em direção à hospitaleira cafeteria do outro lado da rua. Acelerei o passo para secar ao vento os últimos vestígios de roupa encharcada, ainda resistentes, deixados por uma rápida tempestade que me pegou desprevenido já no trajeto para o café. Ao atravessar as principais ruas, no horário em que a maioria das pessoas larga o experiente, observei rostos apresados, satisfeitos, aflitos, invisíveis, contemplando a grandiosidade do instante, ou mesmo entregues à pequenez do momento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Alguma cumplicidade me laçava a cada um daqueles rostos, inclusive os que ostentavam um afeto paradoxal, indistinguível aos meus olhos complacentes e enevoados. Quanto mais me distanciava do espaço central no qual a multidão se entrecruzava, os semblantes se desanuviavam, adquiriam maior leveza, esvaziando-se das energias caóticas e pardacentas. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Essa cafeteria fica num ponto pouco frequentado, ideal para um público - que seja o mínimo possível, claro - com certo grau de misantropia, palavra que acredito ser mais sofisticada e possuir uma atmosfera mais obscura e enigmática do que a sua irmã curta e grossa: a palavra “antissocial”. Talvez, ao contrário do que possa parecer para mim, tentando camuflar um pouco algumas realidades, a palavra “misantropia” só seja usada pelos próprios antissociais. Mas a minha se resume apenas a não participar das conversas como um protagonista - embora os acontecimentos nos peguem de surpresa e nem sempre é possível manter tal isolamento -, pois participar da mesma com a invisibilidade necessária para apenas escutá-la sem ser visto, pode ser considerado meu hobby predileto, inclusive sendo condição para que eu escreva estas linhas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Sentei-me à mesa, já com o pedido feito, e olhei ao meu redor para me certificar que o ambiente estava propício para a prática da minha passividade. Realizando meus impulsos voyeuristas, notei que entre a mesa à qual estava sozinho, saboreando meu cappuccino, e as demais mesas, havia um espaço vago confortável - traduzindo: nem uma viva alma estava por perto. Mas ao visualizar um ponto mais afastado, percebi que havia um sujeito solitário como eu, com a diferença que ele estava finalizando seu ato de canibalismo, comendo um sanduíche e bebendo um refrigerante - embora devorasse a si mesmo achando inocentemente que comia apenas um pão com carne. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ele parou de comer repentinamente, recostou-se no espaldar da cadeira, pôs as mãos no queixo, com ares de enfado, apoiando a cabeça com os cotovelos sobre a mesa já bagunçada pelos restos de sua gula. Eu continuei deleitando meu paladar com o cappuccino cremoso e quentinho, acompanhando-o com um olhar taciturno. Mantendo a mesma posição, virou levemente a cabeça para seu lado esquerdo, em que havia uma barra de ferro, semelhante a um corrimão, e logo desfez sua inércia, apoiando agora os braços nessa mesma barra, substituindo a função da mesa na qual repousava. Já apoiado no corrimão, com o corpo virado para o seu lado esquerdo, novamente deixou a cabeça sobre suas mãos e se demorou como se tivesse prestando a atenção &lt;st1:personname productid="em algo. Seus" st="on"&gt;em  algo. Seus&lt;/st1:personname&gt; olhos esboçavam um sorriso, apesar de sua boca não se mexer. Como se fosse um dedo apontado, segui o seu olhar para saber o que tanto o seduzia silenciosamente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;À sua frente - também para a minha surpresa -, com algum esforço para ver, debruçando-me sobre a mesa, pois uma pilastra tampava minha visão, havia outra mesa ocupada por quatro mulheres de um lado, já de idades avançadas, e um casal vestido elegantemente. O homem continua virado para a esquerda, com os cotovelos apoiados na barra de ferro e a cabeça repousando sobre as mãos. Ele olha fixamente para o grupo de pessoas. Por um momento, mesmo sendo uma remota hipótese, penso que de alguma maneira ele pertencia ao tal grupo. Mas eles ignoravam sua presença. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;As quatro mulheres estavam muito sérias, quase nem piscavam. Só o casal sentado junto em um dos lados que falava como se tivesse instruindo as quatro mulheres do outro lado da mesa. Elas prestavam absoluta atenção nas orientações do casal. Será que seriam testadas para entrar em algum tipo de clã ou sociedade secreta? Ou eram as vítimas de um seqüestro e seguiam as regras do jogo para se libertarem? E o homem misterioso que só os observava de outro lugar? Mas eu também era um homem misterioso que os acompanhava com o olhar, inclusive acompanhando o homem misterioso que observava o grupo da outra mesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;Como numa possessão demoníaca, o homem solitário começou a puxar assunto com o grupo, falando sem parar como uma metralhadora giratória monologada. O grupo imediatamente silenciou. O casal, tendo suas instruções interrompidas pela invasão do solilóquio estrangeiro, teve a automática reação de olhar o sujeito esquisitão que não fechava a matraca. Já as quatro mulheres, mesmo percebendo que o som agora vinha de outro lugar e que o casal agora estava mudo, continuaram estateladas na mesma posição anterior, olhando fixamente para o casal mudo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Eu não conseguia ouvir o que o homem misterioso falava. Será que era mais um comparsa dos seqüestradores que agora revelara sua identidade e se unia aos algozes para castigar as pobres vítimas? Em meio ao discurso inaudível pela distância em que estavam, notei que por um aceno de mão, o casal convidou o estranho para se sentar à mesa do grupo. Ele se levantou rapidamente da cadeira em que estava e se locomoveu até o grupo. Ele só se calou durante esse percurso, pois retomou sua fala histriônica logo que se sentou ao lado do casal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ele tinha um tipo suspeito, talvez por estar antes sozinho, mas eu também estava sozinho sentado à minha mesa, então, se eu pudesse me ver nessas condições, também me acharia um tipo suspeito. Durante todo o tempo em que o ex-solitário não parava de falar, todos permaneceram calados e olhando para ele, com exceção das quatro mulheres que não abriram a boca e nem se deram conta da presença do estranho, pois continuaram sem tirar os olhos do casal mudo, como se fossem quatro autômatos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;De repente, o homem misterioso bateu na mesa com a palma da mão, deu um salto, abraçou o casal que nem sequer se mexia com o tal gesto supostamente afetuoso, e se despediu, dirigindo-se para a saída. O grupo ficou um pouco ainda em silêncio, inclusive o casal, como se estivesse atônito, tentando se recuperar de um choque anafilático, mas logo retomaram a discussão, rindo um pouco para descontrair. Uma das quatro mulheres, como um ato totalmente inesperado, imitou a risada do casal e fez um breve comentário - também inaudível para meus ouvidos discretos. Foi aí que me dei conta que naquele grupo ocorria uma entrevista de emprego.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O casal era de gerentes da cafeteria, e as mulheres, assustadas, as candidatas ao trabalho de balconista. Comecei a ouvir o argumento do casal, afirmando que os funcionários daquele estabelecimento era uma família e que se houvesse algum problema de convivência, não deveriam levar desaforo para casa, contando aos gerentes o acontecido. Mesmo o casal de gerentes ser bem mais novo que as quatro mulheres, ele estava atraindo a confiança das quatro com um discurso paternalista de proteção - claro, esperando controlar todas as possíveis situações que se passassem com suas funcionárias. As quatro, um pouco mais relaxadas, ouviam atentamente as instruções dos dois. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A conversa não se alongou muito após a despedida do homem que continuou sendo um mistério para mim. Logo o grupo se desmanchou. As quatro pretendentes ao cargo foram embora. O casal continuou sentado esperando a saída das mulheres, mas após essa saída, debateram um pouco sobre elas. Depois, levantaram-se abraçados, muito sorridentes, e retomaram suas funções na cozinha da cafeteria. Já eu, segurando o fôlego para tomar a última golada de um cappuccino já frio, depositei a xícara vazia sobre a mesa. Novamente sozinho, recostei na cadeira e me pus a refletir como começaria a escrever esta estória que acabo de encerrar por aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;CRÔNICA ESCRITA por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-9004131845037258665?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/9004131845037258665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=9004131845037258665' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/9004131845037258665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/9004131845037258665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/05/o-misterioso-homem-do-cafe.html' title='O Misterioso Homem do Café.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-drpglO06vLU/Tc7TaGHWxVI/AAAAAAAAAMY/uBF27fPhd-k/s72-c/cafeteriaaa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-61164095437966523</id><published>2011-05-09T20:17:00.000-07:00</published><updated>2011-05-10T16:37:09.321-07:00</updated><title type='text'>Adèle e Ismael.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/-cqjRac6NEgQ/TciuwZznwII/AAAAAAAAAMQ/lZyzfIv3d9M/s200/1175465800_unhasangue_1.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604921882846937218" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ismael sentia calafrios só de pensar em Adèle - mulher faceira e perigosa. Gestuais sinuosos e frágeis, formando símbolos no ar pela firmeza de suas mãos, ao penetrarem o sólido terreno da linguagem corporal, contrastavam em labaredas de uma personalidade que derretia os menos avisados ao ousarem chegar muito perto da moça. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Uma irresistível atração não permitia que Ismael se afastasse de Adèle durante as inúmeras repetições do seu vozerio atordoante. O tempero da relação dependia dessa pitada de fúria latente, aquecendo o casal debaixo dos lençóis. Quando a ferocidade se convertia em volúpia, ambos terminavam engalfinhados até no piso frio ou no carpete empoeirado. Só que o mesmo deslimite que emprestava suficiente virulência para os prazeres íntimos, explodia em desafiadoras lâminas que se embebiam em envenenados curativos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A ação impiedosa da boca maldita era capaz de decapitar qualquer resíduo de satisfação sonolenta que tivesse a audácia de colocar o pescocinho para fora dos panos &lt;st1:personname productid="em que Ismael" st="on"&gt;em que Ismael&lt;/st1:personname&gt; jazia intrépido em noites mal dormidas. A tônica inflamada sempre recaía em Ismael - que nada se assemelhava a uma ingênua vítima. Na expectativa de ser agraciado pela seiva bruta daquela mulher, provocava-a até tirá-la do sério. Adèle soltava fogo pelas ventas. Quando chegava a esse extremo, de tão ardida que era a pimenta usada para lapidar a libido e animar a festinha particular, invariavelmente Ismael saía chamuscado da contenda. Adèle esbravejava, sacudia-se, estapeava-o.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Embora Ismael se reduzisse a um estado deplorável, não se ofendia pelas reações intempestivas da mulher. Muitas vezes, submerso no festival de pancadarias e bordoadas deixadas pelos punhos, joelhos e unhas da irascível Adèle, Ismael se surpreendia com certo gozo pornográfico que exalava de suas feridas. A fúria incontrolável da mulher causava tantas excitações quanto mais pulsantes eram as dores físicas. Após os primeiros tabefes, apesar de acuado e severamente machucado, já respirando com dificuldade e dobrado sobre as pernas, em forma de concha, pelo impacto sofrido no diafragma, Ismael teve uma leve dúvida - com mais certeza do que desconfiança - que naquela posição humilhante, um estranho frenesi percorria enfaticamente os seus membros inferiores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Logo a certeza irrefutável substituiria a cambaleante dúvida. As dores impressas em seu esmurrado corpo franzino caminhavam de mãos atadas com a crescente manifestação de um erotismo súbito, indecoroso e desavergonhado que vibrava em suas partes baixas. Cada pancada era uma alegria com cara de agonia. Sorria com o semblante contraído, revelando falsa angústia. Celebrava cada arranhão na alma introduzido por seus pequeninos olhos assustados. Em meio aos destroços de si, da dor impingida por cada mordida ferina da mulher, reconhecia que o sentimento que lhe cumprimentava em seus refolhos mentais só poderia ser a tal da felicidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;E assim se sucedia a crueldade apaixonante de Adèle. Atração fatal que produzia um empuxo no faminto desejo de um homem que implorava pela maciça e exclusiva presença daquela que o arranhava por inteiro, mas que, enquanto isso, ela não seria de mais ninguém. Ele pedia e ela o torturava. Ela o feria e ele negava o prazer, acusando-a. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ismael sentia calafrios só de pensar em Adèle - mulher faceira e perigosa. Talvez ele não a amasse, mas amava ser seu foco de extermínio. Era assim que ele existia, era assim que ele garantia seu lugar no desejo de Adèle. Sentia-se vivo ao apanhar. Mas não de qualquer uma. Apenas da Adèle - mulher faceira como erupção e perigosa como uma pétala de rosa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-61164095437966523?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/61164095437966523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=61164095437966523' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/61164095437966523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/61164095437966523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/05/adele-e-ismael.html' title='Adèle e Ismael.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-cqjRac6NEgQ/TciuwZznwII/AAAAAAAAAMQ/lZyzfIv3d9M/s72-c/1175465800_unhasangue_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-8922389903894405912</id><published>2011-05-09T17:00:00.000-07:00</published><updated>2011-05-09T19:38:03.990-07:00</updated><title type='text'>O Reinado das Cores num Reino sem Cor.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-Ez6nrySPaF8/TciAT6y0dCI/AAAAAAAAAMI/jVG-m7MiSos/s200/71522_Papel-de-Parede-Edinburgo-Midlothian-Reino-Unido_1152x864.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5604870815950861346" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Em seu reino, o rei Florêncio atravessava dias sem cor. A fauna e a flora desse reino foram desbotadas por uma enigmática clareira que se formou no centro do palácio. Ao contrário do que a lógica aponta, essa clareira não iluminou o reino, mas sim o fez escurecer gradativamente até quase apagá-lo do mapa, engolindo-o em trevas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Uma névoa de forte claridade desceu das montanhas geladas e reduziu as esplêndidas nuances de cores ferventes, numa morna escala de cinza. A princesa Mércia que cantarolava em círculos com suas filhas, tomada de espanto, soltou-se das mãos das crianças e, como que se engasgando com o ar, levou uma das mãos à boca. Já as meninas, maravilhadas que estavam com os tons cinzentos, preencheram o espaço vazio da ciranda - ocupado pela ausência da mãe - e entoaram cânticos em reverência ao fenômeno inusitado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Para elas, o colorido não havia as abandonado, pois pela primeira vez, entraram em contato com uma palheta de variações do cinza que antes não existia. O rei Florêncio, surpreendido pelo comportamento das netas, substituiu o pavor que o engessava pela livre curiosidade infantil. Aproximou-se da clareira enegrecida, tocou-a e teve a experiência de uma mágica transformação dos pigmentos de sua pele de ancião, rejuvenescendo. Com isso, e por ser um monarca astuto e ousado, decidiu polinizar as cinzas flores do seu jardim com a névoa estrangeira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Quando as novas plantinhas nasceram e floresceram, embora ninguém visse mais beleza nas cinzentas flores, as crianças cada vez mais cantaram em torno daquelas que foram relegadas à margem do reino. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Com o passar do tempo, a alegria das crianças contagiaram os adultos que viram pela primeira vez o colorido das flores e sentiram seus magníficos perfumes... Apesar delas jamais deixarem de ser apenas cinza. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-8922389903894405912?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/8922389903894405912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=8922389903894405912' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8922389903894405912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8922389903894405912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/05/o-reinado-das-cores-num-reino-sem-cor.html' title='O Reinado das Cores num Reino sem Cor.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Ez6nrySPaF8/TciAT6y0dCI/AAAAAAAAAMI/jVG-m7MiSos/s72-c/71522_Papel-de-Parede-Edinburgo-Midlothian-Reino-Unido_1152x864.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-295072885200706104</id><published>2011-05-03T14:35:00.000-07:00</published><updated>2011-05-04T05:35:52.316-07:00</updated><title type='text'>Meu Livro de Contos Publicado.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;      Meu livro de contos foi publicado e já está à venda. São 37 contos de minha autoria reunidos em 276 páginas. Como a gráfica da editora só imprime um exemplar sob demanda, é necessário se cadastrar na página da internet em que meu livro está em divulgação para comprá-lo.&lt;div&gt;      Para adquirir um exemplar impresso do meu livro, acessem o site:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://clubedeautores.com.br/book/36753--Os_Sonhos_Despertos"&gt;http://clubedeautores.com.br/book/36753--Os_Sonhos_Despertos&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- &lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Acabamento da capa: Papel Couché 300g/m², 4x0, laminação fosca. &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;Acabamento do miolo: Papel offset 75g/m², 1x1, cadernos fresados e colados, &lt;/b&gt;A5 Preto e Branco.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Formato: Médio (140x210mm), brochura com orelhas.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; "&gt; - &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; "&gt;&lt;a href="http://clubedeautores.com.br/book/36753--Os_Sonhos_Despertos"&gt;http://clubedeautores.com.br/book/36753--Os_Sonhos_Despertos&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;ÍNDICE DO MEU LIVRO:&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;09 -----------------------------------------O Montinho de Livros&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;19 -------------------------------------------------- Morte na Folia&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;33 --------------------------------------------------------------- Cléo&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;39 --------------------------------------------------------A Amante&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;47 -------------------------------------------------------------  Katie&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;57 ------------------------------------------------O Baú Sonhador&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;69 -------------------------------------------------------Pedro Bege&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;77 ------------------------------------------------ Transamazônia&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;86 --------------------------------------------------A Ressurreição&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;99 ---------------------------------------------------------------Sexo&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;103 ---------------------------------------A Máscara da Verdade&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;109 ----------------------------  Romance em Tempos Perdidos&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;117 -----------------------------------------------------Elias Feijão&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;123 -----------------------------------------Jurandir, O Químico&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;131----------------------------------------------Túlio e o Terreiro&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;139 ------------------------------------------------------Eu Te Amo&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;149--------------------------------------------- Plácido, A Rainha&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;155-------------------------------------------------Cafés com Leite&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;163 --------------------------------------------------------Diálogos?&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;167 ------------------------------------------------------ Sapatando&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;173 ------------------------------------------- O Besouro de Praia&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;177 -----------------------------------------------------O Chamado&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;181 ---------------------------------------------------------À Janela&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;187-------------------------------------------------À Mesa do Café&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;193 --------------------------------------------------------Pedrazul&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;199 ----------------------------------------Santo Pai, Santa Bala&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;203 ------------------------------------------------Marta, Mulher&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;205 --------------------------------------  No Escorrer dos Afetos&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;211-------------------------------------------------O Amor do Ódio&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;221-----------------------------------------Quando o Sonho Vive&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;229---------------------------------------------A Análise de Lena&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;237--------------------------------------------------Dedos e Anéis&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;245------------------------------------------------------Toque-me!&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;251--------------------------------------------------Ser Sem Rosto&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;257--------------------------------------------Lágrimas e Suores&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;263----------------------------------------------------------O Vulto&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;269-------------------------------------------Estilhaços de Alma&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; "&gt;&lt;a href="http://clubedeautores.com.br/book/36753--Os_Sonhos_Despertos"&gt;http://clubedeautores.com.br/book/36753--Os_Sonhos_Despertos&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(102, 102, 102); font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; font-weight: normal; "&gt;&lt;p&gt;Histórias armazenadas no baú do inconsciente infantil. Páginas em branco à espera do folclórico traço do autor. Desaparecimentos espetaculares. Retornos fantasmagóricos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A confluência do imaginário com a realidade. Qual o ponto em que a ficção toca a realidade?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Será a ficção um conto fictício, ou realidades ditadas pela narrativa ficcional?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A literatura talvez não seja literal – mas litoral – fronteira de fantasias – a verdade do escritor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Neste livro de contos, Alex Azevedo Dias escreveu estórias surpreendentes que levam o leitor a enigmas com inúmeras possibilidades. A inquietude fascinante da dúvida, contrapondo-se ao amortecimento das soluções.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Seus contos fazem pensar, refletir, rir e chorar. Um fôlego suspenso até a última linha. Personagens que vivem as situações-limite entre falsas realidades e fantasias reais&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, serif; color: rgb(0, 0, 0); "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; "&gt;&lt;a href="http://clubedeautores.com.br/book/36753--Os_Sonhos_Despertos"&gt;http://clubedeautores.com.br/book/36753--Os_Sonhos_Despertos&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;                              Agradeço e dedico o meu livro aos leitores deste blog no qual meus contos também estão publicados, e aos amigos queridos que me acompanham. Desejo uma excelente leitura! Espero que encontrem boas inquietações, calmarias, e os afetos essenciais para a existência, como tristeza e alegria. Abraços, Alex.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Helvetica, Arial, sans-serif; "&gt;&lt;a href="http://clubedeautores.com.br/book/36753--Os_Sonhos_Despertos"&gt;http://clubedeautores.com.br/book/36753--Os_Sonhos_Despertos&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size: 12px; font-weight: bold; "&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-295072885200706104?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/295072885200706104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=295072885200706104' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/295072885200706104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/295072885200706104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/05/meu-livro-de-contos-publicado.html' title='Meu Livro de Contos Publicado.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-5711035174318409813</id><published>2011-04-23T18:50:00.000-07:00</published><updated>2011-04-24T09:07:32.327-07:00</updated><title type='text'>Dedos e Anéis.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/-Ak8jsN3CNwE/TbOCIS1qAsI/AAAAAAAAAMA/yn1xaxFm2cU/s200/quebra-cabeca.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5598961840759112386" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Com as mãos abarrotadas de sacolas de compras, Rebeca caminhava do centro da cidade em direção à sua casa. Para isso, precisava pagar o bilhete na estação das barcas, antecipadamente, pois estava com pressa e aquele era um meio de transporte que não ficava disponível com frequência. Como morava do outro lado da cidade, não havia alternativa de condução além das barcas para atravessar a baía que a separava do tranquilo bairro no qual residia. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O vozerio da multidão consumindo as muambas do camelódromo misturava-se aos gritos entusiastas dos anunciantes, oferecendo produtos de qualidade duvidosa. Rebeca gradativamente se afastava da balbúrdia do mercado informal em franca ascensão, e se aproximava de uma região um pouco mais vazia. O som enlaçado dos compradores e dos vendedores, ora abafando-se num desgrenhado falatório, ora ampliando-se em pandemônios fonéticos, pela distância de Rebeca, ficavam cada vez mais inaudíveis - alívio para os tímpanos condoídos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;Já distante do ápice carnavalesco dos comerciantes, afunilou ainda mais o vai e vem aturdido das pessoas na rua, filtrando o excesso da corriqueira agitação. Ao chegar à passarela - passagem mais segura para alcançar a outra margem de uma perigosa avenida -, única opção para acessar a praça da estação das barcas, Rebeca, que vinha alternando uma leve distração com as vitrines e a rotineira preocupação com os afazeres domésticos que por ela esperavam, de repente, percebeu que o lugar no qual se encontrava estava completamente deserto, silencioso, e com um odor azedo de que alguma coisa sinistra a aguardava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Isso é um assalto! Passe-me a aliança! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- O que é isso, meu senhor?!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Você não ouviu? Passe-me, agora! Estou armado! Ou me dê sua aliança ou lhe arrancarei o dedo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Mas eu nem sou casada!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Olhe, dona... Não me interessa se você é casada ou não... Passe-me a aliança, agora!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Ter este anel no mesmo dedo em que uma mulher casada põe sua aliança é mera coincidência e...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Você quer morrer? Está de brincadeira comigo? Não tem noção do perigo? &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Seu primeiro impulso foi se adequar à linguagem do bandido, incorporá-la automaticamente, mas por razões inexplicáveis, ele falava sua língua.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- O senhor tem uma voz impostada, típica de locutores de rádio. O que está fazendo aqui em vez de exercer essas abençoadas cordas vocais que Deus lhe deu?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Atirarei em você caso não coopere comigo! É meu último aviso!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Você é um homem instruído.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Sim. Recebi boas instruções para roubá-la. Um comparsa localizado no comércio me passou as dicas, descrevendo-me suas feições e posição - sozinha, sem companhia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Não. Falo instruído no sentido de letrado. Sei que a vida é cruel, que não tem misericórdia dos que sofrem. Mas o senhor tem uma boa aparência, bem apessoado, além de utilizar a gramática como ninguém. Sua professora de português deve se orgulhar do aluno que você foi. Aliás, não estou sozinha. Estou com o senhor, aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Com os olhos marejados e já meio inchados, o assaltante respondeu:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Você foi a primeira pessoa que notou o meu português... Fiz Curso Normal. Tornei-me educador e professor no ensino fundamental. Mas os desafios com os precoces alunos da rede pública e o salário miserável que em nada compensava o esforço não permitiram que eu continuasse com meus sonhos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Mas o senhor ainda é muito jovem! Ainda tem muito pela frente...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Você que é otimista... Depois que fracassei, não podendo mais enfrentar a barra que era cuidar e ensinar aquelas crianças em sala de aula, e sem ter condições para colocar comida na mesa das minhas crianças, dos meus filhos, eu então me profissionalizei no mundo do crime.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- O senhor é um rapaz muito simpático. Deve formar uma família linda com seus filhos!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Voltando à realidade daquele contexto, pois entregue a um lapso emotivo perdera o foco, o sujeito resgatou sua postura cênica - engrossou a voz e enrijeceu o semblante -, empunhando o revólver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Escute aqui, moça... Isso é um assalto!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Instintivamente, varando o ar, a mulher acertou a cara do assaltante com um tabefe, digno de câmera lenta, com toda a força que seus bíceps lhe permitiram. O assaltante, não prevendo tal reação, derrubou a arma e levou sua mão ao rosto, na tentativa de amenizar o impacto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Você estava caindo em tentação, virando novamente um bandido. Eu precisei lhe dar esse bofetão para ter certeza que em suas veias ainda pulsava alguma gota de sangue. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Quem você pensa que é para me bater desse jeito?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Apenas uma pessoa como você...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;Nesse instante, o assaltante se impulsiona e salta na garganta de sua vítima, furioso. Rebeca dá um passo para trás e consegue se esquivar do bote quase fatal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Espere! Não fique irado! Desculpe-me...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Já espumando de raiva, o assaltante se abaixa para pegar o revólver, mas nada encontra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Cadê a minha arma? O que fez com a minha arma?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Não fiz nada. Eu só a vi quando caiu e...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Basta! Basta!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O assaltante virou o braço com uma energia descomunal, tentando esmurrá-la. Ele rodopiou no vazio em um giro de trezentos e sessenta graus e desabou de joelhos no asfalto úmido por sua excessiva transpiração. Olhou atônito em seu redor e não avistou mais ninguém. Em cima de seu revólver, um anelzinho fosco de cor amarela repousava em leito póstumo. Pegou o revólver e deixou o anel rolar desprezado até tombar sobre a tampa enviesada de um bueiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Colocou sua arma na cintura - entre o cinto frouxo, por baixo da camisa de botão -, e novamente lançou o olhar em direção ao anel. Foi até o bueiro, agachou-se, e apanhou o anelzinho. Verificou-o suficientemente para constatar que fora produzido em latão, sem o menor valor de mercado. Deu de ombros e ameaçou jogá-lo no vácuo do esquecimento. Mas algo o deteve, revertendo sua intenção de se desfazer do artefato. Sentiu seu braço bloqueado por uma corrente de vento sobrenatural e uma vontade irresistível de examinar o anel. Ao passar o dedo na superfície interna do objeto, percebeu uma inscrição &lt;st1:personname productid="em revelo. Ao" st="on"&gt;em revelo. Ao&lt;/st1:personname&gt; ler o que estava escrito, um frio cortante gelou sua espinha. Seu nome estava gravado naquela aliança. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Juan, acorde! - Vociferou a professora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Você estudou a matéria? Teremos uma avaliação surpresa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Ahm.. O quê? Perdão, professora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Todos os colegas caíram em gargalhada pela distração de Juan que o levou a ser chamado a atenção pela professora. Rebeca era uma professora severa, mas sua rigidez representava apenas a exclusiva dedicação que dispensava à sua turma de português instrumental. Ela sabia do potencial de Juan. Escrevia belas redações sobre sua realidade cotidiana na favela em que morava. Tinha um talento ímpar para a escrita criativa, com afinada coerência em suas narrativas e na composição de personagens. Mas para complementar o salário de seus pais, que mal dava para pagar as despesas domésticas, Juan trabalhava como guia turístico na praça histórica da estação das barcas. Por isso a sonolência do garoto durante algumas aulas, reflexo da extensão do trabalho nas épocas em que uma grande quantidade de turistas solicitava seus serviços.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Como a professora de português morava do outro lado da cidade - embora desse aulas numa escola municipal próxima à casa de Juan -, ela diariamente atravessava a baía, passando pela praça em que trabalhava seu aluno. Algumas vezes, quando Rebeca não tinha maiores compromissos que restringissem seu tempo, ambos conversavam - professora e aluno - animadamente, sempre se maravilhando com o amplo conhecimento do garoto de história e geografia. Rebeca costumava elogiar o emprego gramatical do seu aluno, tanto pelo seu modo desembaraçado e articulado de falar, quanto pela forma impecável de escrever. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Rebeca sabia do futuro brilhante que esperava por Juan, mas os seus pais discordavam das afirmações deslumbradas da professora. Eles agradeciam a insistência daquela mulher em apostar no garoto, mas não tinham a menor dúvida de que se ele não fosse capturado pelo caminho do tráfico, não assumiria posto mais alto do que servente de pedreiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Juan nutria um carinho especial por sua professora. Confiava em suas sábias palavras. Mesmo sofrendo pela falta da crença de seus pais em sua grande possibilidade de vencer na vida, sabia que sua professora não jogaria palavras ao vento. Ela estudou, por isso, tudo que dizia teria valor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Nos momentos em que perdia as esperanças, ferido pelo sentimento negativo que seu meio lhe transmitia, sentava-se na praça das barcas, quando não havia turistas por perto, e esperava sua professora passar. Costumava observar seus dedos para ver se ela era casada. Mas ela nunca usava anéis, muito menos uma aliança. Para recuperar o fôlego e a alegria de estudar e trabalhar imaginava-se no altar, depois de crescido, atuando no magistério, tendo a mão de sua professora entre as suas. Ajoelhado diante dela, Juan colocava o anel de ouro legítimo em seu dedo anelar, com a felicidade de uma criança que acabara de abraçar sua mãe verdadeira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-5711035174318409813?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/5711035174318409813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=5711035174318409813' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5711035174318409813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5711035174318409813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/04/dedos-e-aneis.html' title='Dedos e Anéis.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Ak8jsN3CNwE/TbOCIS1qAsI/AAAAAAAAAMA/yn1xaxFm2cU/s72-c/quebra-cabeca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-8082954620508081357</id><published>2011-04-20T23:52:00.000-07:00</published><updated>2011-04-21T23:01:19.930-07:00</updated><title type='text'>A Análise de Lena.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/-O_SVmO1yk3o/Ta_UUFseuJI/AAAAAAAAAL4/MR--n2XqEbc/s200/a_diva_no_diva.JPG" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 153px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597926303436028050" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Bateu à porta. Ninguém a atendeu. Pensou em ir embora. Era a primeira vez que estava ali e, por um instante, pareceu que tal encontro não lhe seria útil. Antes de bater novamente à porta, girou a maçaneta e se surpreendeu por estar destrancada, como um sinal de que sua chegada já era esperada. Após entrar, encostou a porta e se sentou num sofá, estilo rústico, com grandes almofadas. Como a tensão a reprimia, pois sentia que daquele lugar não teria mais volta, não percebeu que se recostasse nas almofadas teria uma confortável sensação de descanso. Permitiu-se apenas passar levemente as mãos no forro do sofá, apalpando a textura do tecido - macia no centro e áspera nas bordas -, como se tateasse o próprio coração que, aflito, palpitava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Um sombreado se precipitou pela fresta da porta do corredor, e alguém acenou discretamente em sua direção, convidando-a para entrar. Timidamente se deslocou até o local em que o homem a chamava. Entrou em uma sala à meia luz, colocou a bolsa em um pequeno banquinho, cumprimentou o homem sentado numa poltrona no canto da sala e se deitou no divã. Trêmula, tirou um cigarro da carteira, pediu licença e entregou-se ao fumo, tragando ponderadamente as fumaças. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O analista estendeu-lhe um cinzeiro sem dizer nenhuma palavra. Ao ver o objeto ofertado, depositou sem titubear o cigarro - que estava suspenso entre os dois dedos da mão direita -, ainda quase sem fumar, e no cinzeiro amassou a ponta transformada em fuligem contra a superfície de mármore. O filtro dobrou-se sobre sua mão num último arfar suplicante. Ela apertou os braços sobre o peito e suspirou. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Lena, alguns meses antes, já quase entregue aos dramas pessoais que vinham angustiando-a em escala crescente, vencida pela própria fraqueza, resolveu aceitar a sugestão da amiga de procurar ajuda. Consultou uma lista telefônica, na seção em que profissionais da saúde oferecem seus serviços, buscando somente entre os que se intitulavam psicanalistas, o nome com o qual mais se identificasse. Deslizou o dedo indicador por uma dezena de nomes e, intuitivamente ou pela simples razão de estar com as falanges do dedo queimando, pela rigidez da escolha, repousou-o de forma imperceptível sobre um dos nomes. Quando se deu conta do seu ato inconsciente, suspendeu o dedo e o nome escolhido estava lá, saltando à sua vista: Godofredo - psicanalista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;No primeiro instante em que passou os olhos por aquele nome, teve um impulso de rejeição. Não teve a menor atração pela palavra “Godofredo”. Se fosse uma escolha consciente, jamais teria se identificado com aquele nome. Mas como era muito supersticiosa, acreditou piamente que se o seu dedo havia repousado justamente ali, não seria ao acaso. Alguma força oculta e poderosa forjou a certeira e objetiva escolha de Godofredo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;Hesitava em se apresentar para entrevista com qualquer analista que fosse, mesmo com a insistência de sua amiga que tanto a aconselhara a marcar uma sessão de terapia, utilizando-se como exemplo, falando de sua bem-sucedida experiência com seu analista, de suas conquistas e descobertas. Lena sabia que já não era possível mais viver com os ombros pesados pelos problemas familiares e que o tempo de se consultar com um profissional estava se impondo radicalmente. Mas ainda assim adiava aquele primeiro encontro, reunindo todas as forças que ainda lhe sobravam para resistir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A questão era que ao ler justo o nome que seu dedo estranhamente apontara - embora tais letrinhas não fossem do seu agrado -, não teve dúvidas de que ele era o escolhido, de que havia chegado o exato momento de ultrapassar suas barreiras, desarmar-se contra o preconceito que tinha de analistas e agendar uma entrevista. Anotou o número do telefone do seu consultório, mas não ligou de imediato. Guardou o número num pedaço de papel dobrado e esperou até a manhã do dia seguinte. No horário que reservou para telefonar, sacou seu aparelho celular da bolsa, junto ao papel dobrado, e digitou os números no teclado com uma rara convicção. Uma voz suave e decidida atendeu do outro lado. Ela falou que achara seu número na lista telefônica e que resolvera ligar para marcar uma consulta. Ele concordou em atendê-la, negociaram pormenores e combinaram um horário para a segunda-feira da outra semana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Deitada no divã, com o cigarro mal fumado, espremido no cinzeiro ao seu lado, ofertado pelo analista, cruzou os braços e se manteve &lt;st1:personname productid="em silêncio. Ela" st="on"&gt;em silêncio. Ela&lt;/st1:personname&gt; pensou que se acalmaria quando estivesse na sala do analista, mas aquela posição a deixara ainda mais tensa. Respirou fundo e disse seu nome entre os dentes, balbuciando. Não se apresentou ao entrar na sala, apenas o cumprimentou com um “oi”, mas não disse o seu nome, não disse nada. Deitou-se somente porque o braço do analista, imerso em sua escuridão corriqueira, indicou o divã como o espaço no qual deveria se acomodar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Após dizer o seu nome, mergulhou num profundo vazio. Viu-se incapaz de pronunciar nenhuma sílaba, muito menos do seu próprio nome. De repente, uma angústia ainda maior devassou seus pensamentos, pois havia percebido que estava deitada de costas para um total desconhecido. Não tinha nem o visto direito. O analista estava sentado em sua poltrona sob uma nuvem escura, impenetrável, sem nenhuma visibilidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Conseguiu ver apenas a barra de suas calças - percebendo que ele sustentava sua inércia -, com as pernas cruzadas, e os seus sapatos de camurça, marrom claro. Quem é esse homem? - Interrogava-se. Sabia apenas, pela voz, que ele deveria ser um homem de meia idade, regulando com a sua própria idade, pois ela também já completara cinquenta anos. Mas apesar de todos esses pensamentos - ou talvez exatamente por causa deles -, nada a faria abrir a boca. Seus lábios ficaram inexplicavelmente colados. O tempo se passou e o silêncio sepulcral continuou intacto. Nenhum zumbido era ouvido naquela sala. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Seus braços cruzados sobre o peito, após um período inteiramente imóvel, começaram a formigar. Foi aí que um espasmo súbito fez com que ela espichasse seu braço de forma violenta, movimentando-o involuntariamente - pelo menos até aonde entendia -, em direção à mesinha ao seu lado com o cinzeiro, derrubando-o e espalhando as cinzas do cigarro pelo consultório. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Diante do susto, teve o ímpeto de se virar para recolher a sujeira. Ao se levantar e esticar o outro braço para pegar o cinzeiro e limpar as cinzas - que já voavam por toda a sala -, sua mão roçou na mão do analista, que também havia deslocado o corpo para apanhar o objeto caído. Aquele toque, encontro íntimo, despertou um medo sem precedentes. Tentou evitar um contato maior, mas acabou olhando a face do analista. Automaticamente cobriu os olhos com a mão, pegou sua bolsa, deixando o banco tombar, e sem olhar para trás, saiu do consultório às pressas e ganhou a rua. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Lena voltou para a casa e tentou limpar a imagem do analista de sua mente - já que não conseguira limpar as cinzas espalhadas em seu consultório. O contato de sua mão com a mão dele ficou gravado em seu corpo como as marcas deixadas por carimbos de ferro em brasa usados para registrarem o gado. Daquele instante em diante, sabia que pertenceria ao Godofredo. Mas como isso seria possível? Temeu ser vítima de alguma terrível bruxaria. Pensou inclusive que o analista fosse algum feiticeiro macabro que estivesse lhe provocando aquelas reações. Mas logo afastou essas ideias, considerando-as como um grande absurdo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Muitos meses se passaram e Lena não mais voltou ao analista. Até um dia que não mais suportara a distância e resolveu ligar para agendar uma segunda sessão. Do outro lado da linha, Godofredo a atendeu com sua voz suave e decidida e assentiu que marcassem uma nova entrevista. A partir desse ponto, as sessões seguiram regularmente, semanalmente, durante anos, sem que jamais Lena tenha dito uma única palavra. Permanecia em silêncio ao longo de todas as sessões, sem emitir nem mesmo um ruído. O analista também não dizia nada. Nem para ir embora o analista encerrava a sessão. Era Lena que, sobressaltada, saía correndo e nem se despedia. O pacto de silêncio permanecia inabalável. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Os toques entre as mãos de Lena e de Godofredo tornaram-se mais frequentes, menos espaçados, e isso já não causava tanto estranhamento e inquietação. No início, tocavam sempre ocasionalmente, por descuido, mas depois, pela repetição, já era Lena que procurava a mão de Godofredo por trás do divã, ou até era ele mesmo que procurava a mão de Lena, estendendo a sua pela lateral do móvel. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Quando Lena se deu conta, mesmo jamais tendo dito qualquer palavra durante as sessões de análise, aquelas mãos dadas já tinham evoluído para braços dados. E ela, inusitadamente, viu-se vestida de noiva no altar de uma igreja, de braços dados com Godofredo, usando os trajes típicos de um noivo. No instante em que o padre que celebrava o casamento perguntou a ambos se eles se aceitavam, Lena ouviu de Godofredo um suave e decidido “sim”, enquanto sua voz espantada repetia o mesmo “sim” do futuro esposo, ao ser igualmente interrogada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...) &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Lena, que nunca falara nada em suas sessões de análise, não resolvera nenhum dos seus problemas... Mas... Ganhara um marido - com voz suave e decidida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-8082954620508081357?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/8082954620508081357/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=8082954620508081357' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8082954620508081357'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8082954620508081357'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/04/em-analise.html' title='A Análise de Lena.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-O_SVmO1yk3o/Ta_UUFseuJI/AAAAAAAAAL4/MR--n2XqEbc/s72-c/a_diva_no_diva.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-8256998593310961520</id><published>2011-04-18T19:35:00.000-07:00</published><updated>2011-04-19T13:38:39.923-07:00</updated><title type='text'>Ser Sem Rosto.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/-zWOLd2pQ2Go/Taz1O1qj-NI/AAAAAAAAALw/Ny7S3c0oW_E/s200/mulher%2Bsem%2Bface.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 136px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597118072187254994" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ainda assustado pelo clarão que avistara, temeu que aquilo fosse um sinal de maus tempos. Sentia sua falta como a ardência de uma lança cravada no peito. Desde sua partida, não mais pôde vê-la, nem em seus pensamentos. Apenas a dor deixada por afetos febris insistiam em não diluir seu passado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Sempre soube que não viveria sem ela. Apenas arrastava uma sobrevivência de relatos em diários ainda não escritos. A fisionomia daquela mulher fora rapidamente convertida em inomináveis sentimentos e vibráteis saudades que percorriam o corpo frágil. Seu rosto desaparecera por completo na escuridão de dias amargos. Na solidão da memória, os rastros das emoções perdidas e das lembranças vazias recheavam-se de feridas e de chagas lacrimosas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ele precisava tê-la em seus braços, envolvê-la num longo abraço, aconchegá-la em seu peito. Mas o contorno do rosto que tanto desejava afagar já se dissipara em neblinas, projetando, translúcido, uma densa penumbra naquela pobre alma engarrafada pela ausente alegria. Apenas uma gota de suor que corria por sua testa, pulava pelos cílios avolumados, escorregava pela maçã do rosto e se depositava em seus lábios, afigurou a imagem evanescente da amada como uma mordida onírica arrepiando a penugem da nuca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Foi aí que o clarão se impôs, impávido, exigindo que o triste homem enxergasse para além do barro cozido que emoldurava seus olhos - rompendo a fina, porém opaca casca -, ou que ficasse cego de vez, lavando por completo a razão se sua tristeza. Intimamente sabia que a segunda opção estaria cortada, pois após ter dado o último passo, o regresso seria ilusório. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O mau presságio imediatamente transmitido pelo clarão - primeiro contato, impactante -, com o que se conformara por não mais existir, logo fora suprimido por um sentimento esperançoso. Talvez a silhueta embaçada à qual suas lembranças se reduziram, não representasse sua inclemente condenação. Talvez pudesse revê-la e senti-la claramente como sempre fora antes de sua morte. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Não que concordasse que a morte fosse só uma passagem para outro mundo, verdadeiro mundo, mas confiava na realização de outra passagem, aquela de que tudo é transitório, de que só o tempo cura. Mas o tempo ainda o enganara, tratara-o com escárnio. Não cumprira seu contrato assinado. Não havia respondido a seus apelos para que, ou recuperasse o sorriso da amada, ou apagasse os afetos latentes que crucificavam sua alma já tão esmagada pelos escombros dos momentos felizes. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Precisava decapitar os perversos resíduos de amor que o atormentavam com uma ferocidade implacável. Seria impossível esquecer aquela que fora sua única mulher. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O contraste entre a razão e a emoção ainda o surpreendia em obtusa e profunda melancolia. O amor por uma mulher com a qual compartilhou toda a sua vida era visceral, consumindo-o &lt;st1:personname productid="em chamas. Mas" st="on"&gt;em chamas. Mas&lt;/st1:personname&gt; esse amor não mais possuía uma face nítida. Amava-a humildemente, com todas as suas forças. Embora soubesse que a amava e distinguia quem amava, não mais tinha recursos para conceber o rosto de sua mulher. Quando forçava a memória, via apenas um borrão no lugar do rosto. Aquilo ardia em seu peito como uma azia que deposita um resto amargo no paladar. Mergulhado na vivacidade do sentimento, sufocava ao forçar a memória a sublinhar os contornos já diluídos da amada. Evaporou-se por inteiro seu registro visual. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Mas com o advento do clarão - mesmo sem a nitidez e clareza tão caras à razão humana -, a forma foi devolvida ao seu caráter palpável. Temeu - no primeiro instante em que o clarão o iluminou - rever aquelas feições há tanto tempo esquecidas. Quando seu afeto etéreo enfim se materializou na silhueta desfocada da amada, berrou em agudo desespero. Um buraco negro abriu-se, avassalador, tragando para o seu núcleo as lembranças mais sombrias que circulavam no amante &lt;st1:personname productid="em luto. Num" st="on"&gt;em luto. Num&lt;/st1:personname&gt; breve instante, a fisionomia da amada se reconstituiu para o seu deleite. Ele se ajoelhou perante a imagem, suplicante, pedindo que ela o levasse consigo. Ela, delicadamente, esboçou um sorriso de ternura, compadecendo-se daquele homem para o qual nutria o mais puro sentimento, mas que quase já não suportava mais sua ausência, sucumbindo em prantos de cristais esfacelados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A aparição momentânea da amada foi o suficiente para fazê-lo resgatar as mais difusas e controversas lembranças, plasmadas numa realidade material e visível. Mas na mesma medida em que as recordações o dominavam, elas corroíam todos os seus arquivos mentais como um vírus devastador. Quando mais se lembrava, agrilhoado na dor de existir, mais essas mesmas lembranças apagavam a complexa substância que o fazia humano. Como não haveria mais lugar para a dor, a alegria, como consequência, também se extinguiria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Condenado a vagar desmemoriado, não mais na presença da dor pela amada ausente - pois sua ausência também já se ausentara -, os espinhos da falta dos esquecimentos e das lembranças, furavam a opacidade de olhos que viam demais, num mundo em que a potência dos afetos desativara-se. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Não havia mais tábuas de salvação. Nenhum sólido mármore no qual escorar os gritos de sua dolorida identidade - mas ainda assim uma identidade. Não mais se sentia só. Estar acompanhado deixou de ser um conceito útil. Apenas seguia seu roteiro básico. Os atos de comer, beber, trabalhar, caminhar, dormir, não encerravam qualquer qualidade. Nenhum ganho de prazer ou de desprazer além da simples satisfação das necessidades. Desumanizou-se sem se tornar um animal, um selvagem. Sem afeto, apenas seguia sem pensar. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Sem angústia, sem amar, sem desejo, sem prazer, sem a dor das lembranças da falta do rosto de sua mulher amada, aquele homem - sobre o qual já não se sabia mais onde estava sua humanidade -, arrastava-se como sólido, escorria em formato líquido, bruxuleava nauseabundo e se sublimava na calada e inaudível inexistência. Ele nunca mais bem-disse nem mal-disse sua amada, muito menos pôde novamente ser falado por ela. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b&gt;Dizem que em períodos de tempestade, relampejando, com trovoadas, ele surge sorrateiramente, pelo repentino clarão em noites vagas, encarnado em cegantes feixes de luz... Mas sempre... Sem rosto. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-8256998593310961520?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/8256998593310961520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=8256998593310961520' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8256998593310961520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8256998593310961520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/04/ser-sem-rosto.html' title='Ser Sem Rosto.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-zWOLd2pQ2Go/Taz1O1qj-NI/AAAAAAAAALw/Ny7S3c0oW_E/s72-c/mulher%2Bsem%2Bface.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-4828917328311032949</id><published>2011-04-15T23:38:00.000-07:00</published><updated>2011-04-17T10:29:47.938-07:00</updated><title type='text'>Toque-me!</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-mVFrNB--djg/Tak5bqssNCI/AAAAAAAAALo/8prm-0SjfQU/s200/botticelli01_nascimentodevenus.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 154px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5596067159465538594" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Na fila da padaria, ele a viu pela primeira vez depois de muito tempo. Antes de vê-la, seu nome fora ouvido, pronunciado sílaba por sílaba, por aqueles lábios que tanto cobiçara em segredo. Ao sentir a fala macia, não hesitou em se virar de imediato para contemplar a dona da voz que o chamava. Seu nome - dito pela frágil boca delineada por fantasias pueris -, ressoava pela circunferência de seu orifício acústico no doce ritmo do coral de serafins. “Ann-Dréé” - Ela dizia, fazendo biquinho, com seu inconfundível sopro divinal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Quando se virou para ver se aquele rosto correspondia com os sonhos infantis que ficaram impressos em sua memória afetiva, teve uma grata surpresa. Estava ainda melhor do que antes. Que rosto harmônico! Olhos, boca, nariz, orelhas, todos encaixando simetricamente no contorno daquele rosto em forma do frescor de maças orvalhadas pela manhã. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ela esboçou um sorriso por ele tê-la reconhecido - afinal, já se passara muitos anos desde a última vez que se viram. Porém, à mínima aproximação do seu rosto ao dele, para tentar beijá-lo - talvez como um mero cumprimento social -, ele recuou constrangido. Não sabia se ela percebera esse pequeno movimento para trás, afastando-se. Estava suado, com a barba por fazer, roupas amassadas, precisando de descanso e de um bom banho para exorcizar as impurezas de um longo dia de trabalho. Aquele homem selvagem, ainda não civilizado pela cama de seu quarto, não poderia infectar a harmonia do rosto de seus sonhos. Uma beleza virginal, intocável, de mulheres não-virgens. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Havia algo que jamais conseguiria assimilar entre o mundano e o que não se toca. Estranha conjunção de opostos. Por que não poderia tocá-la? Contaminá-la com o se suor de homem do mundo? Aparentemente, nenhum sentido se impunha. Mas nas entrelinhas, um sentido repousava à espera de eclodir em grande estilo na cena final. Uma beatitude magnífica encerrava-se naqueles lábios. Sua virgindade residia exatamente na sua história com muitos homens. Talvez fossem seus amores que a santificassem. Sabia que vários homens descansaram sobre seu corpo nu, após os frêmitos e espasmos de uma vibrante noite. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Embora imaginasse insólitos detalhes, não vivenciara um desprezo imaculado pelo que conhecia dela. Passou a desejá-la ainda mais. Sua beleza se incrementara pelos alinhavos tortuosos dos oito anos de diferentes escolhas que os separavam. A riqueza de uma vida complexa deixara-a irradiando encantamentos. Mas ele continuava lá, obstruído pelo recuo diante da possibilidade de receber um beijo, terceiro contato - talvez nem tão íntimo -, no acaso daquele reencontro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O primeiro contato - pois assim o considerava - fora a ressonância da voz de mulher, chamando os eu nome, enquanto esteve de costas para ela na fila do caixa. O segundo contato, não menos que o primeiro, fora a contemplação daquele rosto de mulher que mais parecia uma pintura renascentista, e a troca de olhares que o penetrou fundo na alma. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Não tinha condições para afirmar que a amava, mas seu infame recuo pôde denunciar que algum afeto atravessou seu corpo durante os fortes impactos da audição e da visão. Não era uma virgem imaculada. Era a mácula que a fazia virgem. Era virgem dele, de seus toques, de seus beijos, mas não de seus pensamentos. Mas naquele instante, quando teve oportunidade, justamente por iniciativa dela em beijá-lo, não foi capaz de tocá-la. Talvez fosse mais conveniente possuí-la &lt;st1:personname productid="em pensamento. Não" st="on"&gt;em pensamento. Não&lt;/st1:personname&gt; queria se culpar por um passo em falso, desastroso, que colocasse seus sonhos a perder por uma mal-sucedida realização do seu desejo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Percebendo o seu sutil recuo ao tentar formalmente cumprimentá-lo, primeiro achou que se tratasse de uma atitude vaidosa de homem burguês. Depois se lembrou que na faculdade ele era conhecido por seu comportamento anti-social, e que não havia mudado em nada naqueles últimos anos. Mas pouco deu importância a esse fato. Ela não se sentiu rejeitada nem menosprezada em relação àquele homem. Simplesmente não se reduziria à insignificância de um gesto que talvez fosse sinal de timidez. Ela deu de ombros e iniciou um diálogo com ele. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Conversaram a respeito de suas aptidões, escolhas profissionais, além dos vários descaminhos que impedem a união continuada dos amigos e companheiros de jornada. Ela disse que renunciou provisoriamente sua sublime vocação pela arte para favorecer sua formação médica. Ele se ressentiu por um talento perdido, mas sabia que suas virtudes seríamos aplicadas em sua carreira de saúde. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Com muito esforço ele se concentrava naquele diálogo, pois insistentemente a malévola beleza da mulher o invadia, atormentando-o com o desejo que o impossibilitava de tocá-la. Ela agia naturalmente, sendo que tocá-lo ou não, não era uma questão e não fazia a menor diferença. Já ele, ao contrário, não pensava em outra coisa, talvez divinizando de tal maneira aquele momento, que retornava sobre ele como um demônio da paixão, cegando-o. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Enquanto conversavam, nem se deu conta que o caixa já estava registrando seus produtos e contabilizando o valor a ser pago por ele. Não poderia prestar atenção em nada além da tentativa de dar tempo ao tempo para tomar coragem para beijá-la e abraçá-la, pelo menos na despedida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A funcionária do caixa, após terminar de ensacar suas compras, virou-se para ele e disse o preço. Ele pegou o dinheiro, contou as notas e entregou-lhe o valor anunciado. Num ímpeto, segurou as sacolas com as compras, acenou de longe para sua paixão secreta e foi rapidamente embora. Ela pôde tocá-la. Era intocável - afirmava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Cada um seguiu para um lado. Ela, pensando sobre sua verve artística deixada para trás em favor da medicina. Ele, não pensava em profissão nem coisa alguma parecida. Em sua mente, apenas o rosto dela ocupava o coração solitário. Um único afeto corroia-lhe a alma: A beleza virginal das mulheres não-virgens. Seu coração não era intocável. Havia sido tocado sem sentir que ela o tocasse. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-4828917328311032949?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/4828917328311032949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=4828917328311032949' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/4828917328311032949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/4828917328311032949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/04/toque-me.html' title='Toque-me!'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-mVFrNB--djg/Tak5bqssNCI/AAAAAAAAALo/8prm-0SjfQU/s72-c/botticelli01_nascimentodevenus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-4954808850200933015</id><published>2011-04-13T13:30:00.000-07:00</published><updated>2011-04-13T13:35:00.747-07:00</updated><title type='text'>O Vulto.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/-YG-djziwHWw/TaYIG005HqI/AAAAAAAAALg/6fdEjO2bB54/s200/espelho.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 162px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5595168500407148194" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Ao atravessar a esquina de sua casa, ele surgiu. Corpulento, olhar penetrante, assustador. Ficou lá, parado, observando-o fixamente. Ao vê-lo, logo que se deparou com ele, quis gritar, mas acalmou-se a tempo para tentar compreender aquela inusitada presença. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Antes mesmo de tirar qualquer conclusão, precipitou-se em fuga, pois tal encontro estava tornando-se insuportável, sem a menor condição para elaborar essa angústia. Quando minimamente se movimentou para escapar de tal estranho encontro, a aparição repetiu exatamente os mesmos movimentos do fujão. Sem pestanejar, notando o fenômeno que se delineava à sua frente, estancou os passos imediatamente e retomou o contato visual com a obscura criatura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Chegou ainda mais perto do vulto, tomando coragem, e com isso percebeu que não se tratava de uma sombra, mas sim de uma silhueta colorida e transparente. Estranhou as feições da aparição. Tinha um traço familiar. Ficou com a impressão que conhecia sua fisionomia de algum lugar. Mas de onde? Quem será?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A estranha presença continuava a imitar seus mais insignificantes trejeitos. Tinha uma sintonia fantástica. Parecia que havia treinado e ensaiado seus movimentos com fidelidade, como se todos fossem previsíveis ou mesmo que, sem explicação, já houvessem acontecido num passado próximo ou remoto. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;       &lt;/span&gt;Embora já quase derrotado, sucumbindo diante da enigmática presença, não tendo mais quase nenhuma energia para resistir, conseguiu vencer a hipnose que se exercia sobre ele. Rompeu o campo de força astral que o mantinha prisioneiro. Cortou o que o amarrava ao solo, sua inércia - paralisia psíquica causada pela familiar estranheza -, e começou a sacudir os braços como se estivesse num circo dos horrores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Espichou o braço esquerdo e tentou tocar o rosto do seu assustador semelhante. Com riqueza de detalhes, o vulto seguiu-o, repetindo simetricamente seu gestual. Ao erguer sua mão, o outro também ergueu a sua, simultaneamente, bloqueando a possibilidade de ter seu rosto tocado. Encontrou apenas a mão do outro. Essa mesma situação ocorreu em todas as demais tentativas de tocar outras partes do corpo do vulto. O levantar de seu braço era seguido com o levantar do braço do outro. Em qualquer parte que tentasse encostar com a mão, só conseguia tocar na mão da criatura. &lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Pensou em fazer diferente. Tentou pegá-lo distraído. Preparou o bote para acertar a barriga do vulto com a cabeça. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;  Ao dar a cabeçada, movimentando-se repentinamente - antes que o outro ameaçasse antecipá-lo - no mesmo instante o vulto se abaixou e ambos bateram a cabeça uma na outra, testa com testa. Logo se deu conta que era impossível pegá-lo desprevenido. Ele talvez fizesse excelente leitura corporal. Sabia de seus mais finos movimentos de antemão. Não podia bater com uma parte de seu corpo em outra parte do corpo do outro. Só batiam joelho com joelho, cabeça com cabeça, mão com mão, jamais diversificando essa angustiante repetição.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Mesmo já ciente dessas regras que a aparição impôs a ele, uma vibração maligna apoderou-se de sua alma e o obrigou a levar sua mão até a garganta do vulto para apertar seu pescoço. Suspendeu o braço e o levou em direção ao pescoço do vulto - agora sua vítima -, para enforcá-lo. Como não poderia ser de outro modo, o vulto fez exatamente o mesmo percurso com o braço, encontrando-o com o seu próprio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Frustrado e impotente por mais uma tentativa fracassada, esbugalhou os olhos e lançou um ódio mortal para a aparição. O vulto repetiu o mesmo gesto. Só que dessa vez, ele sentiu-se sufocar, como se estivesse sendo enforcado. Não havia nenhuma mão enlaçando seu pescoço. Ambos estavam com os braços soltos, para baixo. Ensaiou um grito de pavor, mas pela falta de ar, reprimiu a voz. Ficou com os olhos lacrimejando e quase fechados, pela dor do sufocamento. Mas foi o suficiente para ver que o vulto repetia a mesma cena de desespero, com a diferença que esboçava um sorriso, podendo ouvir um som nada modesto de sua risada. Ele não ouvia o som da sua própria voz, mas conseguia escutar os grunhidos de deboche vindos do vulto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Mesmo sem compreender, começou a sentir que talvez não fosse o vulto que repetisse os seus gestos, mas ao contrário, inversamente, fosse ele próprio que repetisse os gestos do vulto. Ele era secundário em sua relação. Seus gestos nada tinham de espontâneos. Talvez ele fosse controlado por linhas invisíveis. Um boneco de marionete comandado pela habilidosa e perversa mente do vulto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Como isso tudo acontecera justamente no horário comercial, os pedestres que caminhavam pela calçada, em sua direção, ao se confrontarem com a performance nada convencional do tal cidadão, no meio da rua, espantavam-se, e se desviavam de suas rotas apavorados. Ele, por sua vez, mergulhado em sua devastadora visão, imaginava-se sozinho, sem dar a mínima atenção à multidão que incessantemente passava por ali. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Um dos transeuntes, ao invés de desviar como a maioria, sem temer aquilo que parecia um verdadeiro ritual macabro, aproximou-se e o abordou, dizendo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- O que está fazendo? Está tudo bem com o senhor?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Pela ausência de resposta, mas sem desistir da abordagem, continuou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Talvez precise de ajuda... Quer que eu o ajude? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Novamente, silêncio total. Ele ignorava a presença da pessoa que, solícita, oferecia-lhe ajuda. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;    &lt;/span&gt;Antes de ir embora, a pessoa que insistia em se demorar por ali, ainda perguntou com quem ele estava falando. Afirmou que não havia mais ninguém conversando com ele além dela. Tentou convencê-lo que não tinha ninguém à frente dele. Mas tudo &lt;st1:personname productid="em vão. Ele" st="on"&gt;em vão. Ele&lt;/st1:personname&gt; não via nem ouvia a pessoa que lhe oferecia ajuda. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ela então, percebendo ser ignorada, deu marcha ré, desviando-se dele, e seguiu seu destino. Mas ainda sem se despir de suas últimas gotas de caridade, avaliou a possibilidade de telefonar para a viatura dos bombeiros e informar-lhes que havia um homem falando sozinho diante da vitrine de uma loja &lt;st1:personname productid="em plena Avenida Nossa" st="on"&gt;em plena Avenida Nossa&lt;/st1:personname&gt; Senhora. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-4954808850200933015?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/4954808850200933015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=4954808850200933015' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/4954808850200933015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/4954808850200933015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/04/o-vulto.html' title='O Vulto.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-YG-djziwHWw/TaYIG005HqI/AAAAAAAAALg/6fdEjO2bB54/s72-c/espelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-7768416137245415477</id><published>2011-04-10T10:26:00.000-07:00</published><updated>2011-04-10T10:30:09.781-07:00</updated><title type='text'>Lágrimas e Suores.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/-FNEp03tQnjo/TaHoOrRaPLI/AAAAAAAAALY/vKc3TdiDTlI/s200/amor-e-odio.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 133px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5594007551002426546" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Com o andar macio, ele abriu a porta da área de serviço e caminhou em direção à sala. Sua mulher assistia a um programa de televisão já quase adormecendo. Ainda de mansinho, aproximou-se da esposa. Abraçou-a por trás e beijou o seu pescoço. Por não ter ouvido nenhum barulho de alguém chegando perto, levou grande susto e soltou um grito - sendo pega desprevenida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ao vê-lo, ela se alegrou, mas não se satisfez em sua presença por muito tempo. Sentiu-se desprezada por ele ter demorado em voltar para casa e nem ter avisado. Durante o frenesi do susto por tal atitude inusitada, com o sabor do beijo em seu pescoço, virou-se para ele, ameaçando tirar satisfações com aquele que considera um marido indolente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Antes de ela manifestar qualquer ressentimento, tomou-a nos braços e a beijou nos lábios com inigualável impacto emocional e uma dilacerante libido. Ela deu alguns soquinhos nas costas do marido - apenas para fingir que resistia à sedução -, mas já estava completamente entregue àquela paixão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Após o efeito hipnótico do beijo, a mulher segurou o rosto do marido com as duas mãos, esboçou um sorriso e acariciou seu rosto. Logo depois seu semblante se alterou quase que por inteiro: Olhos saltando das órbitas, cenho franzido, dentes cerrados e lábios contraídos. Ela fechou o punho e desferiu um monumental bofetão no meio da cara do indefeso marido. O golpe o surpreendeu de tal maneira que ficou um tempo perplexo, não pela dor do soco - que não foi pouca -, mas por jamais ter imaginado que sua esposa pudesse ter uma reação tão radical. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Enquanto durou sua perplexidade - também esperando passar a paralisia de sua face pela forte bordoada que levara -, ponderou sobre o fato de ter sido aquela a primeira vez que apanhara. Sempre era ele que batia em seus coleguinhas no colégio. Em casa, quando o cinto estalava e o chinelo cortava o ar, ele já estava bem longe, pois não foi à toa que se tornara campeão de corrida nas olimpíadas juvenis.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Estavam casados há poucos meses, mas já era tempo suficiente, pelos repetidos atrasos do marido, para que ela desse espaço às dúvidas sobre suas reais intenções. A desconfiança surgiu no exato instante em que, num evento importante do casal, quando jantavam num elegante restaurante da cidade, o telefone do marido tocou e ele, suando frio, deu uma desculpa esfarrapa à esposa, alegando compromisso de trabalho, e saiu às pressas, deixando-a sozinha e sem pagar a conta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Desde aquele dia, passou a controlar os passos do marido, descobrindo que o trabalho era o que menos consumia o seu tempo. Então, se não se dedicava a nenhuma atividade de conhecimento da esposa, era porque estava substituindo sua preciosa família com outras mulheres e jogos de azar. Ao pensar nessa hipótese - quase certeza inabalável - de traição e desperdício, arrepiava-se por inteiro e um horripilante calafrio percorria-lhe a espinha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Logo que iniciou a vigilância contínua do marido, quis imediatamente se divorciar, talvez voltar para a casa da sua mãe - embora não soubesse se ela iria recebê-la bem por causa da separação -, mas sempre que seu marido a tomava nos braços e a beijava, não resistia aos seus encantos e amolecia o corpo todo. Foi aí que pôde compreender o significado da expressão “fazer corpo mole”. Pois ao simples toque daquele homem desgraçado e miserável que a traía com outras mulheres e desperdiçava o dinheiro em jogos ilegais, ficava totalmente derretida e dominada, perdendo qualquer reação de resistência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ela cedia. Sempre acabava cedendo. As amigas a apoiavam quando o assunto em questão era a ofensiva contra o canalha do marido. Mas ao confessar sua paixão por ele, as mesmas amigas a ofendiam e chamavam-na de masoquista. Será que de fato ela era isso que suas amigas a chamavam? Mas não sentia prazer em sofrer, de jeito nenhum. Essas amigas ingratas que só tem inveja de sua felicidade! - Ponderava a esposa com convicção. Mas logo declinava de sua sensibilidade, apostando novamente na maldita situação daquele marido imundo, mergulhado até a alma na lama do pecado. Exatamente nos momentos em que achava que estivesse exagerando nas acusações contra o marido, sentia-se culpada em pensar tanta besteira e tentava amenizar com sentimentos amorosos sobre seu homem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Temia estar enlouquecendo. Será que estava se boicotando? Afinal, mesmo chegando diariamente em casa nos horários mais inadequados possíveis, ele nunca deixava de abraçá-la e de beijá-la com muita paixão. Não resistia àquilo tudo. Ela o odiava na sua ausência, pensando em suas supostas traições, elaborando as mais bárbaras vinganças, mas ao se sentir envolvida nos braços calorosos do homem que antes odiava, caía em tentação e cedia à paixão diante da maciça presença do marido. Desarmava-se e diluía qualquer plano de esganá-lo. Seu corpo tremia e novamente se entregava por inteiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Os frequentes tapas na cara, as resistências, os soquinhos nas costas, tudo isso fazia parte de um ritual que estava menos a serviço de uma legítima luta contra o devasso marido, do que como um ingrediente apimentado para desembocar no êxtase horizontal. Os berros, as ameaças, as lágrimas derramadas e a saliva expelida durante clímax do ódio pela traição - esbravejando o destino cruel que fez daquele casamento uma catástrofe total -, convertiam-se em gritos de prazer, sussurros de êxtase e suores abundantes que lavavam ambos os corpos na beatitude do sexo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;As desconfianças da esposa jamais foram comprovadas. E as violentas cenas de amor e de ódio, continuaram se repetindo com faíscas cada vez mais potentes. Aquela relação concentrava combustíveis altamente inflamáveis para alimentar o avassalador motor da paixão. Não perdia o fôlego em sustentar o ódio mortal que nutria pelo marido em sua ausência - imaginando as situações mais grotescas de traição -, mas que em sua presença, transformava o ódio num amor violento e furioso que se resolvia na cama, até terminar numa perene e angelical troca de carícias e juras de cumplicidade eterna. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-7768416137245415477?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/7768416137245415477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=7768416137245415477' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/7768416137245415477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/7768416137245415477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/04/lagrimas-e-suores.html' title='Lágrimas e Suores.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-FNEp03tQnjo/TaHoOrRaPLI/AAAAAAAAALY/vKc3TdiDTlI/s72-c/amor-e-odio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-1912723272543366396</id><published>2011-04-05T18:16:00.001-07:00</published><updated>2011-04-05T18:20:58.717-07:00</updated><title type='text'>Estilhaços de Alma</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/-x9Xl7lgkgoM/TZu_GKTNKrI/AAAAAAAAALI/vGfMDxIut40/s200/alma.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 148px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592273474875632306" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Antero tinha a alma despedaçada. Ainda jovem, espatifou-a no primeiro grito que deu ao ser cutucado por um colega em plena sala de aula. Tentou resistir, mas já era tarde. Sua alma já havia se quebrado em infinitos caquinhos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Os estilhaços da alma perseguiam Antero como a sombra que fareja seu dono - fiel e inseparável. Às vezes, pela imantação do seu corpo ao caminhar, atraía os caquinhos que, ao retornarem às origens, reagrupavam-se em uma nova sintonia entre si. Quando voltavam, vários formatos surgiam. Podiam parecer um cão, ou uma ovelha ou mesmo uma lagartixa - assim como as nuvens que formam diversas imagens dependendo de quem as olha -, mas nunca se reuniam no formato ideal que se espera de uma alma tipicamente humana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Sempre que a alma formava outro ser, Antero se comportava de acordo com o que o figurino mandasse. Transformava-se na criatura que a alma indicasse. Seu pior sofrimento foi quando a alma se reordenou no formato de um fixo cabide de plástico. Ficou lá, imóvel, trancado num armário, durante dias, até sua alma esfacelar novamente e persegui-lo como uma poeira espacial. Seus vizinhos ficaram preocupados. Pois demoraram para encontrá-lo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Uma semana depois, ao vitimarem a porta - que arrombada jazia no chão -, acharam Antero estatelado dentro do seu armário. Chamaram uma ambulância para levá-lo ao hospital, mas nesse ínterim, a alma desmanchou o formato de cabide, caindo como farelos apátridas aos pés de seu dono. No instante em que a ambulância chegou, sua alma virou um protótipo de gaivota, alçando voo para além das neblinas que repousavam à janela do seu quarto, e rumou em direção ao horizonte&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Naquele mesmo dia, ele foi encontrado num laguinho perto de sua casa, nadando com a placidez de um marreco selvagem. Resistiu bravamente antes de ceder à fatalidade de sua captura. Amarrado numa camisa de força, Antero foi conduzido ao hospício público. Chegando lá, aplicaram-lhe poderosos sedativos. Quanto mais se debatia, e as asas de marreco nascido na natureza - domesticado a força -, cortavam e sangravam ao rasparem nas grades da maca hospitalar, mais sua alma se esfarinhava, macerada que estava, diminuindo rapidamente até se reduzir a um pozinho imperceptível. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Logo, aquela relutância toda, indolência de alma partida, fora vencida pela eficaz química dos homens. Antero foi readquirindo sua forma humana e teve a violência de sua primitiva voz, apagada. Não mais se debatia nem fazia força para se soltar das cordas que o mantinham deitado no leito. Seu grito rebelde se silenciou. A selvageria se humanizou. Sua insubordinação converteu-se em solicitude. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A situação da alma de Antero estava tão decadente - parecendo uma farinha de vidro moído -, que os médicos tiveram que terceirizar os serviços, contando com a ajuda de um famoso artesão da cidade para recuperar aquela alma. Eles já contabilizando em seus currículos, o fracasso dos religiosos que lá estiveram para beatificarem a alma, em frangalhos, irrecuperável que estava pelas orações e exorcismos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O artesão, munido de uma cola instantânea, de boa qualidade, e de um cinzel afiado, esculpiu a alma, devolvendo-a ao modelo humano. Alguns pedacinhos, perdidos ao longo dos passos de seu dono, aspirados por narinas alheias, ventilados em dias de tempestades ou espanados por alguma faxineira desatenta, ficaram faltando na obra final. Alguns buraquinhos, pela ausência das partes perdidas, ficariam visíveis caso alguém os olhasse bem de pertinho. Mas nada que afetasse o conjunto total da obra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Após o término da convalescência, com muito custo, Antero se levantou. Sem o costume de se erguer com as próprias pernas, pelo tempo que ficou sedado no hospital, além de sentir o enorme peso da escultura humana que o fazia se inclinar para trás - o novelo colado que sua alma se tornou -, ele se despediu dos enfermeiros e retomou o rumo de sua vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Sua alma nunca mais mudou de formato. Ficou condenada ao mesmo molde, eternamente. Sem ser mais versátil, aquele fardo pesado obstruía a estranheza alheia. Talvez Antero não pudesse controlar sua alma, na época em que ela tinha livre-arbítrio de se transformar no que bem entendesse. Mas era justamente essa autonomia que permitia que ele voasse em seus sonhos. Arrastando-se em sua vida enfadonha e comum, não era mais chamado de louco ou de diabo em forma de gente. Virou um a pessoa normal. Monótona normalidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Além de tudo, como sua alma foi colada para que voltasse a ter o formato humano - sabendo que farelo de vidro misturado à cola vira um composto cortante: o cerol -, Antero virou um Rei Midas ao contrário. Golpe final de uma alma ferida e vingativa. Enquanto o tal rei estava condenado a que tudo ao seu redor virasse ouro, com o seu simples toque, inclusive seus sentimentos - engessados numa fria e maciça pedra dourada -, Antero fazia sangrar todos aqueles que ousassem tocá-lo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;E assim, ele seguia sozinho em sua desventura. Antes isolado por assemelhar-se a um louco, agora apartado por causar cortes profundos. Depois de afastado pelo medo de seu espírito liberto, passou a enganar. Visivelmente perfeito, não mais repelia. Atraia pela irresistível beleza esculpida pelo artesão. Mas ao se aproximar dele, ninguém saia ileso. Todos levavam consigo as cicatrizes daquele encontro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;De cães, ovelhas, lagartixas e até cabides, embalagens que continham uma variável e autêntica alma humana, embora não parecesse humano, foi moldado até se tornar homem apenas na aparência, tendo como alma, uma substância cortante e letal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Violentado e ferido para se humanizar, passou a violentar e ferir os homens. Não poderia ser diferente do que uma bela escultura de cerol. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-weight: bold; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-1912723272543366396?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/1912723272543366396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=1912723272543366396' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/1912723272543366396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/1912723272543366396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/04/estilhacos-de-alma.html' title='Estilhaços de Alma'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-x9Xl7lgkgoM/TZu_GKTNKrI/AAAAAAAAALI/vGfMDxIut40/s72-c/alma.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-6842283907658320997</id><published>2011-03-31T21:28:00.000-07:00</published><updated>2011-03-31T21:36:56.750-07:00</updated><title type='text'>Quando o Sonho Vive</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-wWa-2hnP8H4/TZVUqcD1yII/AAAAAAAAALA/_FVpyG6pmjM/s200/Sonho.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 134px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5590467600513878146" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;- Você está aqui, meu querido? Não consigo vê-lo...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Estou sempre ao seu lado! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Mas eu não posso tocá-lo...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Já eu, estou envolvendo-a em meus braços.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Sinto-me tão feliz em sua presença...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Não ficarei nem uma noite sem visitá-la, meu amor!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Não compreendo essa situação... O que nos impede de estarmos juntos o dia inteiro? Desejo-o sem interrupções, continuamente!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;- Você conhece o motivo... Não estar com você no restante do tempo, não significa amá-la menos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;- Eu sei... Mas eu o amo tanto, tanto... Não posso nem tocá-lo e nem vê-lo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Mas você sente a minha presença. Sente meus carinhos, meus beijos, meu toque. Você não disse que isso lhe faz feliz?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Sim... Isso me faz feliz... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Então... Jamais a abandonarei! Eu a amo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Mas não é o suficiente... Eu quero tê-lo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Nesse instante, ao proferir sua última frase de forte apelo material, a presença sensível de Tadeu dissipou-se tenazmente diante de uma mulher ensimesmada. Sara não queria acordar, mas sofrera um impacto irreversível ao se implicar na consistência fugidia do amado. Há alguns anos começara a receber a visita de Tadeu em seus sonhos. No início ela se assustava com a aparição de um vulto que a observava timidamente. Caso não sonhasse na primeira vez em que adormecia - ao se deitar à noite - e despertasse sobressaltada por alguma razão, voltando a adormecer, Tadeu invadia o domínio onírico de Sara, na segunda tentativa, prosseguindo arduamente com suas conquistas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;De sonho a sonho, ele foi se aproximando vagarosamente. No início, depois que Tadeu saiu das sombras, levaram algum tempo apenas se olhando. Ao longo do estado de vigília, a impressão deixada era que os sonhos tinham um ritmo repetitivo, recorrente, como se fossem passados de quadro a quadro. Mas enquanto eram sonhados, causavam imediatas formações, em plena rapidez, como se a sucessão dos acontecimentos ocorresse em velocidade normal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Essa dinâmica do diurno e do noturno assemelhava-se àquelas técnicas de animação, em que pontinhas de folhas dobradas, cada uma com um desenho numa posição, ao serem, folheadas numa determinada sincronia, produziam uma ilusão de movimento. O sonho correspondia ao falso movimento - as páginas folheadas rapidamente. A vigília, quando cada página permanecia aberta por intermináveis dias, na velocidade mínima de uma câmera lenta. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Sara já estava uma mulher idosa. Há mais de cinquenta anos, Tadeu habitava seus sonhos. Entrou de fininho, e nunca mais deixou de frequentá-los. Mesmo havendo resistência de Sara no princípio dos encontros noturnos, ambos foram se conhecendo, adaptando-se um ao outro e criando intimidade. No sonho, o tempo da aproximação, da conquista e da convivência, até aquele instante, era apenas o equivalente há alguns meses apenas - um período muito curto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Mas Sara, cronologicamente, já havia envelhecido. Muitas histórias aconteceram na vida de Sara enquanto se instalava o processo do amor em seu mundo onírico. Casou-se, teve filhos, netos, enterrou seu marido - uma perda muito dolorosa -, conheceu novas pessoas, teve momentos de alegria e tristeza. Viveu durante todo esse tempo na transitoriedade cotidiana, mesmo com os limites impostos pelas circunstâncias. Embora sentida como a eternidade de uma vida sofrida, que demorava a passar, era somente ao se virar para trás que se tinha a percepção de que importantes momentos foram se desmanchando através do implacável fluxo da existência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Apesar de a juventude de Sara se manter durante o sonhar, o seu corpo real tornara-se portador dos signos de um intransigente passar dos anos. Em essência, continuava a mesma pessoa. Mas a figura palpável de Sara não mais acompanhava seu espírito jovial, arredio e apaixonado. A idade física insistentemente tropeçava na vivacidade de sonhadora. A sombra que a perseguia, como fantasma das cenas vividas, transformara-se no ser amado, sua companhia fora da vida material - embora não houvesse nada mais real do que os afetos transmitidos naquelas experiências oníricas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Esse amor não era clandestino, mas também não era declarado. A realidade dos sonhos, paralela à vida cotidiana, apenas a afetava nos instantes de sonhadora. A repercussão da história onírica - embora Sara não estivesse alheia às divagações noturnas - não invadia sua privacidade e realizações diárias, no mundo concreto. Era um sentimento pontual que lhe tomava a matéria corporal e o fluido vital, vivenciado por cada centímetro da alma. Mas não teria motivo para ser guardado como um segredo, pois após os sonhos, o resíduo do que passou se diluía, regredindo à inexistência. Em vigília, enquanto não-ser, os sentimentos pereciam, flutuando impalpáveis, mas era só voltar a dormir que eles se condensavam no ser, repetindo a densidade na ausência da vida material.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Querida, nosso grande momento está chegando. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Que grande momento é esse?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Você sabe...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Não, não sei. A única coisa que eu quero é não mais me afastar de você. Os intervalos sem a sua presença, durante o dia, são intermináveis. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Pois é... É sobre isso mesmo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Não acredito! Como assim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Essa é a surpresa. Você verá...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Aí, ai... Estou ansiosa. Como será isso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Você saberá no momento certo. Não posso antecipar detalhes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Quanto mistério! Mas não me importo... O importante é que viveremos um para o outro, sempre, sem distâncias!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- É isso mesmo! Fomos feitos um para o outro... O tempo em que não mais nos afastaremos está bem próximo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;Ainda de olhos fechados, sonhando, Sara suspirou de felicidade. Mas já estava acordando. Tentou ficar ainda um pouco deitada, sentindo as emoções daquela noite. Abriu os olhos e ficou lá, lembrando-se dos últimos acontecimentos. Pela primeira vez, o resíduo das sensações vividas não desapareceu por completo, como nos demais dias. Os registros das palavras de Tadeu, seus beijos e abraços, não saiam de sua memória. Seus afazeres domésticos e todas as demais atividades cotidianas foram intempestivamente interrompidos pelas ardentes lembranças de Tadeu. Não mais pareciam meros sonhos. Ele estava invadindo seus pensamentos também durante o dia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Sara começou a confundir sobre qual era seu estado naquele instante. Sua consciência estava alterada. Já estava acostumada com os percalços da idade. Sabia que em algumas condições podia se sentir estranha, ter náuseas ou mesmo falhas de memória, mas o que estava se passando com ela era absolutamente diferente de qualquer situação pela qual já passou. Já que ficou daquele jeito, não teve outra escolha além de passar o resto do dia na cama, resgatando afetivamente todos os momentos ao lado de Tadeu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ela nunca teve tantas recordações materiais do convívio onírico com Tadeu. Quando se lembrava de algo em vigília, era uma lembrança desafetada, pois sempre acreditou que um sonho nada mais era do que apenas um sonho. Afastava qualquer ideia teimosa que chegasse. Afinal, o que era aquele romance de sonhadora? Quem era Tadeu? Um sonho, sempre um sonho! Mas dessa vez, Tadeu estava lá, presente, material, habitando a atmosfera astral de Sara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A noite novamente se aproximou e com ela, o sono chegou. Sara não resistiu &lt;st1:personname productid="em adormecer. Deu" st="on"&gt;em adormecer. Deu&lt;/st1:personname&gt; antes umas breves piscadas, relutando um pouco pelo sono que veio sem ser anunciado, mas foi rapidamente vencida pelo cansaço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Quando chegou, Tadeu já estava à sua espera, satisfeito e emocionado. Uma lágrima rebelde escorreu pela delicada e jovial mão de Sara, ao tocar levemente o rosto de Tadeu. Eles se abraçaram com força e carinho. Nunca mais se sentiriam desamparados. Estavam acolhidos pelo encontro daqueles dois corpos, que no abraço, fizeram-se um. Ambos estavam lindos, radiantes, queridos. A partir daí, nunca mais se deixaram. Estavam unidos. Dia e noite sempre juntos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;       &lt;/span&gt;Na cama, o semblante de Sara transmitia uma suave alegria. Ao longe, sinos eram ouvidos. O canto dos pássaros, os sons das folhas balançando ao vento, a brisa nas faces amorosas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Desde então, Sara nunca mais acordou...&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;    &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-6842283907658320997?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/6842283907658320997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=6842283907658320997' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/6842283907658320997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/6842283907658320997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/03/quando-o-sonho-vive.html' title='Quando o Sonho Vive'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wWa-2hnP8H4/TZVUqcD1yII/AAAAAAAAALA/_FVpyG6pmjM/s72-c/Sonho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-2396354112269230234</id><published>2011-03-24T23:59:00.001-07:00</published><updated>2011-03-25T00:53:50.316-07:00</updated><title type='text'>O Amor do Ódio.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-TrbD8e00dFw/TYw9cL6DfpI/AAAAAAAAAK4/bnMXcrHyG10/s200/cancao_de_morte.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5587908792101863058" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Quanto tempo ainda me resta, doutor?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- ...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;/span&gt;- O que farei com isso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- ...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;/span&gt;- Quer que eu siga a minha vida? Mas como?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- ...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;/span&gt;- Você diz que nós todos morreremos... Sei disso! Só que a maioria não sabe a data de sua morte. Não se angustiará com isso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- ...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;&lt;/span&gt;- Tentarei, prometo. Farei um esforço para por em prática os seus conselhos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- ...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Sim... Tenho o seu número. Sei que posso contar com o senhor se precisar. Mas para que servirá um médico agora que não mais evitaremos a fatalidade?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- ...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Ok... Recomendações à família. Tenha uma boa tarde. Pena que o senhor não poderá dizer o mesmo para mim. Espero reencontrá-lo mais um dia ainda. Sei que o senhor fez tudo que pôde. Confio no senhor, doutor. Adeus...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;Pesaroso e calado, Saulo foi se retirando do consultório. Se não fosse um movimento involuntário - a respiração -, passaria a duvidar se teria valor continuar enchendo seus pulmões de ar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Antes de sair, meio a contragosto, por ter sido vencido pelo impacto da notícia, teve que se demorar por alguns instantes na sala de espera para se recuperar. Estava com um formigamento espalhando-se pelo corpo, muita fraqueza e pernas bambas. Fez um exercício de relaxamento discretamente, que aprendera numa aula de ioga em tempos remotos, pois começara a suar frio e a ter tonteira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ficou um pouco constrangido quando a secretária, percebendo algo estranho com ele, perguntou se queria alguma ajuda. Ele negou qualquer mal, agradeceu a gentileza, levantou-se e se despediu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Já na rua, desconsolado, mesmo estando um ensolarado dia, trovejava nos conflituosos pensamentos de Saulo. Andava em círculos, num itinerário obscuro. Parecia que tinha acionado um sistema automático, em plena inércia, sem se dar conta que andava, muito menos para onde ia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ao tomar consciência de seus passos, orientou-se em direção à sua casa. No caminho, a retrospectiva de sua vida iniciou o percurso da projeção de um curta-metragem. Já não era tão jovem, mas sua história poderia ser resumida em poucas palavras. Compreendeu que algo fundamental faltava, como uma última peça para completar o quebra-cabeça. Uma pequena coisa, porém de enorme verdade, continuava desencaixada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Esse fato - uma ausência que o impedia de finalizar harmoniosamente sua vida como num extenso e glorioso painel - passou a incomodá-lo mais do que a informação dada pelo médico que sua existência estava por um fio, com os dias contados. Mas o que seria essa parte essencial de sua vida que faltava? Era realmente essencial? Ou por ser tão importante, era justamente esse o motivo que a fazia faltar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A figura austera do médico que lhe dera a aterradora notícia - assinando sua sentença de morte -, retornou à alma conturbada. O doutor possuía mais idade do que Saulo. Era um médico familiar que lhe acompanhara durante um tempo considerável. Saulo o endeusava como uma sábia personalidade. Muito notório naquelas redondezas, ficou famoso pela precisão diagnóstica, concebendo aos seus pacientes, eficientes estratégias de tratamento - com as quais atingia a cura na maioria dos casos. Por chegar a essa conclusão - justamente por isso - não conseguia entender o descaso sobre a possibilidade do seu tratamento. Por que não detectou sua doença enquanto ainda era tempo para curá-lo? Foi imediatamente decretando o fim de tudo, sem oferecer nenhuma alternativa para amenizar seu fardo e sofrimento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Saulo passou a se indagar, perante a competência clínica de seu médico, sobre a gravidade e o avanço de sua enfermidade. Mensalmente marcava consultas. Fazia visitas regulares ao seu consultório. Por sua frequente presença, não tardou em acrescentar um vínculo empático e afetuoso àquela relação. Não mais se reduzia a laços estreitamente profissionais. Ficaram muito íntimos, amigos confidentes. Quando estava em seu consultório, Saulo comentava passagens de sua vida e, como retribuição, ouvia pacientemente - pois não seria diferente disso - os dramas sentimentais do doutor. Era uma relação hospitaleira, que apesar do que essa palavra indica, nunca sabia ao certo se declinaria ou fortaleceria o vínculo médico-paciente. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Pelo menos de uma coisa tinha certeza: Aquela amizade precisaria sobreviver à sua prematura partida. Saulo não permitiria que aquela relação que transcendia uma mera formalidade, perecesse no justo momento em que fecharia as cortinas da sua vida. Um acontecimento banal, daquela envergadura, a morte, - pois todos estão submetidos a ela, mais cedo ou mais tarde -, não seria a grande vilã que atrapalharia seus projetos sensíveis. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Movido por essas convicções, Saulo se lembrou de um embrulho que guardara no armário do seu quarto para ser usado numa ocasião especial. Estava lá, mantido em segredo, longe dos olhos do mundo, ao longo de algumas décadas. Não sabia se aquele objeto escondido na penumbra de seu armário, dentro do pacote, ainda funcionaria. Finalmente, o tempo chegara. Ficou ansioso para pôr em prática o que sempre sonhara, mas que não havia ainda uma oportunidade de realização como aquela, como a que estava por vir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Uma mística sensação de felicidade palpitou em seu peito. Não existiria melhor e mais adequada pessoa para intermediar a sua satisfação plena: O seu médico. Ele o amava como poucos o podiam amar. Era um paciente especial, pois fora o escolhido para receber do seu médico a notícia de morte. Seu médico jamais errara um diagnóstico, sempre curando todos com competência. Mas no caso de Saulo, aquele homem que confidenciava seus problemas, foi logo sentenciando sua morte, sem sequer tentar tratá-lo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Saulo chegou a pensar que tal atitude fosse sinal de descaso do seu amado médico para com ele - coisa que não admitiria jamais vinda de altiva figura -, então fora mais convincente entender, longe de qualquer risco que poria a confiança em dúvida, que a atitude do médico o tornaria um escolhido, uma pessoa especial, o eleito dentre os demais pacientes.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Chegou à sua casa sem fazer qualquer ruído. Abriu a porta com a destreza silenciosa dos felinos. Entrou e a encostou vagarosamente. Foi logo para o quarto, sem acender as luzes para não chamar a atenção de vizinhos oportunistas, abriu o armário e, por causa da escuridão, apalpou com dificuldade os objetos até encontrar um embrulho, um macio embrulho de tecido de algodão. Saulo o apertou contra o peito e balbuciou algumas palavras inaudíveis, enquanto espremia o embrulho com os braços. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Não quis avaliar a situação do objeto. Preferia arriscar, surpreender-se com o resultado. Acondicionou o embrulho em sua pasta - companheira inseparável de Saulo - num lugar que não fizesse volume, mas que tivesse facilidade para ser manipulável. Bebeu uma dose de aguardente, para celebrar a proximidade da data especial - tão aguardada -, passou o copo vazio no filete de água da torneira, deixando-o sobre a pia e novamente foi em direção à rua. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ameaçou passar em um botequim para tomar outra aguardente, completando o ritual cerimonioso, mas declinou de seu impulso ao pensar que não deveria desviar do roteiro que arquitetou com virulenta paz de espírito. Seguiu em frente, obstinadamente, sem hesitar por nenhum instante. Ao chegar ao consultório do seu médico, tocou a campainha, e fora recepcionado por sua secretária.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Perante a pergunta sobre o seu retorno, Saulo alegou com engenhosidade, que o doutor ficou de prescrever-lhe uma medicação, um sonífero, que serviria como paliativo para a ansiedade. Ele continuou argumentando sobre o horário que o representante dos laboratórios farmacêuticos levaria amostras grátis da substância que seria prescrita pelo médico. A secretária, persuadida pelo discurso de Saulo, anunciou sua presença ao médico. Ele ainda aguardou por alguns instantes e logo foi convocado a entrar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;       &lt;/span&gt;- O que houve, Saulo? Por que está aqui novamente? - Perguntou o médico intrigado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;- Estou aqui somente para lhe prestigiar o acolhimento que o senhor dispensou a mim. - Disse Saulo, calmamente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Você está muito tenso. Sente-se. Vamos conversar. Conte-me sobre o que você sentiu e pensou nesse meio tempo, desde quando você saiu daqui, e esse seu &lt;/b&gt;&lt;b&gt;repentino &lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;retorno .&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Eu descobri toda a verdade sobre nós dois!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Ah... É?! E como é isso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;De forma impulsiva, Saulo retirou o embrulho da pasta e o colocou em cima da mesa do médico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Está aqui o presente que lhe entregarei, demonstrando toda a minha gratidão. O seu prognóstico declarou minha morte. E sei que somos predestinados a convivermos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Saulo, desculpe-me, mas não estou alcançando o seu raciocínio. - Falou o médico um pouco atônito sobre o que acabara de ouvir de seu paciente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Antes de o médico apanhar o embrulho, Saulo se antecipou, agarrou o embrulho e tirou do seu interior um revólver em perfeito estado de conservação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Para que você trouxe isso, Saulo!? - Indagou já transtornado, o doutor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Saulo sorria enquanto engatilhava a arma e a apontava para a testa do médico, a queima roupa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Querido, nós vamos juntos... - Exprimiu um Saulo passional. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Um estampido fora ouvido além da sala de espera, ecoando nos corredores do edifício. Várias pessoas que estavam por lá correram para a sala em que o médico atendia. Chegando lá, encontraram Saulo paralisado, respingado de sangue, ainda com a mão estendida e o dedo no gatilho. O médico, no chão, atrás da mesa dos atendimentos, jazia imóvel, com os olhos abertos e a marca do orifício de bala na testa, pelo qual seu cérebro estourara. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A polícia fora chamada e rapidamente já entrara no local do crime, dando voz de prisão ao assassino que ainda não havia se movido desde que praticara o homicídio. A perícia quase não teria trabalho para solucionar o caso, pois quem cometera o ato criminoso fora praticamente pego em flagrante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ao ser retirado do local, ainda com todos os membros enrijecidos, Saulo apenas mexia os lábios, murmurando frases indecifráveis pelos agentes federais: - “Ele foi primeiro! Mas quem se foi? O médico ou o amigo? O amigo ou o médico? Quem se foi? Ele foi primeiro.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Saulo foi julgado no tribunal e condenado por crime doloso, com intenção de matar - premeditado. Mesmo tendo sido avaliado por um psiquiatra como mentalmente incapaz, não escapou de ser penalizado. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Depois de já passarem muitos anos &lt;st1:personname productid="em que Saulo" st="on"&gt;em que Saulo&lt;/st1:personname&gt; esteve trancafiado no presídio, ainda continuava repetindo as mesmas frases, sem cessar: - “Ele foi primeiro! Mas quem se foi? O médico ou o amigo? O amigo ou o médico? Quem se foi? Ele foi primeiro.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Saulo morrera no cárcere, de velhice, tendo como causa do óbito, falência múltipla dos órgãos. A morte não o perturbou durante muito tempo. Nem mesmo as doenças corriqueiras o atingiram. Parecia que era imune a qualquer mal. Já o seu querido médico, assassinado passionalmente, famoso pela eficiência diagnóstica, pela primeira vez... Errou. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-2396354112269230234?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/2396354112269230234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=2396354112269230234' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/2396354112269230234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/2396354112269230234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/03/o-amor-do-odio.html' title='O Amor do Ódio.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-TrbD8e00dFw/TYw9cL6DfpI/AAAAAAAAAK4/bnMXcrHyG10/s72-c/cancao_de_morte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-2200449065596406167</id><published>2011-03-22T20:56:00.000-07:00</published><updated>2011-07-27T10:18:28.924-07:00</updated><title type='text'>No Escorrer dos Afetos.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-cYdxgau60Fo/TYlxdb75nZI/AAAAAAAAAKw/tIQ1zVHS6Hc/s200/Mauro%2BPiva.%2BO%2Bh%25C3%25A1bito%2B%25283%2529%252C%2B2006%252C%2B%25C3%25B3leo%2Bsobre%2Btela%252C%2B103%2Bx%2B100%2Bcm%2BA.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 164px; height: 200px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5587121563258953106" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Plínio vivia num lugar paradisíaco, repleto de árvores e cachoeiras. Morava em uma aconchegante casinha, bem adornada, com lareira - sem faltar a fumacinha da chaminé - uma cama quentinha, um quintal avantajado e uma varanda arejada para descansar em dias de calor. Todas as cores - o verde das matas e o azul dos rios - combinavam. &lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;O volume de cada objeto que ficava exposto nas janelas era perfeitamente simétrico com os enfeites do jardim. Cada cantinho pelo qual Plínio passava, exibia tonalidades harmônicas e sutilmente delineadas. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Nunca antes despertara para a visível característica da paisagem em que vivia. &lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Quando começou a se indagar, diante de algumas curiosidades que surgiram, ele coçava a cabeça intrigado. Nem mesmo a data de nascimento possuía como recordação. Simplesmente vivia ali, estava ali, e nada mais.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ainda não havia parado para pensar sobre a extensão das terras em que caminhava diariamente. Um limite intransponível - uma barreira - o impedia de ir além. Sempre que tentava ultrapassar a borda que enquadrava a sua moradia, recuava em direção à outra margem - indo da varanda ao quintal e vice versa. Sabia que tinha pai e mãe, mas que morava sozinho. Mas onde eles estavam? Talvez jamais tivesse os visto. Sequer poderia imaginar como eram as fisionomias dos seus pais. Não se lembrava de quando era mais novo nem sentia que envelhecia. Parecia que estava no mesmo instante eternamente. Começou então a achar aquilo tudo muito estranho. Mas o mais estranho ainda, era que nunca havia de deparado com tal estranheza. Nunca se questionou por coisa alguma. Vivia naturalmente, como se tudo estivesse na mais absoluta normalidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A partir do momento &lt;st1:personname productid="em que Plínio" st="on"&gt;em que Plínio&lt;/st1:personname&gt; deu início às suas interrogações lógicas, pôde compreender que, respeitando os limites territoriais, só se deslocava para as laterais. O quintal ficava na lateral esquerda, e a varanda, na direita. Para trás e para frente, não conseguia se mover. Tentou inclinar o corpo para o que considerava a parte de trás. De repente, um barulho de farpa estalando foi ouvido. Plínio se assustou, principalmente porque a superfície na qual ele estava escorado começou a afinar e a ceder lentamente. Um pequeno orifício se formou - espaço suficiente para que ele pudesse olhar o que havia além daquela parte de trás. Apenas uma estrutura lisa e branca havia lá. Nada além do que uma homogênea e opressora cor branca. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Plínio saiu da parte de trás e se dirigiu para a parte da frente. Andou, andou e... Repentinamente... &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Ficou nas pontas dos pés. Quase despencou. Seu corpo resvalou ao se defrontar com um imenso buraco que instantaneamente apareceu. Um gigantesco abismo se formou diante de si. Ele apavorou-se, tentou dar um passo para trás, mas seria um esforço inútil, pois seu corpo estava quase se precipitando em queda livre. A metade de seus pés apoiava-se na quina do limite para o abismo. Se chegasse tanto para trás quanto para frente, desequilibrar-se-ia. Seria fatal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Mas da posição em que fora obrigado a ficar, com as vistas desembaçando vagamente - pois já se recuperava do susto, mesmo que ainda se imaginasse em risco de morte, pela altura -, teve clareza em observar a vastidão do que acabara de visualizar. Era um quarto de proporções gigantescas. Ele era um pequeno polegar, uma miniatura de gente, ao se comparar com as dimensões daquele quarto que avistara. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Continuou lá, na beiradinha do abismo, analisando a situação com espanto. Tentou olhar um pouco mais para baixo e se surpreendeu com a mesma estrutura esbranquiçada - atrás da enorme cama -, que havia percebido quando esteve na parte oposta da que está agora. Abaixo de seus pés, notou que algo escorria num fluxo contínuo, manchando a superfície branca. Era um líquido espesso, um concentrado multicolorido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Logo que o processo se instalou, em menos tempo do que um piscar de olhos, a casa - seu quintal e sua varanda - as árvores, as cachoeiras, os rios, a paisagem em geral, estavam se desmanchando por completo. Até mesmo o abismo iniciou uma franca diluição. Tudo estava ruindo, derretendo. O próprio Plínio começou a se desmanchar de modo grosseiro. Suas roupas, sua face, seus cabelos, membros superiores e inferiores, ficaram todos misturados, em formato de borrão. A massa multicolorida em declínio, derretendo, escorrendo pela parede do gigantesco quarto, parecia um aglomerado de bisnagas de tinta óleo sendo espremidas a torto e a direito. Não havia mais diferença entre o Plínio e o seu pano de fundo. Eram um só, imenso borrão de tintas diversas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Naquele gigantesco quarto, a porta se abriu. Um rapaz, com as medidas adequadas às proporções daquele quarto, adentrou. No exato instante em que fitou a parede do seu quarto, estancou os passos, contraiu o semblante - com os dentes cerrados - e se deteve perplexo. Soltou um grito de lamento que reverberou por todos os cômodos de sua casa. Sua mãe, atônita pelo som estridente emitido pela angústia do seu filho, chegou até o local, perguntando o que estava acontecendo. Ao notar o rosto aflito do filho - sem obter resposta sobre seu grito -, olhou na mesma direção em que ele estava com os olhos fixos. O rapaz então balbuciou: - O meu quadro manchou! A mãe tentou consolá-lo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Aquele quadro, pintado pelo seu pai, Plínio, retratava-o ainda quando jovem, em sua casa de finais de semana, antes de conhecer aquela que seria a mãe do seu filho - dono do quadro. A faxineira, notando um sinal de poeira na tela, esfregou um pano úmido com o mesmo solvente que usava para limpar outras partes da casa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Pintado pelo pai do rapaz, o quadro era a sua única lembrança material. Após a morte do seu pai, sua mãe lhe entregara a pintura feita por ele, um autorretrato, que desde então guardara com carinho, pendurando-o acima de sua cama como se fosse um anjo a lhe proteger o sono. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Agora a pintura já não mais representava, com nitidez, a cena que mantinha em seu amor de filho. Porém, aquela imagem de seu pai permaneceria com clareza e distinção para sempre na sua memória. Aquela pintura, agora reduzida à colorida mancha, continuou no mesmo lugar. O rapaz não permitiu que sua mãe a retirasse da parede, acima de sua cama. Um arco-íris se formou na tela de seu coração. Como o próprio arco-íris que surge maroto e elegante após uma tempestade, o quadro agora simbolizava a alegria de um final de tormentas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-2200449065596406167?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/2200449065596406167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=2200449065596406167' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/2200449065596406167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/2200449065596406167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/03/no-escorrer-dos-afetos.html' title='No Escorrer dos Afetos.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-cYdxgau60Fo/TYlxdb75nZI/AAAAAAAAAKw/tIQ1zVHS6Hc/s72-c/Mauro%2BPiva.%2BO%2Bh%25C3%25A1bito%2B%25283%2529%252C%2B2006%252C%2B%25C3%25B3leo%2Bsobre%2Btela%252C%2B103%2Bx%2B100%2Bcm%2BA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-7924104166761370575</id><published>2011-03-19T14:03:00.000-07:00</published><updated>2011-03-19T23:03:21.200-07:00</updated><title type='text'>Santo Pai, Santa Bala.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/-buvmMamAIVc/TYUa2NmXzTI/AAAAAAAAAKo/IL2qg2tPYFM/s200/quaresma-2011.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585900431488830770" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;Sob caixotes empilhados, cobertos por um longo lençol branco, o altar improvisado suportava diante de si um homem ajoelhado. Na posição de clemência, Arcanjo suplicava à ausente imagem santificada. Não havia andor, nem mesmo o santo era de barro. O que havia no lugar da fé e orações, era um cartucho de bala - adorado por Arcanjo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Há alguns anos, planejando dar cabo de sua própria vida, foi à igrejinha perto de sua casa e, com uma vasilha, recolheu um pouco da água benta que estava numa caldeira logo na entrada do templo. A bala, ele já possuía. Fora a única que restou na gaveta do seu velho pai morto - homem&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;que se dedicara exclusivamente, até o último minuto de vida, à contravenção. Como seu pai não deixara patrimônios - apenas alguns bastardos rebentos pelo mundo afora - aquela bala fora a herança máxima de um pai subversivo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O mais digno a ser feito por um homem de passado maculado e sem perspectiva de futuro, era cometer o suicídio com o honrado cartucho que seu pai lhe deixara. Seria lembrado eternamente por tal ato derradeiro. Por isso, cultuava aquele imponente cartucho no topo do altar improvisado - seu objeto sagrado, pai celestial. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Não constituíra família. Então, ao contrário do seu pai, não deixaria herdeiros - nem oficiais nem ilegítimos. Apenas a sujeira de seus restos mortais daria trabalho aos agentes sanitários. Um amontoado de matéria orgânica perecível. Mas tinha o corpo raquítico, logo, nem tanto ficaria exposto na cena do crime. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Aquela bala de rifle faria um estrago sem precedentes. Ficaria desfigurado, irreconhecível, caso apontasse para a própria cabeça e apertasse o gatilho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Depois de pedir permissão às santidades de sua devoção, retirou o cartucho do altar e o submeteu a um ritual de polimento visando a purificação total do artefato. Com uma fina flanela, umedecida na água benta roubada, começou a esfregar o cartucho até a última poeira desaparecer de sua superfície. Munido daquele rifle antigo, após uma limpeza minuciosa da ferramenta fatalista, encaixou o cartucho, ficou de cócoras - em sinal de penitência -, virou o cano da arma para a ponta do seu queixo, apoiou-a entre as firmes pernas - com o sangue frio, pois tudo havia sido calculado - e apertou o gatilho com obediente propósito de passar a existir na morte. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;No instante do disparo, fechou bem os olhos para não sentir o forte impacto. Após alguns segundos do disparo do rifle, ainda ouvindo o silêncio - tendo seus sentidos intactos -, abriu levemente os olhos, passou as mãos pelo queixo - a procura de um rombo monumental -, mas nada achou. Era apenas vento. Falhou...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Desengatilhou o rifle e retirou o cartucho. Examinou com cuidado... Depois de tanto tempo adorando-o, constatou que estava vazio. Tragicamente vazio. Nem um mísero resíduo de pólvora se demorava ali. Concluiu então que a bala utilizada para tirar a vida do seu pai saíra daquele mesmo cartucho. Essa era a herança do seu pai: Um cartucho vazio, usado contra si mesmo, num ato de desespero. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Arcanjo lamentou a verdade dos fatos. Lamentou não poder morrer com aquela bala inexistente. Nem ao menos uma bala real com a qual poderia se suicidar, havia ali naquela herança. O ingrato do seu pai deixara como presente o símbolo de sua covarde morte: O cartucho com o qual ele se matou. Não havia mais bala. O pai não deixara a bala para a morte do filho, mas sim o vazio que simbolizava a morte do pai.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Arcanjo então se levantou, limpou os pensamentos que não cessavam em invadi-lo, desfez o altar improvisado e jogou o cartucho vazio na lata do lixo. Teve uma ideia para aproveitar os caixotes que não mais seriam úteis naquele local. Munindo-se de graxa, flanela e outros produtos a mais, colocou-os no caixote, agora transformado em cesta com apoio para os pés, e saiu à rua, finalmente, &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;para subverter a herança macabra de seu pai. Dignamente, como engraxate, foi ganhar a vida.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-7924104166761370575?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/7924104166761370575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=7924104166761370575' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/7924104166761370575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/7924104166761370575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/03/santo-pai-santa-bala.html' title='Santo Pai, Santa Bala.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-buvmMamAIVc/TYUa2NmXzTI/AAAAAAAAAKo/IL2qg2tPYFM/s72-c/quaresma-2011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-5124853472712009036</id><published>2011-03-19T14:01:00.001-07:00</published><updated>2011-03-19T14:09:15.675-07:00</updated><title type='text'>Marta, Mulher.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/-lc9Vmk2LX8M/TYUZyINHiyI/AAAAAAAAAKg/6zy9fvTyKGE/s200/MulherDourada%255B1%255D.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 151px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585899261809625890" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;Gotas de suor lambuzam a sôfrega alma, e a suavizam. Abatida por exércitos errantes, agoniza no último suspiro. Alma inquieta silencia a quietude do desatino. O que dirá Marta? Sua boca fala para dentro no vozerio que o ouvido ecoa. O que será de Marta, transpassada pela lança cega? Seus cortes invertidos respiram a fuligem. Morte residente, desfila devassidões no certeiro espaço das rezas angulares e displicentes.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#29303B"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;Mulher que cede. Sede de mulher. Balança o berço nu. Estende o grito no varal. Seca a angústia&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em vendaval. Ela" st="on"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;em vendaval. Ela&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;se deita na rede da eterna inconstância. Brinca de cabra sem ser cega, no cio descentrado. Mornas labaredas de um gozo adormecido, desapegado, revertendo-se em destemidas arapucas maciças. Áurea abençoada no tridente da folia. Sangue que escorre de cílios perfurados na ânsia de desejos incautos.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#29303B"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;Marta, a mulher da vida, rígida, jazia. Sepultada sem perdão. Não foram vê-la. Seus contatos e queridos do lar, em nada saudaram-na. Lágrimas de secos olhos misturadas ao choro da terra mãe - estéril chão. Cortejo fúnebre ladeado por curiosos, carpideiras - a procura do ganha pão - desafetados, desarmonia. O testamento machuca a hombridade. Papel engordurado, rasgado, nota desbotada da compra do dia seguinte&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-5124853472712009036?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/5124853472712009036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=5124853472712009036' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5124853472712009036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5124853472712009036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/03/marta-mulher.html' title='Marta, Mulher.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-lc9Vmk2LX8M/TYUZyINHiyI/AAAAAAAAAKg/6zy9fvTyKGE/s72-c/MulherDourada%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-4149259660666759312</id><published>2011-03-11T23:22:00.001-08:00</published><updated>2011-03-16T20:20:12.573-07:00</updated><title type='text'>Romance em Tempos Perdidos.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/-B023mIUNgnc/TXsfNqYlUoI/AAAAAAAAAKQ/gX4reQKZUaU/s200/amor-platonico1.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 153px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5583090482632020610" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;No coreto da antiga pracinha, eles se encontraram e deram as mãos. Era um fim de tarde como há muito tempo não viam.&lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt; &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Os dois corações palpitavam em descompasso uníssono. Flamejante desencontro, labaredas apagadas, sorridente irregularidade. Eles bailaram sobre frágeis retalhos do passado. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Aquele entardecer fora concebido em dissonantes nuances - palheta de cores. Serpentear em conjunto de cálidas almas. Tinham certeza que não era &lt;/b&gt;&lt;b&gt;exatamente o tempo que irradiava esse afeto embevecido e tórrido, sentido no belo clima daquele dia.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Nos contornos espirais, ambas as mãos, antes desbotadas, entrelaçaram-se. Silhuetas esculpidas em vitrines móveis, alianças duvidosas, eram salpicadas de fagulhas e centelhas em um colorido preto e branco. Trêmulas saudades em devassidão descortinaram-se. E o casal continuava lá, mãos unidas, espalmadas, certeiras, solidárias e envergonhadas, a se entreolhar. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Doce canção de velhas bandinhas ainda reverberava pela lúdica extensão da praça. A cantiga de roda da infância ecoava num som distante e baixinho, como o leve toque a acariciar a pele descontraída por um acanhado dedilhar. Mãos dadas... &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;Juntas... Jamais atadas...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Meigos varões agachados, com suas boinas desarrumadas, terninhos alinhados, puxavam decididamente o cordão dos seus piões, artesanalmente inventados com a mesma paixão da hora do brincar. Rodavam livres e soltos em volta do leal coreto nos dias de domingo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ah... O coreto! Palco da primeira vez em que se viram. Foi numa terça-feira. Ela, com sua roupa de colegial, ainda sem ter completado a maioridade, admirava, extasiada, o florido caramanchão da praça. Suas amigas, que a acompanhavam na saída do colégio, já haviam tomado o rumo de suas casas. Pelo menos uma vez na semana, precisava ir até a bucólica pracinha para respirar ar puro, ouvir os pássaros e contemplar a beleza dos arranjos de flores daquele caramanchão. Ele, coincidentemente, naquele dia saiu do trabalho mais cedo, e cansado de responder ao mesmo roteiro diário, resolveu, antes de retornar ao lar, passar pela pracinha para se sentar num daqueles bancos a céu aberto em que a brisa de findas manhãs dita palavras amenas, a paisagem saúda, e o aroma rejuvenesce. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ele se sentou, ajeitando-se confortavelmente para sentir o frescor daquele início de tarde, cruzou as pernas e retirou um romance &lt;/b&gt;&lt;b&gt;da sua pasta &lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;- presença constante nos momentos agradáveis -, misturado às papeladas de negócios, e o abriu na página na qual o marcador estava colocado. Porém, antes mesmo de ler a linha inicial para retomar a história, avistou aquela encantadora criatura emoldurada por artísticas flores sob um cenográfico caramanchão. Ficou perplexo perante indescritível efeito visual. Seu fôlego fugira e suas palavras se dissiparam como as folhas secas carregadas pela ventania. Só tinha olhos para ela. Mas quem era ela?&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;   &lt;/span&gt;Como não poderia cumprimentá-la, inarticulado no vácuo absoluto do silêncio, precipício de uma alma fugidia nos meandros escorregadios da linguagem, pegou sua máquina fotográfica de estimação, com a qual capturava imagens peculiares - deleite para os olhos -, e escondido atrás de um espesso tronco de árvore, posicionou-se para tirar o retrato roubado daquela mocinha apaixonante. Flutuava em nuvens de algodão doce. Suas mãos suavam e tremiam como varas de bambu verdes. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ao flagrar o rapaz a observando - sob a mira da câmera fotográfica -, assustou-se, temendo que fosse um bandido que quisesse assaltá-la e disparou &lt;st1:personname productid="em fuga. Ele" st="on"&gt;em fuga. Ele&lt;/st1:personname&gt;, por querer desfazer o mal-entendido, tentou alcançá-la, perseguindo-a. Balbuciou, menos para ela do que para si, que não era o que ela estava imaginando - como se fosse possível adivinhar o que passava pela cabeça da moça. Ela, em contrapartida, apavorou-se ainda mais, acelerando o passo, desaparecendo no horizonte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Durante muito tempo, após o incidente ocorrido, ela não retornou mais à praça, cenário do primeiro encontro - apesar de uma inquietante interferência do destino, separando-os provisoriamente. Ele, no entanto, continuou diariamente desviando seu itinerário, após sair do trabalho, demorando-se na praça, sentado, pernas cruzadas, lendo seu livro, mas frustrado. Sua longa espera nunca mais fora contemplada com a volta da moça à cena do seu coração. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Naquele mesmo dia, depois da estranheza do primeiro encontro, ele voltou para casa, inconformado pelo susto da moça ao perceber sua presença, mas agraciado por uma única fotografia que estava em sua câmera, em negativo, às vésperas da revelação. Quando pôde segurar o retrato, já revelado, sentiu um profundo carinho. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Ela estava incrivelmente linda. Colocou a foto num porta-retratos comprado especialmente para combinar com a paisagem, com as flores do caramanchão e com roupa de sua amada platônica. Virado de tal maneira para que o olhar da moça na foto encontrasse com o seu à noite, para abençoar seu sono e alegrar o início do dia, posicionou o porta-retratos num lugar estratégico na mesinha de cabeceira ao lado da cama em que dormia.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Muito tempo passou. Ele parou de frequentar a praça, mas não desistiu do seu amor. As esperanças de reencontrá-la começaram a escassear, a minguar, perder as forças. Sentiu os espinhos da tristeza por não mais poder vê-la. Passou a ter insônias regulares - pois ao menos como insone, algo precisava se manter equilibrado -, com o olhar fixado na fotografia da moça amada, sendo acompanhado pelo olhar dela. Não conseguia parar de olhá-la, sentindo que o olhar da imagem cruzava-se com o seu. Assim parecia que estava um pouco mais acolhido em seu sentimento, beijado pela cumplicidade, mesmo que seu coração continuasse ferido na ilusão de uma convivência até então impossível. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Um dia, bem mais velho, num novo emprego, morando em cidade distante, pai de família, e estando próximo de se tornar avô, resolveu viajar até a antiga cidadezinha em que passou sua juventude. Chegando à casinha em que morou, resistiu um pouco em tocar a campainha. Uma bondosa senhora o atendeu. Ele a fitou emocionado e explicou o motivo de sua visita, apresentando-se. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;A senhora, comovida, convidou-o a entrar. Ela lhe confessou que no sótão havia uma caixa de papelão, dos antigos moradores, contendo algumas recordações, e que ficou satisfeita em vê-lo, pois não sabia o seu endereço para lhe entregar os pertences. Ele foi em direção à caixa singela, abriu-a, e logo em cima dos demais objetos de sua lembrança, estava o porta-retratos com a foto da amada de sua mocidade que ainda continuava plantado em sua dolorida alma. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ele agradeceu a senhora por sua sincera consideração, presenteando-a em retribuição à sua hospitalidade com o porta-retratos - diante da manifestação de seu desejo em ficar com a peça -, despediu-se e se retirou, levando apenas a foto consigo. Antes de partir em direção à doce pracinha, passou numa cafeteria de esquina e tomou um cafezinho bem forte para recuperar o fôlego perdido pela extrema emoção. Chegando à praça, sentou-se no antigo banquinho, e colocou a fotografia, virada ao contrário, em suas pernas, apoiando-a com as duas mãos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Quando já estava quase cochilando, sentindo a delicada brisa que acariciava seu rosto, pelo tranquilo clima daquele lugar, notou uma presença ao seu lado. Não quis abrir os olhos, pois o cansaço já o dominava. Ficou daquele jeito, sem se mover. A pessoa ao seu lado, sentida apenas em sua presença, tocou sutilmente a sua face e segurou-lhe as mãos. Ainda fixo, com os olhos fechados, as suaves mãos envolveram seu rosto e o trouxe para perto de si. Sussurrou baixinho em seu ouvido, o que o fez abrir os olhos. Quando viu quem estava à sua frente, depois de tantos e tantos anos, ficou deslumbrado, inebriado. Era ela! Estava ali. Ele ameaçou falar. Ela tocou-lhe a boca de leve, com um sorrido nos lábios, pedindo que continuassem em silêncio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;Ela se levantou e puxou-lhe pelos braços, indicando que fosse com ela. Ele ainda admirado, sem falar nenhuma palavra, foi deslizando pelo caminho do caramanchão, que ainda se mantinha bem cuidado e florido, e contornaram os banquinhos da praça até chegarem às escadas do coreto - testemunha do primeiro palpitar, sinal do amor. Antes de subirem as escadas, deram as mãos. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Lá em cima, de mãos dadas, eles permaneceram quietos, silêncio amoroso da cumplicidade, olhando para o horizonte. Ficaram assim por muitos minutos. Quando ele recobrou a consciência daquele sublime momento, estava dançando, ao som de uma linda música, sozinho, abraçado à quase desbotada fotografia da amada - apertada ao peito -, com os olhos cheios de lágrimas. Sentia-se feliz. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Ele era um privilegiado por ter mais aquele instante com o seu amor. Já ela, era a mais viva lembrança de toda a sua história.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; "&gt;&lt;b&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.6em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 1.5em; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-4149259660666759312?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/4149259660666759312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=4149259660666759312' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/4149259660666759312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/4149259660666759312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/03/romance-em-tempos-perdidos.html' title='Romance em Tempos Perdidos.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-B023mIUNgnc/TXsfNqYlUoI/AAAAAAAAAKQ/gX4reQKZUaU/s72-c/amor-platonico1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-7480604369299173823</id><published>2011-03-07T15:26:00.000-08:00</published><updated>2011-03-12T20:13:12.201-08:00</updated><title type='text'>A Máscara da Verdade.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/-jvu6hOCn8II/TXVpvqoshZI/AAAAAAAAAKI/qeipAhyezmE/s200/mascara.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 172px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581483580815345042" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Ao retirar a máscara que ostentava rachada, na fenda da &lt;/b&gt;&lt;b&gt;concreta &lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;desilusão, revelou-se a mentira da pele desnuda. Aquele singelo objeto que encaixava levemente no rosto, modelando-o como outro, fora de si, não o encobria como ser anônimo, mas o exibia em verdades fluídicas.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Escolhera sua fantasia facial com o mais rigoroso cuidado. Nenhum traço poderia escapar para que denunciasse sua fisionomia de mísero mortal. Muitos dos seus amigos o reconheceriam pelo seu simples modo do seu olhar. Então tratou rapidamente de camuflar o entorno dos olhos. Na primeira tentativa - um fracasso total -, ensaiou contorná-los com um lápis preto, vários cosméticos e maquiagens. Já que nenhum produto oferecido pelo mercado da moda desse conta do recado, utilizou uma genuína graxa de sapateiro, chegando a invejáveis resultados na arte do mascaramento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Suficientemente produzido, o mascarado adentrou um baile carnavalesco que não exigia a identificação do convidado - sem restrições de acesso -, aberto ao público. Na exuberância da festa, escancarou uma contida alegria - comparada aos discursos feitos para&lt;/b&gt;&lt;b&gt; multidões por&lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt; lívidos e impávidos monarcas  -, esperando não ser detectada sua expansiva personalidade.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Caiu literalmente na folia. Estava exultante por ter sido bem sucedido na escolha da camuflagem. Sentia-se diluído em meio ao populacho, emitindo grunhidos e gemidos fervorosos de contentamento. Lamentos de satisfação eram escutados ao longe. Sua performance, muito ovacionada, rendeu exóticas coreografias ao estridente &lt;/b&gt;&lt;b&gt;som &lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;daquela banda marcial que executava sambas saudosistas.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Estava rodeado por amigos e companheiros da labuta. Por ter atingido seus objetivos, gozava por enganá-los. Sabia que ninguém percebera ser ele, por trás daquela máscara. O escudeiro fiel de adversidades, inseparável protetor em quem todos depositavam confiança - porto seguro -, estava agora imperceptível. Nenhuma viva alma seria capaz de descobrir sua real identidade. Não teria que ouvir as inúmeras súplicas das quais sempre fora vítima, nem as solicitações de ajuda que tanto reprovava, nem mesmo o insuportável pedido de dinheiro emprestado. Nada mais ouviria. Não seria obrigado a aturar as coisas detestáveis. Dispunha de controle. Estava tão próximo de todos, porém com o máximo de distância. Com nítida e delirante paixão, eles o tocavam, puxavam-no, celebravam sua presença, mas sequer desconfiavam que aquele divertido mascarado fosse o amigo disfarçado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Manteve-se imperturbável até um instante inusitado se apoderar de tal visceral encenação. Exausto em esconder seu segredo - ele mesmo -, começou a desejar mostrar a todos quem ele realmente era. Já não mais conseguia afastar os risos que brotavam dos seus lábios. Havia feito seus amigos de bobo. Foi a única vez que realizou essa monumental façanha. Enganara a todos com maestria. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Num frenesi que substituía a ignorância, arrancou aquela máscara fabricada pelo esmero da invisível existência. Com dificuldades para retirá-la, partiu-a ao meio, repetindo autêntico gesto teatral, como a explosão da cena final de uma épica e arrebatadora peça. Ao apresentar sua face desnuda, límpida, sem aquele adorno facial - escamoteando a razão humana -, os amigos mais íntimos, que antes não o reconheciam, continuaram sem a menor afetação pela verdade que se descortinara num ímpeto inaudível.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;A empolgação do ex-mascarado, ansioso para degustar a reação de espanto dos colegas, cedeu lugar à frustração da inércia que presenciara. Os olhares dos amigos não mais coincidiam com os seus. Parecia que o inóspito ato do desmascaramento gerou a inexistência. Ninguém mais notava sua presença. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ele se esforçou o máximo que pôde para convencer as pessoas à sua volta sobre quem era ele de fato, mas nem ao menos sua voz poderia ser ouvida. Ao retirar a máscara, consumou de forma radical a sua invisibilidade – antes tão almejada, e agora tão temida e agonizante. Queria voltar a ser alguém. Mas quem? Se ninguém mais o via, será que havia existido alguma vez? E toda aquela história que conhecia de cor e salteado sobre as peripécias que viveu na companhia daqueles para os quais estava invisível? Nunca aconteceu? Nada?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A angústia de não existir, na ausência do artefato grotesco - sua máscara -, converteu-se em nostalgia da vivência ferina de mascarado. Com ela passou a existir. Virou alguém. Sentia sua falta. Precisava dela. Tinha que existir. Só aquela máscara concederia sua existência. Mas como retornar à vida, como voltar a ser visto, se a máscara jazia rasgada aos seus pés radicalmente imóveis? Agora eram duas metades. Recolheu-as do chão, mesmo assim, e, segurando cada metade com uma mão, levou-as ao rosto. Uma parte havia sido pisoteada e estava suja, amassada. A outra se manteve intacta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;    &lt;/span&gt;Vestido novamente com a máscara, agora reduzida a duas metades, sentiu-se outra vez um alvo da visão curiosa das pessoas - compartilhando seu gozo extremo. A partir de então, teve inegável certeza que podia ser visto. Adquiriu renovada consistência. Agora estava palpável, carnal, existente. A única diferença era a cicatriz que revelava o rasgão do seu rosto mascarado, separando-o em duas faces distintas. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Ele sabia que seria visto de duas maneiras. Para quem estava ao seu lado direito, era visto como um homem sofrido, surrado, exibindo as duras feridas de uma pobre vida. Para quem estava ao seu lado esquerdo, era um aristocrata, nobre homem cortejado pela vida, nascido em berço de ouro, que jamais teve de lutar por algo, pois já tinha de tudo. Mas as únicas coisas que ambas as faces, tão opostas, mantinham em comum, eram os traços de plástico que revelavam o verdadeiro homem. A tinta negra que contornava seus olhos, nem mesmo com seu forte suor se desmanchou. Estava aderida à pele, inerente ao ser. Seus traços eram densidades que escorriam por entre arranhões e pequenas dobras daquela existente máscara de carnaval. A identidade virou anonimato. E o anonimato, a face real.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; "&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-7480604369299173823?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/7480604369299173823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=7480604369299173823' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/7480604369299173823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/7480604369299173823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/03/ao-tirar-mascara-que-ostentava-na-ponta.html' title='A Máscara da Verdade.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-jvu6hOCn8II/TXVpvqoshZI/AAAAAAAAAKI/qeipAhyezmE/s72-c/mascara.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-8903983302637183219</id><published>2011-03-04T17:29:00.000-08:00</published><updated>2011-03-06T17:18:59.933-08:00</updated><title type='text'>Sexo.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/-ebbE3BSVd9w/TXGShXp6CSI/AAAAAAAAAKA/m41MdWrXqjU/s200/homem_mulher.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 198px; height: 200px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580402515271878946" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: 800;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ela destrancou a porta. Ele girou a maçaneta. Entrou... Haviam marcado aquele encontro às escuras. Ela pouco havia conversado com ele antes de se verem. Não sabia o suficiente sobre seu caráter – se é que seja possível saber algum dia. Queria convidá-lo para se sentar num elegante sofá reservado apenas para ocasiões especiais. Não era só uma peça decorativa, pois, outrora, memoráveis momentos de supremo êxtase ficaram impressos em seu estofado. Aquela seria uma grande possibilidade de recomeço. Entorpecente promessa de vivenciar idílios inomináveis. O anonimato, afetação em raso mergulho, sem o ônus dos sentimentos, era fórmula ideal e infalível para chafurdar no melado pecaminoso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Tinha absoluta certeza que a noite seria inesquecível. Depois de tanto tempo sendo usado somente em solitárias divagações, o aconchegante sofá iria novamente ser palco de coreografias dionisíacas. Corpos engalfinhados. Capilares enroscados. Artérias latejantes. Vasos contraídos. Olhos de sedentos felinos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Tentou estender os braços para cumprimentá-lo. Um tremor ósseo manteve seus braços dobrados, cotovelos colados ao corpo. Não compreendeu tal reação. Paralisou-se por repentino medo que lhe reprimiu a gana erótica. O homem esbelto à sua frente implorava com lábios dóceis, que ela o domesticasse entre suas coxas umedecidas pelo gozo silencioso da transpiração. A língua estalando no céu da boca antevia a sucção esponjosa de primata amordaçado. Superfície dilacerada por enfurecidas carícias e dóceis arranhões. Invulgar semblante a comprimir e a liberar viscosas trocas fluídicas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ele continuou lá, parado, em frente a ela todo o tempo. Talvez esperando que ela o cumprimentasse e o convidasse para se sentar. Ela permaneceu extática perante aquele macho exalando testosterona pelos poros dilatados. Estava um pouco enferrujada – não negava, mesmo com certa resistência -, mas ainda conseguia farejar a distâncias inimagináveis o odor de um animal no cio. O másculo tronco exibido pela camisa de botão aberta. Peito desnudo. Imagem satânica que a excitava ardentemente. Provocava contorções íntimas em seu ventre. Desejos obscuros e mundanos, clamando pela realização pulsante das viscosas seivas corporais, foram suscitados. Jamais afastaria aquela tentação beatífica. Plumas vigorosas a deslizar pelas reentrâncias salivares, transbordando em cenários de arrepios vibrantes&lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Lá estava ele, esperando. Ela, com o cataclismo das expectativas, não mexia nem os cílios e sobrancelhas. Seu braço continuou travado, grudado ao corpo tenso. O suor já não era quente de prazer. Era um suor frio de pavor. Rígida como uma estatueta, coroava a si própria pela estupidez da inércia e falta de traquejo pessoal. Não moveu nenhum músculo. Seu Adônis, beleza exótica, incomum, manteve-se ali, esboçando leve sorriso de timidez e constrangimento.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; Ambos não trocaram nenhuma palavra. &lt;/span&gt;Ela, no instante em que o braço descolou do corpo, pôde estender finalmente as mãos. Mas num ato de inquietante espontaneidade, empurrou o galã porta afora, e com a outra mão, fechou a porta com toda a força que seu corpo franzino poderia imprimir em tal gesto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Calmamente, ela se virou, deixando a porta trancada para trás – assim como a trava de seu corpo –, e colocou de lado a funda borda do frustrante esquecimento. Chegou perto do seu sofá, reservado para as ocasiões especiais, alisou a beiradinha do estofado e se jogou nos braços do seu amado móvel com aquela suave espuminha de poliuretano e delicado revestimento de chenille. Estirada no sofá, curtindo a árida solidão – mas sem culpa por ter desprezado o bonitão -, acendeu um cigarro, pegou uma sexy e sofisticada taça de vinho e se preparou, recostando-se confortavelmente, para assistir a um espetacular filminho ao estilo água-com-açúcar que suas amigas sempre lhe recomendaram. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.6em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 1.5em; text-align: justify; "&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-8903983302637183219?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/8903983302637183219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=8903983302637183219' title='30 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8903983302637183219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8903983302637183219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/03/sexo.html' title='Sexo.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ebbE3BSVd9w/TXGShXp6CSI/AAAAAAAAAKA/m41MdWrXqjU/s72-c/homem_mulher.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>30</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-8697355101918412951</id><published>2011-03-02T22:16:00.001-08:00</published><updated>2011-04-04T14:53:05.015-07:00</updated><title type='text'>Elias Feijão.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://1.bp.blogspot.com/-6N0Gq8ZaYAQ/TW8ydJNzE2I/AAAAAAAAAJw/LEFXfxT1ZWY/s200/feijao-cru.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579733939606721378" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Elias, sentado à mesa, repetia com voracidade a sua santificada gula de cada dia. Devorava, mastigava, engolia, com colheradas substanciais, recheadas de orgulho, um incrementado prato de feijão mulatinho. Há muito tempo não saboreava um feijãozinho como aquele. Já estava prestes a declarar sua paixão à culinária brasileira. No auge dos seus mais de quarenta anos de idade, não se lembrava de ter comido prato tão gostoso.&lt;span class="apple-converted-space"&gt; &lt;/span&gt;A última vez em que esteve diante de tal sublime iguaria, foi quando era garoto e sua mãe ainda não havia morrido prematuramente, como ocorrera algumas semanas depois deste episódio - lamentando ardentemente a falta que sentia do marido que a abandonara dias antes.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;b&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Antes das fatalidades, num dia trivial, Elias estava rondando sua mãe na cozinha, como já era de costume, nas proximidades do almoço, enquanto preparava o feijãozinho caprichado e despejava todas as broncas maternas possíveis pelo inconveniente da situação. Afinal, lugar de criança nunca fora a cozinha – mesmo que nenhuma criança consiga sair de uma.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Todas as crianças nascem, de parto normal ou de parto cesariano, dentro da cozinha. Depois crescem e se proliferam na mesma ou noutra cozinha. Só quando a hora da morte chega, é que escolhem outro lugar, um pouco mais estreito, apertado mesmo, e de madeira envernizada – apesar de algumas mais humildes nem mesmo um mero vernizinho recebem.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Acontece que Elias degustava seu prato de feijão com tanto prazer, que já estava literalmente morrendo desse afeto voluptuoso. Parece que ele não escolheria outro local para bater as botas. Seria na própria cozinha, aonde nasceu, cresceu e se proliferou, lugar também eleito para morrer.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Logo após a derradeira colherada no suculento feijão, deixando o prato limpo, cristalino, seguida das certeiras lambidas que Elias deu no intuito de capturar os últimos apetitosos resíduos que a mísera colher não era capaz de alcançar, inclinou-se para trás, em sua exclusiva cadeira de refeições - porém mais empanzinado do que satisfeito -, e um ruído medonho, que não era um arroto, fora ouvido de suas partes baixas. Sua barriga inchou terrivelmente - como as bexigas de ar sendo sopradas por um levado aniversariante -, e a cabeça começou a diminuir na mesma proporção em que a barriga aumentava. Parecia nitidamente que o ar da cabeça, que encolhia, passava para a barriga, que elástica, esticava com uniformidade.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;De repente, um fenômeno inusitado se instalou no recinto. Sua cabeça havia virado uma pequenina semente de feijão preto. E isso era a coisa mais estranha disso tudo. Pois não era um feijão mulatinho, como do seu banquete, mas sim um comum e minúsculo grão preto. Como então ficaria aquele corpo disforme, com uma pança imensa e uma cabeça reduzida à semente de feijão? Será que ainda seria capaz de pensar?&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Do alto do seu extenso pescoço, o feijãozinho desequilibrou. Começou a bambear como um João-bobo inflável. Mas vencido pela gravidade, precipitou-se, lançando-se em queda livre, num angelical bailado de suicídio mental. Caiu certinho no meio do prato babado pela gulodice de Elias. Aquele corpo, no alto do qual a cabeça estava atarraxada, e que se reduzira a um deprimente grão de feijão, era o lugar de onde jamais o cérebro deveria ter saído.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Por alguns instantes, os pensamentos de Elias esvaziaram-se, ficaram numa paragem desértica. Mas ao readquirir a orientação espacial, ressituando-se, ao longo de fervorosas piscadelas seriadas, apalpou desesperançoso seu volume craniano, para certificar-se de sua presença, e confirmou a circunferência da cachola.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ele não mais estava desmiolado. O formato de sua cabeça permanecia exatamente do jeito que sempre fora. Não entendendo o que havia sucedido, e temendo ter sido vítima de sintomas alucinatórios, deu uma tímida espiadela para o prato, conferindo a existência do tal feijão preto. Lá no meio estava ele, intacto. Seu corpo continuava inteiro, sem faltar nenhuma parte - nem maior nem menor.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Elias, ainda cismado com aquele único feijãozinho em seu prato - produto imprescindível da cesta básica, inclusive pela quantidade -, que antes achou que se tratasse de sua cabeça em miniatura, muniu-se de talhares, dando prioridade à faca, e ameaçou cortar o feijão ao meio. Quando levou a serra da faca ao ventre da sementinha, iniciando a operação de corte, sentiu uma aguda dor no lóbulo frontal. Parecia que suas melhores recordações estavam sendo arrancadas a pérfidos golpes de cruéis lenhadores.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Assustado com a hipótese de que seu cérebro realmente tinha caído no prato em formato de feijão, cerrou os punhos e começou a golpear sua cabeça com leves soquinhos. A cada batida, um som oco reverberava dentro da caixa craniana, como se tivesse um profundo e absoluto vazio. Passou a graduar a força e o ritmo dos golpes, mantendo sempre um eco longínquo em tais batidas, como se estivesse na beirada de um abismo com quilômetros de profundidade.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Aquela sementinha condensava toda a sua alma. Estava trancafiada numa lâmpada frágil com um emaranhado artesanal de sentimentos embutidos. A memória afetiva retornava em turbilhão excessivo, como num bombardeio cujo perdão se fazia impiedoso.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Precisava extirpar todo o mal. Sua vida se esvaia num fluxo intenso. Pensamentos recônditos vieram à tona. Estava lidando, com a superfície lisa e renal do feijão - sem a peculiaridade da benéfica filtragem de sonhos, lembranças e pesadelos -, na qual a essência desalmada se comprimia. Na iminência de ser invadido pelas reminiscências mais dolorosas, emitidas pelo feijão - não de dentro para fora, mas de fora para dentro -, num lapso enfurecido e fumegante, tentou abocanhar de volta a sua alma, mesmo submerso no ato pleno da contradição irreversível, para reordenar suas paixões em seu devido lugar de mérito: o esquecimento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Apanhado desprevenido no contra-ataque, os lábios do feijão, maiores que os seus, alavancaram uma bocarra surpreendente, engolindo Elias antes que ele pudesse recuar em franca defesa. Não sobrou nada do heróico Elias. Só o vazio de sua cadeira apontava para sua história. E aquele único feijãozinho preto, enterrado no alvo prato de porcelana, relatou à posteridade, na rádio nacional, o dia&lt;span class="apple-converted-space"&gt; &lt;/span&gt;&lt;st1:personname productid="em que Elias" st="on"&gt;em que Elias&lt;/st1:personname&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt; &lt;/span&gt;confessou sua orfandade.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Antes de ser totalmente digerido pelo estômago brocado de um tropeiro valentão qualquer que andava pela região, Elias constatou, pelo toque calejado daquele homem rude e faminto, do fundo da panela de pressão, prestes a ser vedada pela tampa emborrachada, que quem iria comê-lo não seria ninguém menos que seu próprio pai. Causador da morte de sua mãe, de desgosto, na última refeição, quando não mais voltou ao lar, pagou pela própria boca, na crueza do destino, ao mastigar o filho das entranhas de quem ele rejeitara.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-bottom:7.2pt;text-align:justify;line-height: 18.0pt"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:11.0pt"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/b&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; "&gt;&lt;b&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.6em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 1.5em; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-8697355101918412951?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/8697355101918412951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=8697355101918412951' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8697355101918412951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/8697355101918412951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/03/sr-feijao.html' title='Elias Feijão.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-6N0Gq8ZaYAQ/TW8ydJNzE2I/AAAAAAAAAJw/LEFXfxT1ZWY/s72-c/feijao-cru.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-5291043130022040782</id><published>2011-02-26T10:57:00.000-08:00</published><updated>2011-03-06T17:16:11.730-08:00</updated><title type='text'>Jurandir, O Químico.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/-byhcQsCaFGw/TWlNITRHEqI/AAAAAAAAAJo/sR6usr-NUTE/s200/O_Alquimista_-_Marcel_Lorange%255B1%255D.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5578074418481402530" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O químico Jurandir detestava a química. Não havia a menor empatia com seu objeto de estudo. Suas fórmulas nunca resultavam em compostos originais. As substâncias, mesmo miscíveis, jamais se misturavam. Nem ao menos explosões – coisa de cientista maluco de telenovelas – nada queriam saber dele, não ocorriam nos experimentos de Jurandir. Ninguém sabia quem era o frustrado, se ele com a química, ou se a química com ele. Não chegava ao ponto de odiá-la, mas sentia-se odiado por ela. Sem conseguir controlá-la, era ela quem assumia o controle sobre ele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Desde a faculdade, Jurandir apanhava de sua vaidosa dama. Até seus beijinhos ardiam e queimavam como selinhos dados no bico de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Bunsen&lt;/i&gt; - aquele foguinho picareta das reações químicas. Tirava boas notas nas avaliações teóricas. Mas era só entrar no laboratório, para iniciar a série de torturas da quadrilha de pipetas, balões de fundo chato e tubos de ensaio. Os líquidos escorriam de seus recipientes e, por um passe de mágica – e não de química – eram evaporados ou escoavam pelo ralinho da pia. Um dia, os corantes simplesmente se recusaram a sair dos frascos. Os potinhos ficaram tão escorregadios que até sabonete molhado seria mais fácil de capturar. Na tentativa de retirar o conteúdo com uma seringa, a agulha chegou a partir ao meio sem perfurar o lacre da embalagem. A multidão de alunos se dispersou em pânico - abaixando e protegendo as cabeças - com o festival de frascos que, voando, escapavam das mãos azaradas de Jurandir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Depois de tanto ser vítima das peças pregadas pela voracidade de sua companheira inseparável – a química – na época de estudante, numa repetitiva ironia do destino, o desastrado Jurandir licenciou-se, doutorou-se, chegou à nobre função do magistério. Como professor não foi diferente. Com as palavras faladas, tinha verdadeira maestria, mas nos instantes de lecionar a parte prática – surpresa! – nada funcionava. Sua danação era antecipada pelos tropeços e modos desajeitados. Na banca de conclusão de curso de um dos seus graduandos, quase provocou uma tragédia. Entornou ácido sulfúrico na tese que seria defendida, ao argumentar que aquele material usado para compor a dissertação era vinagre puro, fermentação orgânica já azeda, neutra e moderadamente corrosiva. Quando apresentou ao orientador da tese, refutando os resultados obtidos, derrubou a ampola inteira sobre os papéis do aluno, abrindo um buraco que ultrapassou até a carteira de fórmica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Você já passou dos limites! - Cuspiu o reitor enfurecido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Dê-me mais uma chance, magnífico reitor! Não sei fazer mais nada. Só sei trabalhar com química!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Você sabe química?! - Respondeu o reitor em tom de escárnio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Prometo não mais decepcioná-lo...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Não mais?! Lembra-se quando secou todo o jardim do pátio da faculdade? Você me aporrinhava com aquela ideia maluca de fórmula do crescimento instantâneo. Qual foi o resultado disso? Desidratou as lindas plantinhas até serem reduzidas a arbustos retorcidos e excrementos. Nunca mais cresceu nada naquela terra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;- Sim, mas não se esqueça que eu inventei um jeito de impermeabilizar o teto da faculdade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;       &lt;/span&gt;- Inventou, é?! Você realizou a façanha de transferir as raízes ressecadas das plantas do jardim, já mortas, para a laje da faculdade. As raízes cresceram e fizeram nada menos do que um rombo gigantesco, abrindo mais rachaduras. Com isso, as águas da chuva infiltraram ainda mais e inundaram por completo o laboratório. Na mistura da água com os aditivos químicos, formou-se uma gosma negra, parecendo um mangue, dentro da faculdade!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Mas as raízes das plantas evitam a erosão!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Você é doido? Isso é em morro?! A laje da faculdade não é um morro nem se localiza &lt;st1:personname productid="em um. Voc￪" st="on"&gt;em um. Você&lt;/st1:personname&gt; está despedido!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Mas...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Sem “mas”! – Interrompeu o reitor, estendendo a Jurandir uma carta a ser assinada para rescindir o seu contrato. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Terminado o processo de demissão, a figura de Jurandir, sem expressão, saia cabisbaixa pelo fracasso de anos dedicado à profissão. Após a inércia inicial, pelo forte impacto que a situação impunha, começou a esbravejar – praguejando a insensibilidade do reitor -, e a colocar, em desespero, os cachorros verbais para fora na tentativa de espantar a desolação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Detesto a química! - Concluía um Jurandir desiludido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Sem anunciar sua presença, um interlocutor invisível se meteu na história e se pôs a interpelá-lo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Um homem calejado, levando rasteira de seu próprio ganha pão... Que coisa feia! – Falou a voz misteriosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Assustado, Jurandir deu um salto, quando a ouviu, pois não havia uma viva alma por onde ele estava passando. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Quem é você? Onde está?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Que mica você paga, heim?! Entendeu? Química, você paga! - Soltou uma perversa gargalhada a estranha voz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Eu estou armado, heim?! Cuidado comigo! Pare de me observar! – Ameaçou Jurandir, esquecendo-se que um homem patético como seu semblante denunciava, jamais portaria uma arma.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Não precisa ter medo, meu bom homem... Vim em seu auxílio!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Como você pode me ajudar se nem ao menos se mostra? Eu não posso vê-lo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Me ver não mudará em nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Mas como posso confiar? Com qual intenção ia querer me ajudar? Que interesse você tem em mim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Não acredita mais na bondade alheia? Quero apenas contribuir para o seu sucesso. Mas cabe a você escolher, responder por essa escolha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- O que você quer em troca, como retribuição?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Como pensa mal de mim, rapaz! Já disse, quero o seu sucesso apenas! E isso não é pouco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Sabe... Eu sou um fracassado e...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A voz misteriosa o interrompeu antes que começasse a narrar sua vida desastrada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Eu já sei... Ninguém lhe compreende, né? A química lhe dá tabefes e bofetadas o tempo inteiro... Você não consegue controlá-la, ela que lhe domina. Já sei de tudo isso!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- É...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- E então? Quer a minha ajuda?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- O que tenho que fazer?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Quer ou não quer?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Sim... Muito!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;No laboratório de química da universidade que demitiu Jurandir, algo inusitado acontecia, causando frisson, perplexidade e agitação nos eméritos professores e nos mais qualificados pesquisadores. Esses cientistas renomados tentavam, sem sucesso, adicionar em seus compostos o elemento mais necessário da disciplina – a água, solvente universal -, porém, enfrentavam a inquietante rebeldia do H2O. Ninguém conseguia conceber aquela experiência esotérica, muito grotesca, que mais parecia mágica de antiga alquimia, do que com a metódica ciência moderna.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Com sacrifício, os sistemáticos pesquisadores insistiam em adicionar com um conta-gotas, o liquido precioso nas fórmulas inovadoras. Mas esse líquido, a água, prosseguia rebelde. Ao introduzirem o dispositivo para recolhê-la, pela direita, a água ia se esquivando para a esquerda. Tentando pela esquerda, a água, inexplicavelmente, rebolava com desenvoltura e escorregava para a direita, como se fosse gelatinosa. Quando conseguiam sugar uma pequena quantidade, a água automaticamente acabava cristalizando, congelava dentro do tubinho do conta-gotas. Os cientistas, irritados, já arrancavam seus frágeis fios de cabelo que restavam em suas cabeças pensantes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Durante muito tempo, ninguém mais pôde realizar nenhuma experiência química naquela universidade. Sem a água, esse solvente universal, o laboratório teve que ser fechado por prazo indeterminado. A química já corria o risco de se tornar matéria extinta. Nas redondezas da universidade, até para beber, a água virou um artigo de luxo. Ficou muito difícil encontrar água potável com as características essenciais para o consumo. A água não era mais incolor, nem insípida, muito menos inodora. Tinha uma cor repugnante, um gosto horrível e exalava uma catinga tão arrepiante que superava até o cheiro do gambá e a carniça do urubu. &lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;    &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Alguns colegas mais próximos de Jurandir, notando seu súbito desaparecimento, pela falta de notícias – pois ele nunca mais fora visto após ser informado de sua demissão -, divulgaram em jornais comunitários e em revistas especializadas o sumiço desse professor, rejeitado pelos colegas de profissão e alunos, mas muito querido pelos amigos. Depois de um período de intrigas, esses amigos, que eram menos químicos do que assistentes de bruxaria, não dispensando um belíssimo caldeirão de experimentos macabros, associaram as perturbadoras ocorrências - a água adquirindo vida de forma abominável -, com o repentino desaparecimento de Jurandir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Não demorou muito para descobrirem que o solvente universal, hoje fedido, horroroso e rebelde, não era ninguém menos que o próprio Jurandir transformado. Mas como isso foi possível? Feiticeiras existem? Perguntavam os amigos de Jurandir - mais aprendizes de bruxas do que de cientistas. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;(...)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Logo que chegaram novas notícias sobre a internação do reitor da universidade, que havia consumido aquela água maldita, dando entrada no hospital com sintomas na pele, de coloração verde-musgo, textura de limo, e de olhos torcidos para a nuca - em vez de acima do nariz -, eles não tiveram dúvida. Jurandir não era exatamente a água – era seu veneno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; "&gt;&lt;b&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0.6em; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 1.5em; text-align: justify; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-5291043130022040782?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/5291043130022040782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=5291043130022040782' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5291043130022040782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5291043130022040782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/02/jurandir-o-quimico.html' title='Jurandir, O Químico.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-byhcQsCaFGw/TWlNITRHEqI/AAAAAAAAAJo/sR6usr-NUTE/s72-c/O_Alquimista_-_Marcel_Lorange%255B1%255D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-5454205662985051655</id><published>2011-02-21T22:36:00.000-08:00</published><updated>2011-04-05T18:23:48.803-07:00</updated><title type='text'>Túlio e o Terreiro.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/-fx2pmRUI-Yw/TZvAl-AjOZI/AAAAAAAAALQ/W4OaxF9LNzc/s200/danca-africana-por-eliomar-ribeiro.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5592275120843602322" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O som dos atabaques ecoava com as firmes pisadas no terreiro. Aquela reza forte deixava qualquer corpo livre do mal. Amuletos benzidos, com muito axé, facilitavam o propagar das emanações e impediam os malefícios do dia a dia. As vibrações dos Orixás continuavam atravessando a natureza em cânticos exuberantes. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Túlio frequentava aquele terreiro desde menino. Sabia que tinha um mestre no astral, mas algo o bloqueava na conclusão de seus objetivos, sua iniciação – empreitada tão sonhada. Nasceu, foi criado, constituiu família e procriou nas proximidades do terreiro, mas inexplicavelmente, uma força o impelia contra essa vocação de batismo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Cogitou seguir uma verve artística, não se submeter plenamente à religião. Mas Túlio apavorava-se ao se flagrar renegando suas raízes. Não pretendia ser um ingrato, filho desnaturado. Estava ligado pelo cordão umbilical com aquele chão iluminado. Sua mãe, ao sentir as primeiras contrações do parto, embora estivesse advertida pelo nascimento prematuro da criança - filho homem, disse a entidade -, foi pega desprevenida durante importante cerimônia no terreiro. A bolsa rompeu. Teve o filho ali mesmo. Aquele solo fértil, protegido pelos deuses, recebera o puro sangue da placenta materna, sendo testemunha da vinda de mais um membro da casta.&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Filho único de um casal que migrou da Bahia para o Rio, chegou ao mundo prematuro, no subúrbio carioca, parto natural, primitivo, caído no chão, no coração de um templo fundado por seus ancestrais baianos, muito anteriores à geração de seus pais. Desde cedo, exibia uma inequívoca habilidade para a percussão. Batucava como ninguém jamais tamborilara no instrumento de couro animal, objeto sagrado das convocações religiosas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Sua mãe ganhava a vida com um tabuleiro de acarajé montado nas imediações de sua casa. Com as vendas dessa iguaria baiana, complementava o sustento familiar. Já o pai de Túlio, era professor num curso de letras, lecionando no ensino superior sobre as manifestações culturais afro-brasileiras. Além de suas atividades comerciais, seus pais se dedicavam com prioridade ao culto da doutrina dos Orixás, pois tinham uma autêntica relação fraternal com essa religião, considerando-a o berço, a origem, fundamento de suas existências.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Mas aquela misteriosa energia repulsiva contrastava no cenário das rezas fortes. Apesar de ativo nas cerimônias, exímio percussionista, descendente de gente influente, médiuns respeitados, possuía uma vibração quase estéril, não sendo capaz de nenhuma comunicação com as entidades, mesmo desenvolvendo seus supostos dons com perseverança. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Talvez eu não tenha dom nenhum, ao contrário do que minha linhagem atesta. Será que eu sirvo para alguma coisa? – Indagava-se com melancólico desapontamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Essas questões atormentavam-no ao ponto de entrar em conflito com seus pais. E para colaborar com as desavenças, Túlio havia se casado com uma mulher que não pertencia àquela cultura. As crenças de sua esposa divergiam das tradições cultuadas pelos sogros. Embora houvesse respeito e tolerância mútua, os choques culturais eram inevitáveis - afinal, a relação que os pais de Túlio tinham com suas crenças era tão encarnada, que a mera hipótese de afastamento representaria a morte. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Com a evolução da vida de casado – na chegada dos filhos – a tolerância entre os pais de Túlio e sua esposa cedeu lugar à radical insatisfação. Os atritos aceleraram o rompimento dos laços amistosos que uniam ambas as famílias. Sua mulher reclamava constantemente da personalidade intratável dos sogros. Ela, como mãe, tinha o direito de decidir o destino dos filhos antes que amadurecessem e pudessem assumir as próprias escolhas. Não admitia a intervenção dos sogros na criação de seus rebentos. Já os avós paternos das crianças, devido à infatigável reverência aos espectros astrais, não aprovavam aquela educação imposta pela mãe – longe das oferendas e patuás. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Eles argumentavam, na visão dos Orixás, que não haveria a necessidade de idolatrar o pecado e, sem ele, o crescimento das crianças, livre das amarras, sem culpa, teria um melhor ambiente para expressar seus potenciais. Mas irredutível, a esposa de Túlio alimentava ainda mais a negação dos ensinamentos dos sogros. Ela reivindicava, durante as longas discussões religiosas, que sem o pecado não haveria salvação. Partidária do pensamento cristão – ou o que ela achava que fosse -, repetia entusiasmada que o pecado possibilitaria, depois de muita luta, alcançar o mérito da libertação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A discórdia familiar chegava a pontos insustentáveis, com a esposa apertando Túlio contra a parede para que ele tomasse uma decisão - entre ela e seus pais - apesar de que, independente do posicionamento do marido, ela não estaria disposta a abrir mão sobre a forma que julgava mais adequada para educar seus filhos. Não sabendo optar nesse plebiscito, Túlio tomou uma terceira opção: A fuga. Numa noite tranquila, esperou que a esposa e os filhos dormissem, já com as malas preparadas, e, sem se despedir, não visitando nem os seus pais para um último adeus, seguiu o caminho da estrada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Ninguém mais ouviu falar de Túlio. Não se sabia sobre o seu paradeiro. Se estava vivo, se havia morrido. Nada. Nenhuma notícia. Com o passar do tempo e dos acontecimentos, a esposa, antes intransigente, amoleceu seu caráter. Cedeu às sugestões dos sogros e declarou que o casamento com Túlio, apesar de um histórico familiar contrário às batucadas, significava que sentia uma irresistível atração à cultura do tambor. Logo, ela se tornaria uma importante mãe de santo local. Ficou tão íntima dos sogros, que abriu uma sociedade com a mãe de Túlio, sendo sua fiel parceira no mercado de acarajé. Os filhos – nem se fala - foram educados no terreiro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Túlio, desaparecido, cumpriu o seu destino despatriado. Mesmo tocando muito bem os instrumentos sagrados, não pôde se iniciar no sacerdócio. Trabalhava com afinco, mas algo dizia que aquele não era o seu lugar. Sumiu! Perdeu-se no mundo. Uns afirmavam de pés juntos que ele fora fulminado por um raio, como vingança pelo seu desprezo. Outros acreditavam que fez uma carreira de sucesso tocando o surdo um numa grande escola de samba. Mas a verdade é que ninguém tinha a menor noção sobre o que aconteceu com Túlio após a espetacular fuga, sem deixar vestígios. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Porém, no terreiro de seus pais, uma pequena plantinha foi vagarosamente germinando. Algumas pessoas, ao verem a planta crescer, quiseram arrancá-la, pois ou seria pisoteada, ou atrapalharia a evolução durante os rituais. Outros, no entanto, entendiam que para nascer uma frágil planta naquelas condições – pois a terra era muito socada nas danças – só sendo obra de seres de luz. Talvez as entidades quisessem testar a capacidade de seus filhos para cuidar e amar. Ou ainda, aquela plantinha fosse o suporte de alguma comunicação de paz ainda em segredo, na espera de ser decifrada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;A planta foi desabrochando, aumentando de tamanho, o tronco engrossando... Ficou enorme. Era uma tamarineira com frutos em favos, de polpa suculenta, com textura de goma e agridoce. Sua copa frondosa, fazia uma ampla sombra de grande utilidade, pois protegia e refrescava nos dias mais quentes. Virou uma cobertura natural. Suas folhas eram tão sensíveis que ao menor toque se fechavam. Os mais entendidos foram logo afirmando, com grande propriedade, que a tamarineira é originária das savanas africanas. Essa informação foi recebida com muito orgulho pelos parceiros de devoção. &lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;Quando, estranhamente, recordaram-se de Túlio que já estava esquecido e dado como morto - pois havia passado muitos anos desde seu sumiço -, de imediato souberam que a tamarineira só podia ser o próprio. Ao invés de enterrado, fincou raízes debaixo da terra, no terreiro dos seus pais, crescendo como árvore viçosa. A partir daquele momento, tiveram absoluta certeza que ele havia se reencontrado consigo. Voltado para ficar. Havia descoberto a sua verdadeira vocação e utilidade. Estava com as raízes fixadas e espalhadas naquele lugar – o seu lugar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(41, 48, 59); font-family: Georgia, 'Times New Roman', sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px; font-weight: normal; "&gt;&lt;b&gt;CONTO ESCRITO por ALEX AZEVEDO DIAS.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4145701186217632280-5454205662985051655?l=travessiaspsicanaliticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/feeds/5454205662985051655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4145701186217632280&amp;postID=5454205662985051655' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5454205662985051655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4145701186217632280/posts/default/5454205662985051655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://travessiaspsicanaliticas.blogspot.com/2011/02/o-som-dos-atabaques-ecoava-com-as.html' title='Túlio e o Terreiro.'/><author><name>Alex Azevedo Dias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04647229323948735067</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_1wfjtnxgC1I/TJlEO6v5vtI/AAAAAAAAADw/lW5_prOzgX8/S220/para+blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fx2pmRUI-Yw/TZvAl-AjOZI/AAAAAAAAALQ/W4OaxF9LNzc/s72-c/danca-africana-por-eliomar-ribeiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4145701186217632280.post-4425284380738172985</id><published>2011-02-19T20:12:00.001-08:00</published><updated>2011-03-05T09:35:37.604-08:00</updated><title type='text'>Eu Te Amo.</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/-RTo29qSkO9Q/TWCVkJZVqVI/AAAAAAAAAJU/yOppcsFEW5U/s200/euteamo.jpg" style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 179px;" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5575620786914699602" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Oswald relutava em voltar para seu ambiente doméstico. Já ficara muito tarde. Estava fazendo de tudo para esticar o tempo entre a saída do trabalho e a chegada &lt;st1:personname productid="em casa. Aquele" st="on"&gt;em casa. Aquele&lt;/st1:personname&gt; nunca fora um ato sofrido, como passou a ser. Quando se sentia muito exigido ao realizar uma tarefa amarga em seu emprego, imediatamente se transportava, em pensamento, para sua relaxante casa na praia. Esse endereço fora recentemente adquirido, com muito esforço, adotando-o para fixar residência. O pouco tempo em que passava em casa, adorava se recostar na confortável poltrona reclinável e saborear seu aperitivo predileto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Mas durante aquela noite, tentou ao máximo espichar seus limites temporais. Evitava a irremediável volta à sua casa – antes projeto tão sonhado, agora seu maior pesadelo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Tudo que eu sempre desejei está diante de mim. Vivo no que outrora fora um sonho lindo e humanamente impossível. Poucos tem condições de ter uma casa igual a minha. Invejável. Não sei qual o motivo de tanta resistência em voltar àquele lugar, ao meu lugar... – Lamentou um Oswald, com a mais radical angústia, por ter obtido tanto êxito da vida sem saber aproveitar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Faltavam quinze minutos para as dez horas da noite. Oswald sentado, corpo inclinado, cotovelos sobre as pernas, apoiando o queixo áspero pela barba por fazer com as falanges tensionadas dos polegares - as mãos unidas, espalmadas, cuneiformes. A praça pública à qual pertencia o banco &lt;st1:personname productid="em que Oswald" st="on"&gt;em que  Oswald&lt;/st1:personname&gt; se perdia na imponderável meditação, cumpriria o fechamento dos portões às dez em ponto, seguindo a restrição de horário decretada pelo secretário de segurança da cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Desculpe-me, senhor. Sinto lhe informar que o parque será fechado daqui a pouco. Devo convidá-lo a se retirar. – Abordou o guarda noturno com voz temperada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Oswald manteve-se debruçado sobre as pernas, impassível, ouvindo atentamente as instruções do guarda. Com o tronco ainda lânguido, respiração pesada, quase arfante, ergueu o atarracado pescoço. Deslocou o olhar por cima das rústicas lentes de resina – óculos de armação antiquada -, demonstrando fastio, num semblante monocórdio, e resmungou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Estou saindo...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;O guarda meneou a cabeça afirmativamente, esboçando um leve sorriso no canto da boca, satisfeito pelo distinto cidadão ter obedecido as suas ordens. Cumprimentou-o com a formalidade que sua patente lhe reservava:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Desejo uma noite agradável, senhor!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;- Igualmente. – Respondeu Oswald impaciente e irritadiço. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;      &lt;/span&gt;Com passos desritmados, arrastados, Oswald saiu pelo acesso lateral do parque. Encostou-se à grade de ferro, no limite exterior que isola a área pública – tornando-a privada nas horas avançadas -, e enfiou as mãos nos bolsos das surradas calças sociais. Apalpou algo. Sentindo esse pequeno volume num dos bolsos, estranho objeto, parecendo um papelo
